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Huambo quer ser referência médica

António Canepa | Huambo

Até ao ano 2012,
os serviços médicos
 deverão estar mais próximos do cidadão na província do Huambo. A aposta
é do governo local, que pretende fazer
da província uma
potência médica
na região Centro Sul
do país, dentro de quatro anos.

Novas unidades sanitárias na província
Fotografia: Francisco Lopes

Até ao ano 2012,
os serviços médicos
 deverão estar mais próximos do cidadão na província do Huambo. A aposta
é do governo local, que pretende fazer
da província uma
potência médica
na região Centro Sul
do país, dentro de quatro anos.

 
O governo investiu enormes recursos financeiros no sector e, fruto disso, todas as unidades sanitárias, entre hospitais municipais e comunais, estão a sofrer obras de restauro e ampliação, com vista a aumentar as suas capacidades de atendimento.
Com estes investimentos, o governo do Huambo pretende também aumentar e melhorar os serviços sanitários na província, com um atendimento de qualidade em todas as unidades hospitalares, e reduzir a mortalidade nas comunidades.
Na cidade do Huambo foi erguido o hospital municipal, uma unidade de raiz, com capacidade para 75 camas e uma gama variada de serviços, além de consultas externas. A unidade vai oferecer serviços de qualidade e está equipada com aparelhos de tecnologia de ponta, para atender casos que até aqui só eram possíveis no Hospital Central ou em Luanda.
O governo do Huambo pretende, num futuro próximo, diminuir o número de casos e transferência de doentes para a capital do país.
Uma forte aposta foi feita no sector materno-infantil, para reduzir a mortalidade infantil na província.
 Um grupo de especialistas, entre médicos angolanos e estrangeiros, vai estar à frente dos destinos do novo hospital, que vai contar também com serviços de apoio externo e interno.
Um complexo residencial para o pessoal médico e enfermeiros foi erguido ao lado do hospital, para possibilitar uma maior aproximação entre o doente e o pessoal clínico.
Vários moradores dos arredores mostram-se satisfeitos por terem por perto uma unidade daquela dimensão, dizendo que vai facilitar a vida daqueles que antes, para fazer uma consulta, tinham de percorrer longas distâncias, ou gastar mais dinheiro com os táxis.
O director provincial da Saúde, Elias Finde, disse que o Hospital Municipal do Huambo, situado no Cambiote, zona Leste da cidade, vai atender todo o tipo de patologias e doentes de províncias vizinhas.
Está dotado de um bloco operatório, morgue, salas de enfermagem, laboratórios, serviços de pediatria, urologia, ginecologia e obstetrícia, materno-infantil, entre outros, para além dos serviços sociais e de apoio, como a parte administrativa, o que faz desta unidade uma referência a nível da província e não só.
 
Hospital Central

O Hospital Central do Huambo é outra unidade sanitária de referência na província. Funciona com todas as especialidades da área da saúde. Foi totalmente reabilitado e equipado com tecnologia de última geração.
Com capacidade para internar 800 doentes, era o único hospital de referência da província, que atendia pessoas com patologias complicadas residentes no Huambo e em outras províncias, como Huíla, Benguela, Bié, Kuando-Kubango e do Kuanza-Sul. Apesar de não estar a funcionar em pleno, está a atender os serviços da maternidade, pediatria e respectivos bancos de urgência.
O director provincial da saúde do Huambo disse que a abertura das outras áreas está a depender da chegada dos técnicos que vão capacitar os quadros angolanos no manuseamento dos equipamentos instalados no hospital.
“Os nossos hospitais vão funcionar com equipamentos de tecnologia de ponta, então é preciso que os técnicos que vão trabalhar com eles sejam instruídos.
 Neste momento estamos à espera que venham formadores de Luanda para capacitar os nossos técnicos”.
Enquanto isso, as outras áreas continuam a funcionar nas naves e pavilhões anexos ao hospital. É intenção das autoridades governamentais da província transferir o mais rápido possível os doentes e o pessoal que trabalha naquelas naves, tendo em conta a situação de precariedade em que funcionam.
 
