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Grandes obras atraem turistas

António Canepa|Bailundo

O Bailundo é destino turístico obrigatório para os que procuram tranquilidade e lazer, sobretudo aos fins-de-semana, graças ao seu clima, o carinho, a  hospitalidade da sua gente e o surgimento de infra-estruturas sociais, que permitem ao visitante sentir-se bem instalado e acolhido em qualquer época do ano.

Depois da reabilitação e asfaltagem das suas vias a cidade do Bailundo está em processo de construção de infra-estruturas sociais
Fotografia: Francisco Lopes

O Bailundo é destino turístico obrigatório para os que procuram tranquilidade e lazer, sobretudo aos fins-de-semana, graças ao seu clima, o carinho, a  hospitalidade da sua gente e o surgimento de infra-estruturas sociais, que permitem ao visitante sentir-se bem instalado e acolhido em qualquer época do ano.
A vila do Bailundo está localizada 65 quilómetros a Norte da cidade do Huambo. No passado serviu como ponto de ligação entre as províncias do Bié, via Catchiungo, ex-Bela Vista, para o Leste; Malange e Kwanza-Sul, ao Norte.
A história do município do Bailundo está associada à cultura secular do seu povo, que tem na agricultura a sua principal riqueza e na alegria e beleza das suas paisagens o seu trunfo para atrair e cativar os visitantes.
A região do Bailundo era, até pouco tempo depois do conflito armado, uma terra de martírio, sofrimento e isolamento. Até há poucos anos era inimaginável que a vila se tornasse num ponto de encontro, para passeios ou negócios, até mesmo para estudos ou pesquisas académicas.
A vida é dinâmica, a alegria um facto e o trabalho uma batalha diária. Inúmeros empreendimentos surgiram no que antes era visto como um aglomerado de casas em ruínas, estradas esburacadas, sem parques nem jardins, escolas partidas e com um único hospital reduzido a paredes.  
Belas paisagens circundam a vila do Bailundo e as estradas totalmente reabilitadas levam para a região gente de quase todas as latitudes em busca de diversão ou tranquilidade. À entrada da vila, para quem vem do litoral, via Alto Hama, fica localiza a montanha Katapi, do alto da qual se tem o panorama completo da região, que se estende por muitos quilómetros.
É também a partir daquela montanha, que ainda hoje guarda segredos da História, albergando os restos dos soberanos reais e símbolos de resistência anti-colonial de Katyavala e Ekwikwi II, que se podem ver as potencialidades do território que influenciou também os vizinhos, mediante o comércio, que se estendeu do Leste ao litoral de Angola.
O Bailundo tem 237.160 habitantes espalhados pelas cinco comunas, Lunge, Hengue, Luvemba, Bimbe e a sede. São, na sua maioria, camponeses, que conservam ainda a prática da agricultura tradicional, enquanto emerge a mecanização com a introdução de técnicas modernas.
O milho, o feijão, amendoim, batata, massambala, mandioca, banana e hortícolas são as principais culturas praticadas na zona e constituem a base da dieta do seu povo e fonte de receitas de quase todas as famílias.
Como acontece em quase toda a província do Huambo, o Executivo está a incentivar a produção de alimentos, dando apoios aos produtores, para que possam criar a sua riqueza nas comunidades.

Melhores acessibilidades

Há pouco mais de quatro anos o estado das estradas era péssimo. Hoje, o quadro mudou e as viagens são feitas comodamente. João Lopes, taxista, faz o percurso entre o Huambo e o Bailundo. Lembrou os tempos em que as viagens eram feitas em condições extremamente difíceis, e chegavam a durar três horas. Hoje, acrescenta, o Bailundo é destino de muita gente, devido em grande medida às suas excelentes estradas e aos espaços de lazer que estão a nascer na vila.
“A estrada para o município ficou uma pista, podemos viajar a qualquer hora em menos de uma hora”, disse João Lopes.
As pessoas abordadas pela reportagem do Jornal de Angola foram unânimes em afirmar que a situação mudou muito e se respira um ambiente cada vez mais agradável. À noite, apesar da energia eléctrica cobrir apenas a vila durante algumas horas, as lanchonetes, bares e restaurantes existentes fecham as suas portas mais tarde. “Existem alternativas, por isso, a vida não pára tão cedo e, aos fins-de-semana, só pára ao raiar do sol”, disse Ernesto Lupassa, empregado de balcão de uma lanchonete.
Estão em construção mais infra-estruturas hoteleiras, para acolher mais visitantes e incrementar os níveis de lazer e diversão para impulsionar o turismo na região.
O governador provincial do Huambo, Faustino Muteka, na sua última visita ao município, recomendou uma maior aposta na construção, com urgência, de infra-estruturas  sociais básicas, para promover o desenvolvimento e o bem estar das populações, incluindo as das zonas rurais e reiterou o apelo às populações para produzirem mais e contribuírem no combate à pobreza e à fome.
O Bailundo tem todas as suas vias asfaltadas e agora está em curso a construção de infra-estruturas sociais e de casas. Omunicípio do Bailundo é um dos que mais rápido está a recuperar na região, depois do conflito armado.
 
