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Governador apela à produção de mais alimentos

António Canepa | Londuimbali

O governador da província do Huambo, Fernando Faustino Muteka, reconheceu, esta semana, no Londuimbali, os níveis de progresso alcançados no município, no âmbito do programa de reconstrução nacional em curso no país, e exortou a população a produzir mais alimentos para acabar com a fome e a miséria na província.

Populações de Londuimbali foram exortadas a produzir mais para combater a fome e a pobreza
Fotografia: Fernando Cunha

O governador da província do Huambo, Fernando Faustino Muteka, reconheceu, esta semana, no Londuimbali, os níveis de progresso alcançados no município, no âmbito do programa de reconstrução nacional em curso no país, e exortou a população a produzir mais alimentos para acabar com a fome e a miséria na província.
Faustino Muteka, que falava num acto de massas, na sede daquele município, prometeu mais apoios aos agricultores e camponeses associados.
“A população do município do Londuimbali produz muito, em termos de agricultura, gostaríamos de esclarecer que a preocupação do governo é acabar com a pobreza e a fome, por isso vamos aumentar os apoios, para estimular a produção”, disse o governador.
Yaya Teresa, vendedora de peixe fresco, disse que as condições sociais melhoraram muito na vila e arredores, porque há comida e a preços ao alcance de todos os bolsos.
“Acho que o tempo de fome já passou, pelo menos aqui na nossa vila, vende-se de tudo um pouco e a preços aceitáveis”, reforçou.
De acordo com o chefe do sector da agricultura, Eugénio Rufino Lázaro, este ano haverá muita comida. Embora sem ter avançado cifras sobre a colheita da presente campanha, disse que a safra deste ano será boa. “Há muito milho, feijão, ginguba, batata-doce e rena, soja, trigo, ervilha, girassol, gergelim, mandioca e outros produtos hortícolas”, sublinhou.
Muitos habitantes de Londuimbali ouvidos pela nossa reportagem foram unânimes em afirmar que os preços praticados são bons e estão ao alcance de qualquer um.
A reportagem do Jornal de Angola constatou que no mercado informal uma unidade de peixe carapau estava a ser comercializada a 75 kwanzas, um quilo de fuba a 40 kwanzas, de feijão a 200, arroz e massa alimentar a120 e 125 kwanzas, respectivamente, e um litro de óleo a 100.
João Lohenda disse que os preços estão a baixar devido ao aumento dos produtos no mercado. “Antes comprávamos estes produtos a preços quase a dobrar, mas à medida que o tempo vai passando as coisas tendem a baixar”, disse.
No município produz-se quase tudo, desde a banana, abóbora, rabanete, trigo, em menor escala a massambala e outras culturas próprias da região, que muito contribuem para o aumento da dieta alimentar das populações e da renda das famílias.

Reconstrução

São visíveis, pelo menos na sede do município, as marcas de progresso e o trabalho aturado dos homens para apagar as “cicatrizes” deixadas pelo conflito armado e proporcionar uma vida melhor aos seus habitantes.
A reconstrução avança e a agricultura dá passos, que, segundo as autoridades locais, poderão colocar Londuimbali como uma das potenciais candidatas à auto-suficiência alimentar no país e fornecer comida às circunscrições vizinhas.
Os sinais dos novos tempos começam a ser notados logo à entrada da comuna do Alto-Hama, que dista 26 quilómetros da sede municipal e a 64 da cidade do Huambo, que constitui o verdadeiro postal de visita para quem chega ao município. É o ponto de referência e paragem obrigatória para os visitantes e turistas que se deslocam à sede da província do Huambo e ao Leste do país e vice-versa.
É na comuna do Alto Hama onde tudo começa, com as suas exuberantes paisagens e locais turísticos de encher os olhos, como as “Águas termais e frias”, que convidam as pessoas para um mergulho. Para aqueles que gostam de turismo ecológico, chegar ao Morro do Moco, o ponto mais alto do país, com 2620 metros de altitude, situado na comuna do Ussoque, é um verdadeiro encanto para a vista e para a alma. O morro do Moço é a “rainha” da região.

