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Huambo celebra um século de existência

António Canepa e Justino Vitorino | Huambo

Sob o lema “Huambo: cidade vida-100 anos pelo desenvolvimento económico e social”, a capital da província comemorou no passado dia 21 o centenário da sua ascensão a cidade.

Vista parcial da cidade do Huambo onde estão em curso várias acções de impacto social para melhorar o nível de vida da população
Fotografia: Francisco Lopes | Huambo

Sob o lema “Huambo: cidade vida-100 anos pelo desenvolvimento económico e social”, a capital da província comemorou no passado dia 21 o centenário da sua ascensão a cidade.
A elevação foi feita pelo governador-geral da então província de Angola, o português José Mendes Ribeiro Norton de Matos, através da portaria 1.040, de 8 de Agosto, passando a vila do Huambo à categoria de cidade, em 1912. O acto coincidiu, na altura, com a chegada do primeiro comboio ao Planalto Central e a inauguração oficial do Caminho-de-Ferro de Benguela pelo general Norton de Matos.
Reza a história que a designação Huambo se deveu a Wambo Kalunga, um notável caçador do Kwanza-Sul que, na procura de animais para caçar, chegou ao Planalto, onde se estabeleceu.
Antes da ocupação colonial, o Huambo pertencia administrativamente ao Bailundo, do qual se separou por força da portaria 1.045, de 1 de Agosto de 1911, quando se tornou circunscrição.
O actual território foi palco de sangrentas batalhas de resistência contra a ocupação colonial, desde a chegada dos portugueses à região, e a dominação só aconteceu em 1902, após a famosa batalha das Pedras de Kandumbu.
Em 1928, o projectista da cidade, o engenheiro Vicente Ferreira, foi nomeado para governador da então colónia e baptizou a urbe com o nome de Nova Lisboa, dando sequência ao projecto de Norton de Matos, que consistia em transferir a capital para o Planalto Central e desenvolver o interior. A concepção da nova cidade obrigou a implantação de fábricas de tijolo e telha, que revolucionaram a construção das primeiras estruturas definitivas no actual bairro do Comércio e das primeiras igrejas, nas antigas localidades do Tchipeio, Bailundo e Catchiungo, entre outras.
Apesar da sua inauguração ter acontecido em 1912, a configuração da cidade do Huambo só foi feita um ano depois, com a consolidação de projectos que sustentaram o início do seu desenvolvimento.
Em poucos anos, Huambo desenvolveu-se graças à sua localização estratégica, transformando-se na segunda cidade de Angola e num importante centro comercial e académico.
As comemorações dos cem anos acontecem numa altura em que a cidade do Huambo dá um grande pulo em termos de vida social e económica, principalmente no ramo da educação, comércio, saúde, construção de infra-estruturas sociais, melhoria do fornecimento dos serviços básicos aos munícipes e a criação de condições para acomodar melhor os seus habitantes.
Nesta altura, são vários os projectos de impacto social em curso na cidade, com destaque para a sua requalificação nos mais variados domínios, para o ordenamento do território, o Programa de Combate à Pobreza e a provisão de outras acções de impacto social, que fazem o Huambo crescer e reconquistar a divisa de “cidade vida”, com destaque para o projecto “cidade ecológica” do país.

Maior parque industrial


Com a entrada em funcionamento da barragem hidroeléctrica do Gove, com capacidade de produção de 60 mega watts, nasce a esperança da cidade se tornar um dos maiores parques industriais.
A circulação do comboio na cidade é vista como a principal mola impulsionadora deste importante desejo dos munícipes e da população da província, em geral, para o fomento da economia, o desenvolvimento industrial e comercial e estimular o investimento nacional e estrangeiro.
A cidade recupera aos poucos a saudosa imagem de antigamente, com a concepção de projectos e programas de recuperação e construção de infra-estruturas sociais, com maior realce para as ruas, estradas, sistemas de captação e abastecimento de água potável, melhoramento da iluminação pública e domiciliar, recuperação de espaços verdes e de lazer e adopção de novos métodos de saneamento básico.
Muitos são os locais históricos e culturais que podem atrair qualquer turista que se desloque à cidade do Huambo em férias ou em negócios, com destaque para o Forte da Quissala, a barragem do Cuando e a granja “Pôr-do-sol”, além do Jardim da Cultura, a Chianga e a estufa-fria, actualmente em requalificação. A cidade do Huambo é sede da Universidade José Eduardo dos Santos, criada em Maio de 2009, no âmbito do redimensionamento do ensino superior, que criou a quinta região académica do país, que engloba também as províncias do Bié e Moxico.

A vez da agricultura


A livre circulação entre o campo e a cidade são exemplos de u­ma aposta na reabilitação das vias secundárias e terciárias, que ligam os municípios e comunas e, assim, facilitam o escoamento de produtos para os principais mercados da urbe, o que estimula a produção de alimentos nas comunidades rurais.
Meios e pessoas estão mobilizados para que a distância entre aldeias, quimbos e ombalas e a cidade capital da província seja cada vez mais curta. Os arredores da cidade do Huambo são também potenciais canteiros agrícolas, com um clima propício para a prática da agricultura e pecuária.
Quanto ao sector bancário, a cidade conta com cerca de 20 agências, de bancos públicos e privados, que estão a facilitar a vida dos trabalhadores e estimulam o comércio e o negócio.
Mais de 1.200 quilómetros de ruas foram terraplanadas e asfaltadas nos bairros, propiciando melhor circulação interurbana de pessoas e viaturas e, consequentemente, a criação de mais postos de trabalhos para os jovens.

Actividades para as festas

Este ano, para as comemorações das festividades da cidade, muitas actividades sociais, recreativas, culturais e desportivas estão a ser realizadas em vários pontos da cidade, de modo a integrar os munícipes nas festas. Cultos de acção de graças ou ecuménicos, palestras, encontros relâmpago, mesas redondas, conferências, doações, ma­ratonas e outras actividades pre­enchem os espaços e tempos livres das pessoas, que participam em massa nas festas, que vão até o final do mês. Na cidade do Huambo, é notável a folia e a movimentação de turistas nacionais e estrangeiros à procura de desfrutarem do clima, da culinária e do som da música de artistas locais.
Não faltam, nesta época festiva, feiras, espectáculos, desfiles de moda, visitas a locais históricos e culturais, além da realização de actividades desportivas.
A par destas actividades agendadas para saudar o centenário do Huambo, estão também patentes as marcas dos hábitos e costumes da região do Planalto Central, em exposições no Jardim da Cultura e no Largo Saydi Mingas, principais locais de a­tracção do público, principalmente à noite, altura em que as festas atingem o seu pico.

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