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Ligação à Caála e Huambo promove desenvolvimento

João Constantino|Huambo

O município da Ecunha, antiga Vila Flor, 30 quilómetros a Leste da cidade do Huambo e a dez do município da Caála renasce das cinzas. Nos anos de paz já muito foi feito

Estradas são asfaltadas quando terminarem as chuvas
Fotografia: Rogério Tuti

O município da Ecunha, antiga Vila Flor, 30 quilómetros a Leste da cidade do Huambo e a dez do município da Caála renasce das cinzas. Nos anos de paz já muito foi feito. Mas ainda há muito caminho por fazer. Os dez quilómetros da estrada até à Caála são a maior dor de cabeça das autoridades provinciais.

A estrada, na época colonial, era de terra batida. Já nesse tempo, quem queria comprar a excelente batata da Ecunha tinha de contar com uma hora de viagem aos solavancos na estrada que liga à Caála. Hoje a situação piorou, até porque segundo dizem os mais velhos, chove mais do que antigamente. As ravinas ameaçam cortar a estrada a qualquer momento e há ocasiões em que o trânsito é cortado até que as brigadas de intervenção reparem a via.
O administrador da Ecunha, Agostinho Kalick, reconhece que o estado das estradas no município afecta o desenvolvimento porque o escoamento de produtos é lento e enquanto as vias não forem reabilitadas, os investimentos escasseiam. “As dificuldades de circulação de pessoas e mercadorias desincentiva o comércio e, por reflexo, a produção agrícola. Os investidores não fazem investimentos onde não existem estradas e há dificuldades de transporte”, disse.
Agostinho Kalick está optimista e anunciou que a reabilitação da estrada começa quando acabar a época das chuvas. As obras são da responsabilidade do Executivo: “a estrada para a Caála vai ser asfaltada e as pontes e pontões reabilitados. Esta via vai fazer a ligação da Ecunha ao Lomduimbale e posteriormente ao município do Ukuma”.
Nos anos de paz, foi construída uma escola do primeiro ciclo, o centro hospitalar foi reabilitado e modernizado, foi construído um condomínio com dez casas para técnicos e as instalações da nova sede da Administração Municipal.
“Outras obras estão em curso, como a ampliação do Hospital Municipal, a reabilitação do Centro Materno Infantil, a reabilitação do sistema de abastecimento de água e o sector de energia”, afirmou o administrador Agostinho Kalick.
A falta de serviços bancários na Ecunha é uma preocupação para os funcionários públicos, que para receberem os seus ordenados têm de se deslocar ao município da Caála ou à cidade do Huambo. Isso origina a paragem de alguns serviços nas vésperas de pagamento dos salários.

Educação e Saúde registam melhoras

A distribuição de mosquiteiros e a realização regular de campanhas de vacinação são um grande ganho no sector da saúde no município. O chefe de enfermagem do Centro Hospitalar da Ecunha, João Satonga, garantiu que os casos de paludismo desceram muito graças às campanhas de sensibilização.
As campanhas de vacinação também salvam muitas crianças de doenças: “apesar de todos os cuidados que temos com as crianças, no ano passado registámos dois casos de poliomielite. Felizmente este ano não há casos. A cólera também está controlada visto que não temos nenhum caso desde o ano passado”.
O Hospital Municipal da Ecunha tem capacidade para internar 42 doentes e oferece serviços de enfermaria, consultas externas, laboratórios, Raios-X, pediatria, pós-parto e ginecologia. O Centro Materno Infantil está a receber obras de ampliação e reabilitação.
Na educação, 25.500 alunos estão matriculados este ano lectivo no ensino primário e secundário. Apesar do número de salas ser reduzido para tantos alunos, a solução tem sido ensinar nas capelas, comités de acção e debaixo de árvores. O município tem 56 escolas mas somente quatro são de construção definitiva. O sector da Educação tem 1.330 professores, número que é reforçado ainda este ano.
“Precisamos de mais 100 professores para o ensino primário, uma falta que vai ser suprimida com a abertura de um concurso público. Não temos registado casos de fuga de quadros no nosso sector, visto que existem condições de trabalho e alojamento para os professores no município”, disse Isaías Félix, chefe da repartição da Educação, Ciência e Tecnologia 

"Agua para Todos" cobre a população

O Programa Água para Todos vai beneficiar, ainda este ano, todos os consumidores da sede do município da Ecunha. A informação foi divulgada pelo chefe de Repartição de Energia e Águas, Eduardo Sassenda. Estão a decorrer obras de reabilitação total da tubagem, depois da reparação do tanque de 50 mil litros. “Estamos a colocar nova tubagem em todas as áreas, devido às obras de reabilitação nas ruas do município, por isso o sistema de abastecimento de água está paralisado. De momento existem manivelas e cacimbas que estão a fornecer água à população”, disse Eduardo Sassenda.
No sector da energia há algumas dificuldades, já que o grupo gerador não tem capacidade para distribuir luz a todas as habitações, daí a limitação no fornecimento de energia que se verifica apenas entre as 18 e as 23 horas nos bairros da Ecunha”, afirmou. Para melhorar a situação está em vista a construção de uma mini-hídrica no rio Cuito, na comuna do Chipeio: “o projecto é da Direcção Provincial do Huambo e vai colmatar as dificuldades no sector da energia”.
O sector social da administração apoia 4.333 pessoas carenciadas, entre órfãos, idosos, mutilados de guerra e deficientes físicos civis. A Administração Municipal também dá apoio permanente a antigos combatentes. Deste número, apenas 130 são beneficiários do Fundo de Pensões. O chefe de repartição dos Assuntos Sociais, Salomão Camalaty, afirmou que o Executivo tem dado ajudas em ferramentas profissionais e instrumentos agrícolas.  

Historial da Ecunha

Localizado a 30 quilómetros da cidade do Huambo, o município já se chamou Ecunha Mbambi. Ecunha é um arbusto que produz um fruto silvestre. Ombambi significa cabras do mato que naquela altura abundavam na região.
Na era colonial passou a designar-se Vila Flor e das suas terras saía a melhor batata de Angola. Ocupa uma superfície de 1.677 quilómetros quadrados e as suas terras têm especiais aptidões agrícolas. A Norte, o município é limitado pelo Lombuimbale, a Oeste pelo Ukuma e Longonjo.
A principal cultura da região é a batata. Produz ainda feijão, milho, cebola, repolho, couve e outros produtos hortícolas em grandes quantidades. A pecuária é outra actividade predominante no município.
O território é montanhoso e nas suas montanhas nascem numerosos riachos que alimentam as duas principais bacias que drenam para o rio Cuvo. O rio Cunhangamua é afluente do rio Cunene. O rio Cuito atravessa parte da comuna do Chipeio e no seu leito existe o Centro Turístico Ilha do Amores, um paraíso hoje abandonado, mas que apesar do abandono recebe anualmente milhares de turistas.

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