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Material de construção civil cada vez mais caro

Tatiana Marta |Huambo

Construir casa própria ainda é, para muitos, um sonho difícil de realizar no Huambo. O material está cada vez mais caro e os preços não estão ao alcance de todos. Com a subida exorbitante das rendas de casa, são muitas as pessoas que procuram construir moradias próprias, o que nem sempre é possível por falta de recursos.

No Huambo está cada vez mais difícil concretizar o sonho de ter casa própria porque o material de construção está muito caro
Fotografia: Santos Pedro

Construir casa própria ainda é, para muitos, um sonho difícil de realizar no Huambo. O material está cada vez mais caro e os preços não estão ao alcance de todos. Com a subida exorbitante das rendas de casa, são muitas as pessoas que procuram construir moradias próprias, o que nem sempre é possível por falta de recursos.
Não está fácil, para uma pessoa sem emprego ou que trabalha informalmente, alugar uma casa na cidade do Huambo ou até mesmo nos bairros periféricos, onde uma casa com um quarto e uma sala, por exemplo, é arrendada a cinco mil kwanzas por mês. Na cidade, um apartamento de dois quartos, uma sala, cozinha e quarto de banho pode custar o equivalente a 600 dólares americanos por mês, com a agravante de que o interessado tem de pagar, no mínimo, seis meses adiantados.
Daí que a maioria das famílias optem por erguer a sua própria casa, muitas vezes sem pensar na localização, porque o mais importante é conseguir espaço para construir e safar-se das residências dos senhorios.
Mais difícil ainda se torna quando o espaço é adquirido por pessoas singulares que, contra todas as normas estabelecidas pela lei, comercializam os terrenos a preços altíssimos. E os localizados nos arredores da cidade também não estão ao alcance de qualquer um. Mas as necessidades são tão grandes, que às vezes deixam as pessoas sem opção.
 
A realidade dos preços

Um terreno de 25 por 15 metros, por exemplo, está a ser vendido a pouco mais de duzentos mil kwanzas, mais a parte dos famosos intermediários, que exigem comissões aos clientes.
Uma carrada de areia de 14 metros cúbicos, adquirida a singulares, já que quase não existe pelas vias legais, é conseguida a 22 mil kwanzas, incluindo os custos de transporte. Nos principais mercados e lojas, o cimento tem sido o material mais procurado, assim como as chapas de zinco ou mesmo de lozalite, mas cuja aquisição não tem sido fácil, devido aos preços.
Um saco de cimento de 50 kg custa entre 1.300 e 1.350 kwanzas. Um balde de tinta, que anteriormente era comercializado a dois mil, passou a custar entre três e 3.500 kwanzas. Uma caixa de ladrilhos está estipulada no valor de três mil kwanzas contra 2.500 anteriores.
Cimento cola, 900 kwanzas, chapas de lozalite a 2.850 kwanzas a folha, enquanto um quilo de pregos está a custar 350 kwanzas e as cantoneiras, independentemente do tipo, entre 2.100 e 2.800 kwanzas.                  
No mercado paralelo os preços não diferem muito, mas ainda assim a maioria das pessoas prefere comprar lá, considerando que aí os preços podem ser discutidos.
Só os proprietários de empresas procuram as lojas para comprar material de construção. Os comerciantes, por seu turno, reconhecem que os preços que praticam não estão ao alcance de todos, mas alegam que dependem também dos preços dos fretes de transporte, que são elevados.
          
População reclama

Ezequiel Rodrigues, proprietário de uma das lojas da especialidade, disse que ainda encontra alguma dificuldade na aquisição do material de construção para vender, devido aos elevados preços dos fretes a partir de Luanda ou do estrangeiro. “Muito material é adquirido ao estrangeiro ou em Luanda e os custos do transporte não são baixos, por isso é que os materiais de construção custam caro”.
Osvaldo Domingo, gerente de uma outra loja, disse que o material de construção que comercializa vem de Luanda e aquilo que os clientes mais procuram na sua loja é o mosaico, cimento cola, tinta, chapas de lozalite e ferros para a colocação das mesmas. Mais de cem clientes são atendidos diariamente na sua loja e, segundo conta, quase todos têm reclamado a subida constante dos preços.
José Camota queria comprar ferros, mas desistiu por causa dos preços. “Estão muito caros. Vou ver se os consigo no mercado da Alemanha”, disse, ao mesmo tempo que Mateus Sapalo e Abel João resmungavam ao verem os preços estampados nas latas de tinta de vinte litros.
“A única fonte de receita para um cidadão comum é o salário. Se não for compatível fica muito difícil alugar uma casa e muito mais comprar material de construção”, disse Francisco Albino, que em companhia da sua esposa pretendiam comprar algumas chapas de zinco.
Francisco Neto, arquitecto e especialista em urbanismo e construção civil, disse que o mercado vai ficar mais competitivo à medida que surgirem indústrias de material de construção na província. “Os preços de alguns produtos e materiais de construção só poderá baixar caso haja mais fábricas. Por enquanto é mesmo difícil”, salientou. Segundo o arquitecto, existem no Huambo mais projectos de fábricas de tijolos, no município da Tchicala-Tcholohanga, além da comuna da Tchipipa, que vão dar um bom impulso no mercado.
A província não tem qualquer indústria de material de construção e, enquanto isso, o material que se consegue vem de fora, daí que muitos comerciantes justifiquem os preços que praticam.
O material mais difícil de encontrar no Huambo é o relacionado com os acabamentos das obras. Os pavimentos e os tectos falsos são os mais caros.

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