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Literacia financeira entra no currículo escolar

Azevedo Faria| Huambo

A literacia financeira entra, a partir do próximo ano, no currículo do sistema de ensino a nível da província do Huambo, com o objectivo de identificar os principais avanços, dificuldades e os factores associados à inserção de conteúdos e formação de agentes escolares.

Fotografia: Arimateia Baptista | Edições Novembro

O chefe de departamento da Educação do Huambo, João Tomás Guli, explicou que o programa está a envolver professores, directores e inspectores escolares, para o alargamento do programa e a sua preparação no país.
João Guli explicou que esta é uma das conclusões saídas ontem do seminário metodológico sobre a inserção dos conteúdos de literacia financeira no sistema de ensino, promovido pelo Ministério da Educação a nível do Huambo, com o objectivo de melhorar, nos próximos anos, a qualidade de ensino.
O chefe de departamento da Educação disse que a qualidade da educação se configura hoje como uma política de Estado, daí a necessidade do envolvimento de todas as forças vivas da província, no sentido de concretizar-se tal projecto para se alcançar os resultados preconizados pelo Executivo.
“O crescimento e o desenvolvimento de uma sociedade dependem também de se educar financeiramente os cidadãos, ensiná-los a controlar os seus recursos e respeitar o seu orçamento e instruir sobre como administrar os seus bens”, referiu o responsável.
João Guli disse que, com a entrada desses novos conteúdos no I e II ciclos de ensino, há uma maior possibilidade de desenvolver-se competências essenciais ao aluno, concorrendo, desta forma, para o enriquecimento do seu perfil de saída e responder aos desafios das sociedades actuais, que estão sempre em constantes transformações.
O chefe de departamento salientou que a educação financeira promove uma mudança de comportamento e de velhos hábitos em relação ao uso do dinheiro. Por isso, defendeu a necessidade de saber-se lidar com os valores monetários, uma forma indispensável para o bem-estar de cada pessoa.
Referiu ainda que a educação financeira possibilita que se consuma com inteligência e sem exageros, ensina a programar despesas e a investir adequadamente, basta que se tenha rendimento, independentemente da classe social.
A técnica do Instituto de Investigação e Desenvolvimento de Educação (INIDE) e coordenadora nacional da iniciativa, Isabel Epalanga, disse que o projecto já vai no seu terceiro ano, depois de ser lançado o projecto-piloto na província de Benguela, com a presença de cinco coordenadores das regiões norte, sul e leste, assim como de todos os coordenadores de disciplinas do país.
A responsável avançou que o projecto, que conta com a parceria do Banco Nacional de Angola (BNA), visa ensinar os alunos a saberem gerir o seu próprio dinheiro, poupar e saber viver bem com o pouco que têm.
Desde a implementação, que já se encontra na segunda fase, o projecto foi apresentado nas províncias do Zaire, Bengo, Uíge, Cuanza Sul, Benguela, Huíla, Cunene, Namibe e no Huambo, faltando apenas a sua avaliação e o seu impacto a nível dos municípios.
No âmbito do processo da sua generalização, foram realizadas, em 2016, várias formações locais a nível das províncias com novos professores, inspectores e coordenadores de disciplina e está também prevista a recolha de informações sobre a ampliação e o alargamento do programa a todas as escolas do ensino secundário do país.
Em representação do BNA, a técnica do departamento de educação financeira, Creusa Branca Teca, considerou que o acesso a novas experiências e os resultados da investigação orientam que é fundamental que as ecolas tenham esse recurso para os alunos.

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