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Huambo com elevado nível de despovoamento florestal

Victória Quintas | Huambo

A província do Huambo apresenta um elevado nível de devastação florestal, revelou ontem a representante local da Organização Não-Governamental Acção para o Desenvolvimento Rural e Ambiente (ADRA).

Maria Natália disse, durante a apresentação da segunda fase dos resultados do projecto de apoio ao repovoamento florestal e comunitário, que ele beneficiou directamente 568 famílias e indirectamente 3.290, e foi desenvolvido no município da Caála, nas aldeias de Calue e Cambongue, uma região caracterizada por um elevado grau de degradação dos solos, baixa fertilidade e quase ausência de mata natural. 
Com este projecto, a ADRA pretende ajudar, com o esforço de parceiros, na tarefa de recuperação das áreas completamente devastadas, introduzindo um modelo de produção com o qual a agricultura e a floresta podem coabitar, produzindo benefícios para o homem.
Os resultados apresentados constituem apenas uma pequena parte do trabalho, referiu Maria Natália, que considera ser urgente a recuperação florestal, o que passa, também, pela educação das futuras gerações sobre a preservação ambiental.
“As árvores e as florestas são, para o ambiente, uma fonte de produtos e serviços de carácter social e económico de extrema importância. Servem para a manutenção da biodiversidade, captação e absorção do carbono, atenuação dos efeitos de estufa, conservação das águas no solo, criação de emprego e lazer, assim como para melhorar o sistema de produção agrícola e as condições da vida humana”, disse.

Ambiente saudável
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Depois de condenar o abate indiscriminado de árvores, queimadas e práticas agrícolas incorrectas, considerou que elas têm contribuído para a degradação das zonas verdes, razão pela qual a ADRA defende, na sua missão, a criação de um modelo de desenvolvimento democrático sustentável e ambientalmente justo.
“A dimensão ambiental é trabalhada através do apoio às populações desfavorecidas, na reabilitação dos seus sistemas de produção, no acesso ao crédito, organização comunitária, exercício da cidadania e alcance da sua autonomia, para que se tornem actores do processo de desenvolvimento das suas localidades, protegendo o ecossistema e a preservação do ambiente”, salientou a responsável.
Maria Natália agradeceu à Petrobras, que financiou o referido projecto, e pediu às populações de Cambongue e Calue para redobrarem esforços na preservação do pedaço de floresta que foi instalada, para que sirvam de exemplo a outras comunidades. 
Participaram na palestra representantes das administrações municipais do Huambo e Caála, Associações de Camponeses, Instituto de Desenvolvimento Florestal, Estação de Desenvolvimento Agrário da Caála, representantes do Centro Ecológico Tropical e de Alterações Climáticas, Ecovisão, UNACA, DW e estudantes da Faculdade de Ciências Agrárias.

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