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Lar de crianças abandonadas enfrenta dificuldades

Victória Quintas | Huambo

A Organização Não Governamental Okutiuka (Regresso), na província do Huambo, enfrenta várias dificuldades para continuar a prestar apoio às 62 crianças, órfãs de guerra e abandonadas por familiares, concentradas no centro de acolhimento, devido à ausência de apoios.

Infra-estruturas da instituição de acolhimento de menores órfãos e abandonados precisam urgentemente de obras de recuperação
Fotografia: Victorino Quintas|Huambo

Sónia Ferreira, responsável da instituição, disse que as ajudas permanentes ao projecto Okulissanga (Reencontro), para garantir alimentação, educação, formação técnico-profissional, saúde, desporto e actividades culturais, cessaram há mais de três anos, dependendo agora de pequenos amparos de empresários angolanos e amigos.
O programa de ajudas abrange há vários anos crianças e jovens em situação de risco, que crescem na instituição em regime de internato, até encontrarem emprego fixo e reintegração social.
O projecto existe desde 1997 e a ONG dependia de ajudas da Organização das Nações Unidas e de outras instituições não governamentais internacionais, de embaixadas em Angola, com destaque para a francesa, britânica e espanhola, além da petrolífera Total Angola.
As instalações, na antiga fábrica de lacticínios, no bairro do Comércio, encontram-se em estado de degradação total. A empresa Casinos de Angola, que apoia a ONG há três meses, garantiu a reabilitação das infra-estruturas.
A responsável da área social da empresa Casinos de Angola, Dagmara Monteiro, disse que a empresa apoia o projecto com bens diversos para proporcionar aos meninos melhores condições de vida.
O apoio consubstancia-se na entrega quinzenal de alimentos diversos e de 60 mil kwanzas mensais. A empresa assinou também acordo com uma farmácia, para fornecimento de medicamentos.
A empresa Casinos de Angola vai proporcionar, no dia 6 de Dezembro, uma festa de Natal às crianças e jovens do centro, com actividades músico-culturais e entrega de presentes.

Estudar com vontade

A ONG Okutiuka está igualmente a implementar o projecto Okutanga lo ndjongole (Estudar com vontade). Este programa visa melhorar o desempenho escolar de alunos do ensino primário, sobretudo da segunda e terceira classe.
O projecto contém quatro vertentes, foi criado o ano passado e termina em Dezembro deste ano, disse Sónia Ferreira, acrescentando que o primeiro aspecto tem a ver com o reforço das aulas para alunos de cinco escolas primárias da cidade do Huambo que tenham notas abaixo de sete valores.
As aulas de reforço incidem nas disciplinas de Matemática, Língua Portuguesa e Geografia, que são fundamentais para uma boa preparação nos outros níveis académicos.
A instituição conta com o envolvimento dos encarregados de educação, que são incentivados a participar mais na vida estudantil dos seus educandos e nas actividades desenvolvidas pelas escolas, para que haja maior interacção entre a comunidade e a escola.

Outras vertentes

O sistema passa igualmente pela capacidade de comunicação e de ensino do próprio professor, que em cada semestre é avaliado por uma equipa do Instituto Superior de Ciências da Educação do Huambo (ISCED).
Esta equipa anota as debilidades apresentadas pelo docente, para no final de cada trimestre poderem superar com ele essa dificuldade e melhorar o processo de ensino e de aprendizagem.
A sensibilização para o direito à educação é outra vertente do projecto, que visa informar o cidadão sobre os direitos que o protegem, com destaque para o direito à educação primária, ao ensino gratuito, à isenção de pagamento de algumas propinas e indicar as instituições onde devem recorrer caso haja alguma violação desses direitos. Este trabalho é feito pela Okutiuka em conjunto com a Direcção local da Educação, para melhorar os programas escolares, a aplicação dos orçamentos do sector nas escolas, organizando actividades interactivas entre os encarregados, professores, direcções das escolas e alunos.
O projecto permitiu recuperar as notas de 125 crianças, 25 de cada uma das cinco escolas primárias seleccionadas. O projecto conta com o apoio da USAID, que cessa igualmente as ajudas em Dezembro, por alegar cortes nos orçamentos para os projectos financiados em Angola.

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