Ponto de referência

A comuna constitui ponto estratégico que, apesar das marcas do passado, que em alguns sítios ainda se conservam, são notáveis os progressos, e fazem da área um ponto de referência cultural e turística do Planalto Central.
Estruturas turísticas, típicas da área, foram erguidas de raiz ou reabilitadas, para servir visitantes e aos seus habitantes, enquanto escolas, totalmente reabilitadas, o hospital municipal, o comércio fluído, os parques e outros serviços completam o leque de atracções, mostrando o franco desenvolvimento da província, em geral, e do município, em particular.
A administração local promete fazer mais, para que a vida no município seja cada vez melhor, principalmente no que concerne a áreas de lazer e de recreação.
O administrador municipal adjunto do Londuimbali, Arnaldo de Oliveira Katanga, revelou que a administração tem elaborados vários projectos que vão melhorar a vida das populações.
“Sentimos que ainda falta muita coisa para os nossos jovens se divertirem, por isso, nós, autoridades deste município, faremos tudo para que os jovens, que são o nosso braço direito, possam sentir-se bem no município e não emigrar para outras regiões”, enfatizou.
Na sede do município foram reabilitados o clube municipal, o parque infantil, que aos fins-de-semana têm servido para o encontro de jovens. Mas, os jovens reclamam a falta de um campo de futebol onze, com melhores condições, falta de equipamentos musicais, bibliotecas, espaços de investigação de Internet, espaços para exibição de espectáculos, centros de formação de artes e ofícios, livrarias, cinemas e mais lugares de diversão.

Faltam mais locais de diversão

Eugénio Rufino Lázaro reside no município há três anos e diz que falta mais ambiente na vila. Reconheceu que já muita coisa mudou, mas sugere que as autoridades deveriam olhar mais para os jovens.
“Eu acredito que muitos jovens levam a vida de bebedeira por falta de mais diversão. Penso que se houver mais diversão e locais de estudo e formação, alguns jovens podem abandonar a má vida que levam”, realçou. O município é totalmente tranquilo, e os jovens sentem-se seguros e, como disse Abraão Katanha, a pessoa pode circular a qualquer hora, só que há poucos lugares para onde ir, tirando a comuna do Alto-Hama ou Kuqueta, onde alguns se têm deslocado à procura de lugares de diversão e reflexão.

Estradas e falta de professores

A falta de professores e as péssimas condições das estradas que ligam as comunas à sede, com excepção da comuna do Alto-Hama, situada na Estrada Nacional 250, constituem uma das principais preocupações do governo da província do Huambo.
O governador da província mostrou-se preocupado com a situação e disse que se deve trabalhar mais para que o quadro seja invertido.
No município do Londuimbali ainda existem zonas inacessíveis, que dificultam a deslocação de professores e pessoal da saúde a muitas aldeias e ombalas, por falta de vias de comunicação adequadas.
Na reunião com as autoridades tradicionais, os sobas e seculos exigiram a reabilitação das estradas para facilitar a circulação de pessoas e bens e o escoamento dos seus produtos agrícolas.
Os sobas pediram mais professores e consideram que o número de vagas dada ao município é irrisório. Relataram que existem aldeias e ombalas sem um único professor.
O soba grande da comuna do Ussoque, Sabino Ukwahamba, tem sob a sua jurisdição 12 aldeias e disse que existem aldeias onde as pessoas não estudam há mais de trinta anos por falta de professores.
Os que se deslocam para lá, vindos da capital ou da sede do município, não demoram, regressam para as zonas de origem, devido à falta de condições a que estão habituados nas grandes cidades, onde também se passa mal mas há muito mais oportunidades.
“Construímos escolas, mas não temos professores, os nossos jovens e crianças não estudam e não sabemos quando terão um professor, ainda que seja para os primeiros anos de escolaridade”, lamentou o soba.
Os sobas defendem que, para se ultrapassar a situação, o governo deveria dar formação aos jovens naturais ou que vivem próximo das suas aldeias.

