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Huambo está a formar engenheiros florestais

Azevedo Faria | Huambo

A Faculdade de Ciências Agrárias (FCA), da Universidade José Eduardo dos Santos, com sede na cidade do Huambo, forma este ano os primeiros seis engenheiros florestais.

O curso é uma inovação no país e foi instituído para formar quadros que possam garantir a manutenção das imensas florestas da região
Fotografia: Jornal de Angola

No ano académico de 2010 inscreveram-se 26 estudantes e seis terminam o primeiro curso florestal naquela instituição com resultados satisfatórios, segundo o decano da Faculdade, o engenheiro Guilherme Pereira.
O reitor da Universidade José Eduardo dos Santos, Cristóvão Simões, considerou o número como satisfatório, por ser o início de um percurso que está a ganhar corpo com a adesão de mais jovens ao curso todos os anos.
Este curso é uma inovação no país e foi instituído para formar engenheiros florestais que são uma componente importante na manutenção das florestas.
O especialista florestal deve também velar pelo combate às queimadas anárquicas, manutenção das bacias hidrográficas, reflorestação e repovoação de algumas espécies ameaçadas e criar equilíbrio no planeta.
Neste ano lectivo o curso conta com 170 alunos do primeiro ao terceiro ano, podendo muitos beneficiar de bolsas em Cuba.“A Universidade José Eduardo dos Santos está num bom caminho porque nunca neste país se formaram engenheiros florestais e agora aí estão os primeiros e daqui para a frente não vamos parar ”, sublinhou o reitor.
Até 2017, segundo o programa traçado pela Universidade, o país pode contar com os primeiros mestres nos cursos florestais, que vão garantir a formação de mais jovens neste ramo, na esteira da aposta na investigação, inovação e desenvolvimento, tendo como base as potencialidades sociais, económicas e produtivas da região.
Cristóvão Simões disse que todas as unidades orgânicas da Universidade devem estimular os seus quadros para uma maior diferenciação e capacitação académica e profissional. A coordenadora do curso de Engenharia Florestal da Faculdade de Ciências Agrárias, Virgínia Quartim, disse que o mesmo foi patrocinado pela Agência Espanhola para Cooperação e Desenvolvimento Internacional e a sua criação surgiu em 2002, no final de um seminário sobre “gestão do estudo das florestas de Angola como parte integrante da economia do país e das ciências agrárias numa visão globalizada”, no qual se fez um diagnóstico do estado das florestas angolanas depois da guerra. 
 O curso de Engenharia Florestal é ministrado por 19 docentes nacionais e estrangeiros e conta com o apoio do Instituto de Desenvolvimento Florestal, da Faculdade de Ciências Agrárias do Huambo, Agência Espanhola de Cooperação Internacional para o Desenvolvimento e da Escola Técnica Superior de Engenheiros Florestais da Universidade de Córdova de Espanha.   
O professor Abílio Santos Malengue reconheceu a criação do curso de Engenharia Florestal como um ganho para a província e para a região que tem todas as potencialidades para desenvolver a agro-pecuária.  “Com esta formação de nível superior os funcionários públicos vão desempenhar as suas funções nos diferentes postos de trabalho com mais profissionalismo, qualidade e rigor científico”, sublinhou.
A grande dificuldade no curso de Engenharia Florestal foi sempre a insuficiência de docentes para cobrir o elevado número de cadeiras, num total de 70 até à licenciatura, associada à falta de biblioteca, laboratórios, salas específicas, meios de transporte, verbas para a instalação de viveiros florestais e outros equipamentos indispensáveis aos docentes e estudantes. A Universidade José Eduardo dos Santos foi criada em 2009 e cobre as províncias do Huambo, Bié e Moxico.

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