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Huambo foi elevada a Cidade Ecológica

João Constantino |Huambo

A cidade do Huambo está a ser transformada num centro ambiental de excelência. A província dispõe hoje de mais de 230 mil metros quadrados de áreas arborizadas e zonas verdes.  Huambo ganhou o nome de “Cidade da Ecologia”, devido às áreas verdes.
   

O jardim da Cultura com as suas várias áreas de recreação e lazer é um um verdadeiro cartão de visita da cidade
Fotografia: Francisco Lopes

Os padrões ambientais devem motivar a actuação responsável, a gestão dos resíduos, o combate à desertificação e uma boa gestão humana, ambiental, empresarial e comunitária. Esta foi a mensagem deixada pelos técnicos ligados à ecologia, ouvidos pela nossa equipa de reportagem
A cidade do Huambo Cidade está a ser reformada num centro ambiental de excelência. A província dispõe actualmente de mais de 230 mil metros quadrados de áreas arborizadas e zonas verdes.
O esforço do governo da província, que declarou há três anos o Huambo como Cidade da Ecologia, é posto à prova, no tempo seco, para garantir a rega das zonas verdes e jardins espalhados pela cidade.
A concretização do “Programa Água para Todos”, do Governo Central, minimiza a carência de água para as zonas verdes, garantiu Joca Figueiredo, director executivo da empresa Eco-Huambo. As chuvas regulares que caem na província do Huambo durante nove meses ao ano, têm proporcionado a manutenção dos jardins e o crescimento de mais árvores na zonas verdes da cidade.
 Em quase todos os pontos do Huambo há zonas verdes ou jardins. A cidade foi arquitectada para ser ecológica, daí ser a “Cidade Vida”, disse Joca Figueiredo.
A estufa fria do Huambo, que no passado foi local de diversão e recreio, um verdadeiro cartão de visita da cidade, está há longos anos votada ao abandono. O capim e os marginais tomaram conta do local, que durante o dia serve para os estudantes porem as lições em dia, já que o local é tranquilo. De acordo com Joca Figueiredo, a situação vai mudar em breve, quando o projecto de requalificação do espaço for uma realidade.
 Joca Figueiredo, director executivo da empresa Eco-Huambo, programa de gestão ambiental do governo provincial, disse que o projecto ainda não foi aprovado. Mas assim que tenha aprovação arranca logo, com a requalificação da zona da estufa-fria.  “Tanto a estufa como a zona verde do Calombula, localizada na Baixa da cidade, têm projectos de requalificação e logo que haja financiamento, as obras começam”, disse Joca Figueiredo.
 Os esforços do governo para a preservação do ambiente ainda não são satisfatórios, mas são os possíveis, disse Joca Figueiredo. Para ele, o mais importante são os primeiros passos que estão a ser dados nesse sentido.  “Relativamente aos resíduos sólidos, ainda tratamos apenas da recolha propriamente dita, falta ainda o seu aproveitamento”, esclareceu.
  
Falta de meios
 
Na província do Huambo existem vários programas governamentais para a preservação ambiental, e o projecto Eco-Huambo é um dos que se dedica também ao saneamento básico, à preservação das zonas arborizadas e ao aproveitamento de resíduos. O projecto de arborização da província do Huambo está em marcha e fruto disso é a existência de muitas zonas verdes. O governo tem também um programa de arborizar todas as áreas de reserva fundiária.    Os técnicos dizem que é necessário educar a população, para ser possível criar uma cidade verdadeiramente ecológica. “É preciso que as pessoas saibam que não podem colocar o lixo no chão e saibam como reutilizá-lo”.
O director executivo da Eco-Huambo disse que quanto à remoção de lixo, a empresa está com uma produção de 30 por cento, a área de jardinagem tem um crescimento de sete por cento e as varredoras das ruas atingiram níveis de produção situados nos 17 por cento. Reconhece os altos custos para a execução do projecto, mas o que está feito começa a dar os seus frutos e os serviços de saúde constataram que houve uma redução significativa das diarreias. 
  
Educação ambiental
 
Marta Galvão, engenheira de gestão ambiental, diz que o ambiente está relacionado com a qualidade de vida das pessoas e acrescenta que quem cuida do ambiente prolonga a vida.  Marta Galvão é colaboradora da Casa Ecológica do Huambo, uma instituição criada para a preservação, análise e sensibilização ambiental. A educação e sensibilização para a protecção ambiental são fundamentais para a mudança dos comportamentos humanos.
Marta Galvão defende a necessidade de haver mecanismos e instrumentos de gestão do ambiente, sobretudo da terra, que permitam o tratamento e a integração das políticas e programas do Governo tendentes à obtenção de uma economia ecológica.
A engenheira do Ambiente disse que são vários os factores que influenciam a mudança climática, entre estes a poluição ambiental, o abate indiscriminado de árvores, a má gestão do lixo orgânico e industrial e a emissão de gases.
“A educação ecológica é muito necessária para as pessoas, porque tudo passa por termos uma boa educação ambiental. Onde e como tratar o lixo doméstico, onde urinar, estes pequenos detalhes podem ser importantes para a qualidade de vida”, disse a Marta Galvão.
Apesar de não ter recursos, a Casa Ecológica do Huambo e o “Projecto Terra” realizam acções de sensibilização das comunidades. “Por isso estamos a pedir patrocínios para concretizarmos os nossos projectos”, disse Marta Galvão.  

Zonas verdes
 
O responsável da brigada do Instituto de Desenvolvimento Florestal do Huambo, Andrade Moreira, disse à nossa reportagem que as zonas periféricas da cidade do Huambo vão ser requalificadas, com a reposição dos campos devastados.
Andrade Moreira disse que já foram plantadas mais de dez mil árvores na província, para repor os campos devastados, nos perímetros florestais do Sanguengue, Alto Chiumbo, zonas exploradas por empresas privadas e a população para a produção de carvão.
O Instituto de Desenvolvimento Florestal tem aplicado multas às pessoas que praticam actos de desflorestação ilegais. Andrade Moreira pediu maior intervenção e envolvimento de outras instituições da sociedade, para se erradicar definitivamente a exploração anárquica das árvores, uma prática que põe em risco os polígonos florestais.
“O problema é a exploração de carvão no meio rural. A produção começa em pequenas quantidades, até se transformar em negócios que envolvem grandes quantidades para fins comerciais”, disse.
Andrade Moreira afirmou que o Instituto de Desenvolvimento Florestal, o Ministério do Ambiente e o Governo Provincial do Huambo têm desenvolvido actividades de reflorestação das zonas afectadas e palestras de sensibilização sobre a importância da preservação do meio ambiente no seio das comunidades rurais, para diminuir e desencorajar a produção ilegal de carvão e o abate indiscriminado de árvores.
O responsável do Instituto de Desenvolvimento Florestal no Huambo disse que, para este ano, o projecto de reflorestação vai prosseguir em toda a província, ao mesmo tempo que se vai implantar a produção de energia de biomassa, que vai gerar emprego para centenas de jovens.Segundo Andrade Moreira, o que se pretende é criar riqueza sem prejudicar o ambiente.

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