Províncias

Missão Católica do Janju precisa de recuperação

Adolfo Mundombe | Luvemba

A Missão Católica do Janju, localizado na comuna de Luvemba, município do Bailundo, precisa urgentemente de reestruturar e reabilitar o antigo centro de saúde, com seis quartos e três enfermarias, para internamento de pacientes e alargamento dos serviços sanitários.

A Missão Católica do Janju foi fundada em 1929 pelo padre Fertlim
Fotografia: Adolfo Mundombe | Huambo

A Missão Católica do Janju, localizado na comuna de Luvemba, município do Bailundo, precisa urgentemente de reestruturar e reabilitar o antigo centro de saúde, com seis quartos e três enfermarias, para internamento de pacientes e alargamento dos serviços sanitários.
O padre da missão, Alberto Graciano Sambundu, disse que a reabilitação do centro de saúde tem de ser breve, para melhorar as condições sanitárias da região e atender a população local, que precisa da instituição para tratamento médico.
A maioria dos mais de 20 mil habitantes da zona tem recorrido à missão do Janju, para conseguir transporte para a sede da comuna do Luvemba, em caso de doenças graves. O mau estado das estradas tem dificultado a chegada de ambulâncias à missão e às áreas mais recônditas.
Albertino Tomás, catequista, natural e residente na ombala Tchikelu, situado a 15 quilómetros da missão do Janju, disse que muitos casos de mortalidade que ocorrem na região se devem à falta de um centro de saúde e de uma ambulância.
“Queremos um centro de saúde estatal, com consultas grátis ou a custo mínimo, para facilitar as populações carenciadas, que não conseguem pagar os preços praticados pelos privados”, disse Alberto Tomás, acrescentando que “na comuna o dinheiro está difícil, por isso, a maioria dos habitantes não consegue pagar a medicina”.
Os preços praticados pelos privados são caros. A título de exemplo, o catequista disse que uma consulta de clínica geral custa três mil kwanzas e o tratamento pode custar entre dez e 15 mil kwanzas.     
 
Educação na Missão
 
A escola missionária tem três salas de aulas, em estado degradado e acolhe alunos da iniciação à nona classe. Segundo o padre Alberto Graciano, muitas crianças estudam ao ar livre, por falta de telhado na antiga escola da missão. No tempo das chuvas as aulas são interrompidas. 
No presente ano lectivo foram matriculados 522 alunos, no primeiro ciclo e 16.723 alunos do ensino primário. De acordo com Alberto Graciano, a satisfação das crianças é enorme e mostram vontade de estudar, mas por falta de professores e mais salas de aulas, muitas estão fora do sistema oficial de ensino.
A escola do primeiro ciclo do Janju tem oito professores efectivos e quatro estagiários, número considerado insuficiente para cobrir a rede escolar nas oito ombalas. 
“ Precisamos de mais professores, quadros, carteiras, técnicos e enfermeiros, para melhorar as condições básicas sociais da população”, disse opadre, que pede a reabilitação das vias rodoviárias que ligam a comuna do Luvemba ao sector do Cruzamento, município do Cassongue, no Kwanza Sul, para facilitar a circulação e o escoamento dos produtos agrícolas.
 Alberto Graciano Sambundu reconhece o esforço do governo da província, que tudo tem feito para que não falte o material didáctico aos alunos. “Que haja um olhar atento para esta missão. Por aqui passaram homens que hoje desempenham um papel importante na sociedade”, afirmou.
 
Comércio rural
 
O comércio local é feito com muito sacrifício. Os camponeses para vender os seus produtos, feijão, milho, jinguba e mandioca, percorrem longas distâncias a pé para a sede da comuna, o sector do Cruzamento ou mesmo até à sede do município do Bailundo.
Frederico Samy, dono de uma das poucas cantinas existentes nos arredores da missão, disse que a vida ainda está difícil no sector. Um litro de óleo vegetal, custa 250 kwanzas, uma barra de sabão está a 200 kwanzas, um quilo de sal custa 150 kwanzas. Frederico Samy disse que pratica estes preços devido à distância que tem de percorrer para adquirir os produtos.    
 
Histórico
 
A Missão Católica do Janju foi fundada em 1929, pelo padre Fertlim, de nacionalidade alemã, que vinha da missão da Hanga, no Bailundo.Tem uma estrutura arquitectónica colonial, com internatos divididos em duas áreas, masculina e feminina, seis escolas e um centro de saúde com enfermarias para internamentos.
Actualmente a missão tem no seu internato masculino dez rapazes. Paralisou as suas actividades em 1976, devido ao conflito armado, mas retomou-as em 1997, com o ensino primário, em condições que o padre Graciano considera precárias.
Hoje, na missão as crianças podem estudar até ao primeiro ciclo. Antes da guerra, de acordo com o pároco, pela missão passaram vários padres, de diversas nacionalidades, que contribuíram na formação académica e religiosa das populações locais.
A Igreja Católica tem o projecto de construir os internatos masculinos e femininos e reabilitar a igreja, para o seu funcionamento normal: “é preciso recuperar esta estrutura muito importante da nossa História, tida também como a maior de África”, disse o padre Graciano.”

Tempo

Multimédia