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Mais transportes aliviam citadinos

Estâncio Camassete | Huambo

A deslocação de pessoas e bens deixou de ser um problema para os habitantes da província do Huambo, devido à melhoria dos serviços e expansão das rotas dos transportes públicos para os municípios e respectivas comunas. A entrada de mais operadoras no mercado tornaram possível uma cobertura de todas as localidades.

A deslocação de pessoas e bens deixou de ser um problema para os habitantes do Huambo com a melhoria dos transportes públicos
Fotografia: Estâncio Camassete

A deslocação de pessoas e bens deixou de ser um problema para os habitantes da província do Huambo, fruto da melhoria da prestação de serviços e expansão das rotas dos transportes públicos para os municípios e respectivas comunas.
Com apoio do governo provincial, a prestação de serviços das transportadoras privadas melhorou substancialmente e, sobretudo, devido à entrada de mais operadoras no mercado, que tornaram possível uma cobertura de todas as localidades, até mesmo as mais distantes.
Nesta altura, a província conta com quatro operadoras, divididas por troços específicos, designadamente a Sagilda, Rodas em Serviço, Bacatral e AZN.
A operadora Sagilda circula pelos municípios de Tchikala-Tcholohanga, Katchiungo e suas respectivas comunas, e nas localidades da Catata e Cuima, no município da Caála.
A empresa Rodas em Serviço opera no Bailundo e Mungo, enquanto a Baçatral e AZN transportam pessoas na cidade do Huambo, nos municípios da Caála, Longondjo, Ukuma e Tchindjendje e Londuimbali.
Criada há mais de um ano, a transportadora Sagilda faz também rotas interprovinciais, com destino para Luanda, Benguela, Bié e Menongue. A empresa tem um suporte de 20 autocarros e emprega mais de 60 trabalhadores, entre motoristas, cobradores, mecânicos, electricistas e bate-chapas.
O director desta empresa, Avelino Rufino, disse que os serviços da Sagilda têm muita adesão, principalmente de funcionários públicos e alunos, cujos postos de trabalho e escolas se localizam fora da cidade e em outros municípios, assim como pelos preços acessíveis a todos.
“Existe muita gente que prefere viajar de autocarro, por oferecer mais vantagens, em termos de gastos”, salientou o responsável da operadora.
A tarifa intermunicipal está estipulada em 250 kwanzas, isto é, a passagem do Huambo para o Katchiungo, enquanto para o sector do Ngove e zonas da Catata são cobrados 300 kwanzas, referiu Avelino Rufino.
O director da Sagilda frisou que o único problema que as operadoras atravessam é a forma como as pessoas usam estes serviços. Muitos querem transportar todo o tipo de mercadorias, o que, segundo ele, é contra as normas estabelecidas por estas empresas.
Avelino Rufino disse que a Sagilda transporta, em média, mais de duas mil pessoas diariamente, principalmente de segunda a sexta-feira, dias considerados os mais agitados pelas operadoras.

Rodas em Serviço

Há mais de um ano no mercado, a empresa “Rodas em Serviço” possui 15 autocarros e emprega mais de 40 trabalhadores, fazendo a cobertura da zona Norte da província do Huambo.
Esta operadora, segundo o seu director Paulo Teixeira, escolheu esta zona por ser uma das que têm densidade populacional considerável, sobretudo de camponeses que precisam de se deslocar e escoar os seus produtos para o interior da cidade.
Em média, a operadora facilita a vida de mais de 200 pessoas/dia, por uma tarifa que vai de 50 a 300 kwanzas para os autocarros intermunicipais e dois mil a 5.500 nas rotas interprovinciais, como Huambo/Menongue e Huambo/Luanda, respectivamente.
Paulo Teixeira agradece o apoio do governo local pelo contributo que deu para que todas as empresas estivessem equipadas com meios de circulação, facilitando o trabalho das operadoras e das populações. Apesar dos responsáveis da empresa Bacatral não ­terem prestado qualquer declaração à equipa de reportagem deste diário, pode-se constatar que os serviços que a operadora presta são de alguma qualidade.
Os autocarros da empresa cobrem a maioria das rotas urbanas da cidade do Huambo e os municípios que ficam na rota de Benguela, passando pela via Cubal.
Ernestina Hossi, vive no município da Caála e anda sempre nos autocarros da Bacatral, estando preocupada com a subida dos preços. Antes, explica, pagava 50 kwanzas, e agora, por uma viagem, tem de desembolsar 70. Ainda assim, reconhece que, em relação aos taxistas, os autocarros estão um pouco mais baratos.

Táxis resistem nas vias

Apesar da entrada em circulação de vários autocarros públicos nas principais rotas da província, os taxistas, vulgo candongueiros, continuam o seu trabalho, cobrando 100 kwanzas por corrida.
Para o empresário Ernesto Yambayamba, dono de 31 viaturas que prestam serviço de táxi, o trabalho dos candongueiros deve continuar a ser tido em conta, visto também prestarem um serviço de utilidade pública.
Segundo ele, a actividade que exerce movimenta, em média, mais de 500 pessoas e bens, e deu emprego a mais de 70 pessoas, ­entre motoristas, cobradores e mecânicos. O empresário, que começou a actividade em 2007, garante que a vida de taxista jamais foi fácil, porque além de suportar muitas pessoas mal comportadas, existem muitos riscos.
Como conselho, o ex-fazendeiro é da opinião que antes de um condutor receber uma viatura, deve ser avaliado, uma vez que os táxis são particulares, mas o trabalho que exercem são para o bem público, sendo por isso necessário preservar os bens e as pessoas que transportam.

Associação de taxistas  

A Associação dos Taxistas do Huambo foi criada no ano passado, com o objectivo de congregar e controlar a actividade de táxi a nível da província do Huambo, numa parceria com as autoridades governamentais, disse Ernesto Yambayamba, o seu presidente.
Neste momento, os responsáveis da associação estão a envidar esforços para remodelar a actividade, de modo a que ela seja mais atractiva e activa na prestação do serviço às populações.
A associação espera pela criação de um escritório para facilitar a conclusão do processo de inscrições dos associados e possibilitar que todos aqueles que pretendam exercer a actividade sejam legalizados pelas estruturas competentes da província.
O responsável pede aos colegas para se legalizarem, assim como apela a que se abstenham de ­consumir bebidas alcoólicas e ­outro tipo de drogas durante o exercício da actividade, para que se evitem desgraças.

Kupapatas entram na corrida

Diariamente, é normal verem-se motorizadas a levar pessoas para várias partes da província. São os conhecidos kupapatas que, tal como os autocarros públicos e candongueiros, se alinharam no serviço de transporte.
Artur José exerce este serviço há mais de cinco anos e considera a sua motorizada como sendo a sua empresa, por dela depender o seu pão de cada dia.
Diariamente, o homem da motorizada pode transportar mais de 30 pessoas, quando as localidades em que opera registam grandes movimentações, cobrando 100 kwanzas por viagem.
Por deixar o passageiro onde ele quiser, Artur afirma que muitas pessoas preferem andar de kupapata. “Nós temos sempre clientes porque o táxi não escala todos os bairros da cidade do Huambo, por vários motivos, enquanto as motorizadas chegam onde os passageiros quiserem”, gaba-se.
O tempo é outro factor de vantagem para os serviços motorizados, pois, como afirma Carlos Katombela, os kupapatas têm sempre clientes, porque demoram menos tempo na estrada do que os outros transportes, principalmente nas vias da província do Huambo onde há engarrafamentos.

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