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Jovens procuram as escolas de condução

Estácio Camassete e Marcelino Dumbo| Huambo

Os jovens procuram as escolas de condução na cidade do Huambo para tirarem a carta de condução profissional que os habilita a empregos nos transportes públicos e na camionagem.

Os níveis de sinistralidade no Huambo não são alarmantes mas há necessidade das escolas prepararem melhor os futuros condutores
Fotografia: Estácio Camassete| Huambo

Os jovens procuram as escolas de condução na cidade do Huambo para tirarem a carta de condução profissional que os habilita a empregos nos transportes públicos e na camionagem. Alguns já conduzem táxis, mas o controlo cada vez mais apertado dos agentes da Polícia de Trânsito obriga-os a serem condutores profissionais.
O serviço de táxis é das saídas profissionais mais procuradas pelos jovens, mas muitos conduzem sem a carta profissional, sendo obrigados a circular por ruas e vielas pouco frequentadas pelos agentes da Polícia de Trânsito. 
O Huambo tem 15 escolas de condução e todas registam um elevado número de alunos. As 15 escolas são privadas e estão distribuídas pelos municípios do Huambo, Caála, Bailundo, Katchiungo e Ukuma. A mais antiga está situada na cidade do Huambo, é a escola Adelje, que já foi São Cristóvão, o santo dos motoristas. De acordo com o seu director, Adelino Escrivão, depois da independência, em 1982, foi privatizada. Mesmo com poucos meios, a escola Adelje é uma referência na formação e actualização dos condutores.
A escola tem duas salas, uma para as aulas teóricas do Código de Estrada e outra para a mecânica, sete instrutores, dois automóveis pesados e cinco ligeiros.
Segundo Adelino Escrivão, no ano passado 150 alunos foram aprovados nos exames e conseguiram obter a carta de condução. Este ano, o número está a subir, visto que a média do primeiro semestre já se aproxima do número total de todo o ano passado.

Escola Tropical

A escola de condução Tropical foi fundada em Junho deste ano e está localizada no bairro de São Pedro. Tem cinco veículos automóveis ligeiros e um pesado. É a única escola do Huambo que garante carta de condução para serviços públicos e a instrução é feita em dois autocarros.
A escola de condução mais nova da província dispõe também de um autocarro para o transporte dos instruendos durante o tempo das chuvas. A escola tem uma sala para aulas teóricas, com recurso ao sistema audiovisual, e outra para mecânica.
Paulo Alexandre Silva, director da escola Tropical, está satisfeito com a adesão dos alunos, apesar da escola ser nova. Afirmou que a Tropical é uma das escolas que regista maior número de matrículas, com uma média de 30 inscrições por mês. Até ao momento já tem mais de 100 alunos matriculados. A escola tem em carteira o projecto de expansão para a província do Bié.
O estudante Deus Dado diz que o seu interesse em entrar na escola Tropical teve muito a ver com o facto de ser nova e possuir meios modernos."Até à data, esta é a única escola que tem o serviço de averbamento de transportes públicos e os pagamentos podem ser feitos a prestações", disse Deus Dado.
Carlos Sikalote, instruendo da escola Tropical, assegurou que "a instrução é de bastante qualidade".

Carros novos

A escola de condução Fórmula 1 foi fundada a 20 de Janeiro de 2005. Tem nove instrutores para veículos ligeiros e dois de pesados.  Em declarações ao Jornal de Angola, Nelson Timóteo, director técnico da escola, disse que a maior preocupação, para além de formar e actualizar os condutores, é contribuir para a diminuição da sinistralidade rodoviária.
Diariamente são administradas aulas de Código de Estrada e mecânica. Depois de um mês de aulas teóricas, os alunos passam para a condução na via pública.
A escola lança anualmente para o mercado mais de 700 novos condutores. Neste momento, 200 instruendos frequentam as aulas. Nelson Timóteo diz que o nível de aproveitamento dos candidatos é muito bom.
Desde o segundo semestre deste ano a instituição conta com uma nova frota de quatro carros ligeiros. Num futuro próximo, a escola vai ministrar aulas simuladas, para que os alunos se familiarizem facilmente com a condução. 
António Ngombakasi, instrutor há mais de três anos, diz que gosta do seu trabalho, uma vez que está a contribuir para a diminuição da sinistralidade: "estamos a colaborar com os instruendos, para que desde o momento que têm a carta de condução possam garantir segurança na circulação rodoviária", afirmou.

Instrutores qualificados

José Xavier, director da escola Auto Viação, disse ao Jornal de Angola que, desde a sua fundação, a instituição tem formado condutores no quadro das exigências legais: "possuímos meios de qualidade para transmitir os conhecimentos necessários aos futuros condutores".
A escola tem 12 instrutores e funciona com dez automóveis de instrução ligeiros e três pesados. "As escolas de condução são os locais indicados para a educação e preparação dos futuros condutores", sublinhou José Xavier, acrescentando que os instrutores da escola participaram, este ano, num curso de superação e actualização.

Associação de escolas 

Há dois anos foi criada a Associação Provincial das Escolas de Condução do Huambo para representar o sector junto do executivo local, fiscalizar as suas actividades e avaliar os serviços que presta no dia-a-dia. O fim último da associação é proporcionar maior qualidade aos condutores formados.
A associação, segundo José Xavier, seu coordenador, prima pela qualidade dos condutores, pela redução da sinistralidade rodoviária, que nos últimos tempos tem sido elevada, e pela uniformização, em toda a província, dos preços praticados pelas escolas de condução. 
A associação representa 15 escolas de condução da província, sendo dez na cidade capital e cinco nos municípios da Caála, Bailundo, Katchiungo e Ukuma.

Profissionalização

O delegado do Ministério do Interior, subcomissário António de Jesus Miranda Guedes, defendeu a profissionalização dos instrutores das escolas de condução privadas, para melhor transmitirem os conteúdos do novo Código de Estrada aos seus clientes.Miranda Guedes afirmou que já estão profissionalizados vários mestres, que têm contribuído, nas escolas, para a formação dos futuros condutores.
O delegado do Ministério do Interior e comandante provincial da Polícia Nacional no Huambo afirmou que cada vez mais jovens, por má preparação, desobedecem ao Código de Estrada, fazendo manobras perigosas, que em algumas ocasiões já causaram acidentes e até mortes de cidadãos.
O subcomissário Miranda Guedes referiu que os níveis de sinistralidade na província do Huambo não são alarmantes, mas reafirmou a necessidade de profissionalizar todos os instrutores, para que os instruendos possam sair das escolas bem preparados.
Miranda Guedes apontou a ausência de sinais luminosos em algumas vias da cidade do Huambo, o abuso de bebidas alcoólicas e a desobediência às regras de trânsito, como as principais causas de acidentes: "há muitos acidentes provocados por motoristas com dificuldades de visão, sobretudo nas horas nocturnas", esclareceu.

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