Pavimentação das ruas

Por outro lado, dentro do programa de reabilitação de infra-estruturas, a administração do município do Londuimbali pretende asfaltar todas as ruas da vila e das vias que ligam a sede a alguns bairros.
Existe também um ambicioso programa de recuperação dos espaços verdes e jardins, que, de acordo com o administrador, constam entre as prioridades traçadas no programa do governo local, para devolver à vila a sua imagem natural e acolhedora.
“Nós não podemos confiar num jovem que não faz uma semana no local e deixa as nossas crianças sem aulas durante muito tempo”, desabafou. Há professores que se furtam a leccionar nas aldeias distantes dos centros urbanos. Por isso, as autoridades tradicionais exigem o recrutamento dos naturais daquelas zonas ou a criação de um subsídio de exclusividade ou de isolamento para estimular a permanência deles nas aldeias. Este subsídio já foi aprovado pelo Governo, mas em muitas províncias os seus efeitos práticos tardam a chegar.
A chefe de secção municipal da Educação, Ciência e Tecnologia, Albertina Wandy, disse que 13.126 alunos estão fora do sistema normal de ensino e vários outros recebem aulas ao ar livre. No mínimo, o município precisa de 438 professores, 110 do primeiro ciclo, 59 técnicos superiores e 124 funcionários auxiliares.
A este número de necessidades acresce-se os pedidos dos sobas das ombalas e aldeias distantes.
Os habitantes de Londuimbali defendem também a necessidade de se alargar a merenda escolar para manter os alunos nas salas de aula, num total de 35 do ensino primário, cinco do primeiro ciclo e duas do segundo ciclo. Actualmente estão matriculados no município mais de 30 mil alunos, atendidos por 770 professores.

Sistema sanitário

Existem ao todo, no município do Londuimbali, dois centros hospitalares de referência. O hospital municipal, situado na comuna do Alto-Hama, com 64 camas, a funcionar com três médicos de nacionalidade cubana, e o centro de saúde, na sede do município, com capacidade de internamento para 38 pacientes e que funciona igualmente com três médicos, nas especialidades de clínica geral, pediatria, obstetrícia e ginecologia.
O administrador municipal do Londuimbali, Evaristo Lucas Ulombe, disse que o governo prevê construir, em breve, mais 21 postos de saúde, cinco centros médicos e 26 residências para os técnicos e médicos, e precisa de 143 enfermeiros e 10 médicos.

Obras de restauro

O município do Londuimbali beneficiou de obras de restauro. Grande parte das suas infra-estruturas sociais foi reabilitada, incluindo residências para o pessoal administrativo. O município tem instaladas sete unidades de produção de energia eléctrica (centrais térmicas).
Na sede foi instalada uma central com capacidade de 505 KVA, que funciona das 18 às 22 horas diariamente. Apesar de algumas dificuldades, existe água em algumas torneiras e o resto é fornecido através do sistema de captação em 26 chafarizes, 11 manivelas e nove fontanários.

Histórico

O município de Londuimbali era, no período colonial, designado posto Administrativo de Luimbale, pertencente ao concelho do Bailundo, distrito do Huambo, cujo nome derivou da confluência de dois rios, Cussangai e Culova, situados a Leste da sede municipal, que passou a ser conhecido como Luimbale, que mais tarde se passou a chamar Londuimbali, que em português significa dois rios.
Fez-se concelho em 1971, através da portaria número18137-A, de 13 de Dezembro, publicada no boletim oficial de Angola número 290/71-I série-suplemento. Situa-se 91 quilómetros a Norte da cidade do Huambo, com uma superfície de 2698 quilómetros quadrados.
Administrativamente é constituído por cinco comunas, a comuna sede, Alto-Hama, Cumbila, Galanga e Ussoque, com uma população estimada em 92.730 habitantes, maioritariamente camponeses.
Conta com 28 associações de camponeses e pescadores, distribuídas em todas comunas, e nove cooperativas agrícolas, que praticam as culturas de sequeiro, feita na época chuvosa, semi-sequeiro e a cultura de regadio, cujos rendimentos têm revertido para o aumento da renda familiar.

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