Equipamentos modernos

“O governo investiu muito dinheiro no sector da saúde aqui na província. São obras de grande vulto e a população vai ver, daqui a mais uns dias, os benefícios destes investimentos, a província do Huambo estará em condições de prestar serviço sanitário igual ao que se presta em Luanda e em qualquer parte do mundo”, disse o director provincial da Saúde, Elias Finde.
A ampliação da rede sanitária do Huambo não se resume ao Hospital Central e municipal. Todos os hospitais municipais estão também a ser reabilitados, ampliados e apetrechados com equipamentos de última geração. A intenção do governo é fazer de cada unidade municipal um hospital de referência, capaz de atender qualquer doente e qualquer patologia.
O projecto do governo da província do Huambo prevê a instalação de um bloco operatório e serviços de atendimento materno-infantil em todos os hospitais municipais, para além de outras especialidades que possam acudir as diferentes patologias, a nível local.
O hospital municipal da Caála é outro cujas obras se encontram em estado avançado e que, de acordo com o seu director, o doutor Fernando Vicente Ferreira, até Dezembro deve ser entregue. Trata-se de um hospital com características próprias, tendo em conta a sua localização geográfica. Segundo o director daquele hospital, uma vez concluído vai atender doentes dos demais municípios, como Ekunha, Ukuma, Tchindjendje e outras localidades da vizinha província da Huíla.
Será também uma unidade sanitária de referência com a vantagem de que poderá atender casos que poderiam ser transferidos para a cidade do Huambo.
Daí que, segundo Vicente Ferreira, há a necessidade de se estabelecerem aí todos os serviços e especialidades.
“Antes, por qualquer situação, os doentes eram levados para a cidade capital da província. O que pretendemos é que o hospital seja capaz de atender todos os casos que se apresentem”, realçou.
Actualmente quase todos os casos graves são atendidos no hospital central, o que muitas das vezes cria transtornos, sobretudo porque a maioria dos pacientes vive nas zonas distantes dos centros urbanos.
Neste momento, o hospital da Caála funciona com um médico angolano e cinco cubanos. Mas o director do hospital assegura que após a conclusão deverá funcionar com mais médicos e enfermeiros.
Atenção especial será dada à jovem mãe e à criança, ao diagnóstico patológico, estomatologia, ginecologia e obstetrícia, laboratório de análises clínicas, radiologia e outros serviços de apoio, para garantir um atendimento de qualidade e facilitar a vida das populações locais.
O hospital da Caála tem actualmente capacidade para internar 107 doentes. A ideia é aumentar para 157 e enquadrar mais técnicos de saúde, já que actualmente funciona maioritariamente com técnicos básicos. O programa do governo para os próximos quatro anos contempla também a formação massiva de técnicos de saúde, em todos os níveis.
O hospital da Caála, para além do do Huambo, poderá exercer também actividades de docência, para a formação de quadros no ramo, entre enfermeiros, técnicos de laboratórios, RX e outros.
 
Sanatório

O hospital Sanatório está também a ser reabilitado. Nas suas instalações funciona a Faculdade de Medicina do Huambo. A sua ampliação vai permitir a entrada de mais estudantes nos cursos de medicina.
Pacientes e acompanhantes interpelados pela reportagem do Jornal de Angola foram unânimes em afirmar que o atendimento melhorou. Os pacientes têm sido bem atendidos e acreditam que, com a ampliação do hospital, o atendimento vai continuar a melhorar.
Maria Cassinda foi encontrada com a sua criança na área da pediatria e até à hora que foi abordada pela nossa reportagem já tinha sido atendida, sem terem passado muitas horas.
“Estou satisfeita com o atendimento aqui, principalmente nestes últimos tempos. Acho que poderá ser ainda melhor quando se concluírem as obras em curso”, disse satisfeita.

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