Prioridade à água e luz

O Governo da Provincial do Huambo definiu como principais prioridades para o município o fornecimento de energia eléctrica, distribuição de água potável, a saúde, educação e agricultura, para produzir mais alimentos e acabar com a fome.
É uma das poucas vilas onde a água jorra normalmente nas torneiras, enquanto nos bairros o abastecimento é assegurado por chafarizes e manivelas, para facilitar a vida às famílias que antes percorriam longas distâncias para se abastecerem.
O Governo Provincial quer estender a distribuição regular de água a todos os bairros. Um projecto de construção de uma central de captação e tratamento da água está em curso e vai proporcionar aos habitantes da vila mais água e com melhor qualidade.
A energia eléctrica é fornecida por um grupo gerador, numa central de produção e distribuição, que garante a luz desde as 17 horas até às 23 horas. O objectivo é alargar o período de fornecimento, o que segundo o administrador municipal, Sampaio do Amaral, vai ser possível, com o arranque da barragem do Ngove, na Caála, que vai passar a fornecer energia a toda província do Huambo e ao Bié.
A primeira fase da barragem do Ngove entra em funcionamento no primeiro trimestre do próximo ano: “nessa altura a energia eléctrica deixa de ser problema e vai impulsionar o surgimento de algumas indústrias no município”, garantiu o administrador Sampaio do Amaral.
As prioridades locais estão estabelecidas. Passam pela construção de escolas, para permitir a inclusão de mais crianças no sistema de ensino, de unidades sanitárias, visando a melhoria da assistência médica e medicamentosa, e pela reabilitação das vias que ligam a sede do município às comunas, ombalas e aldeias. 
Uma das principais reclamações das populações é a implantação do ensino superior no município, considerando que o crescimento de estudantes com o ensino médio completo justifica a abertura dos cursos de ensino superior, que pode servir também os vizinhos municípios do Mungo e Catchiungo.
 
Actividade comercial

O comércio está a revitalizar-se com o surgimento de várias lojas e mercados formais e informais. De acordo com Maria Eugénia, vendedora, antes o mercado localizava-se mesmo na vila, mas com o seu crescimento, foi transferido para os arredores para evitar acidentes e desordens.
“À medida que a vila foi crescendo, o comércio tornou-se mais agressivo, porque aqui no Bailundo aparecem vendedores e compradores dos municípios vizinhos, então o governo decidiu mudar de lugar os mercados informais”, disse.
O novo mercado está a pouco menos de dois quilómetros da vila e não difere em nada de outros como Alemanha, nos arredores da cidade do Huambo, tido como o maior da província, ou mesmo o Roque Santeiro, em Luanda, o maior do país.
Lá o cliente pode conseguir o que quiser, contando apenas com o bolso. Pode fazer refeições, saborear uma cerveja fresca e até mesmo efectuar câmbios. Vendem-se desde aparelhos electrodomésticos, roupas, calçados, bijutarias, a alimentos crus.
Um pormenor que salta à vista de qualquer pessoa é que não se verificam vendedores ambulantes nas vias públicas da vila. Todos os vendedores sabem que o lugar para vender é no mercado, ou em bancadas improvisadas nas casas.
Um quilo de arroz custa naquele mercado cem kwanzas, o açúcar 170, e um quilo de feijão está entre 150 e 180 kwanzas.
Um litro de óleo vegetal está a 200 kwanzas, a fuba limpa, 50, uma galinha para moamba pouco mais de mil, enquanto a batata-doce, 20 kwanzas.
A maioria dos artigos industriais comercializados no mercado novo é adquirida nas lojas e mercados do Huambo, Luanda e Lobito. Os vendedores consideram que os preços variam de acordo com a sua proveniência e preços de aquisição, mais o frete.
Albertina Tchitula, vendedora de roupas, considera que tem havido margem para lucro. “O Bailundo agora já tem clientes, não é como antigamente que os clientes não apareciam, a pessoa para despachar algum negócio demorava muito tempo”, frisou.

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