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Fortalecida luta às doenças negligenciadas

Tatiana Marta | Huambo

Um projecto de água, saneamento, higiene e educação, denominado WASHE, foi apresentado na província do Huambo, a fim de melhorar a qualidade higiénica nas instituições escolares e combater as doenças negligenciadas, que proliferam nas zonas rurais.

Vista parcial da cidade do Huambo onde são criadas estratégias destinadas a reforçar o combate às doenças negligenciadas
Fotografia: João Gomes

A coordenadora do projecto, Elena Catalán, informou que o programa tem a duração de dois anos e é implementado pela Organização Não-Governamental “The Mentor” em 1.089 escolas do ensino primário nos municípios que têm registado mais casos da chamada doença dos rios (shistosomíase).
A iniciativa vai permitir dar melhor seguimento ao projecto de saneamento básico nas escolas e identificar os problemas nas comunidades com maior prevalência de doenças infecciosas negligenciadas, que afectam crianças e adultos, bem como a formação dos professores que vão actuar na promoção dos cuidados primários e técnicos de saúde.
Elena Catalán referiu ainda que a partir do próximo mês começam a ser formados os técnicos de saúde para a fase de execução do projecto nas escolas seleccionadas.
“Vamos trabalhar na melhoria do saneamento básico e da água para consumo nas comunidades, higiene e educação das populações”, disse, acrescentando que tudo isso passa pela sensibilização no sentido de se evitar a contaminação das nascentes dos rios, numa altura em que o Governo está a trabalhar no alargamento da rede de distribuição de água potável, com abertura de furos e montagem de novos sistemas nas comunidades.
O director provincial da Saúde no Huambo, Carlos Juliana, defendeu a extensão do projecto a todas as instituições escolares da província, para permitir divulgar as formas de contágio e de prevenção contra as doenças negligenciadas.
Carlos Juliana disse que as acções que visam combater as doenças tropicais negligenciadas são intensificadas, para impedir que mais crianças sejam infectadas pelas mesmas.
“Devido a essas doenças, muitas crianças têm fraco aproveitamento escolar, além de retardarem o crescimento físico e motor dos menores de idade”, disse o director.
O combate a essas doenças, que matam de forma silenciosa, não deve ser apenas responsabilidade do Governo, através da direcção da Saúde, mas sim comparticipado por todas as forças vivas da sociedade, evitando a contaminação das águas dos rios e das cacimbas onde a população retira água para consumo.
A coordenadora do programa das Doenças Tropicais Negligenciadas, Lurdes Maieca Garcia, disse na apresentação dos resultados do mapeamento epidemiológico e da campanha de desparasitação maciça que em 2014 a direcção da Saúde desparasitou 353.765 alunos com idades entre cinco e 18 anos contra a doença dos rios, de um total de 473.855 previstos, em parceria com a Organização Não-Governamental “The Mentor”.
Lurdes Maieca informou que foram abrangidas 1.056 escolas, nos 11 municípios da província. A shistosomíase é uma doença infecciosa, não provoca morte imediata e a fraca investigação está na base da sua propagação.
Um dos sintomas da doença é a presença de sangue na urina e nas fezes e provoca, nos alunos, fraco aproveitamento escolar, retarda o desenvolvimento cognitivo, o crescimento físico e motor.
A shistosomíase surge devido à falta de higiene e ao consumo de água contaminada de rios. A província do Huambo tem uma prevalência epidemiológica da doença na ordem de 23,4 por cento, tanto da shistosomíase urogenital como intestinal, sendo os municípios da Caála, Chinjenje e Ucuma os mais afectados.

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