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Moradores foram realojados e o prédio é demolido

António Canepa| Huambo

Os moradores do edifício Palmeiras, situado no bairro da Rua do Comércio, cidade do Huambo, foram evacuados, por se encontrar em estado avançado de degradação e ter dado sinais evidentes de desabamento, na passada quarta-feira.

Na quarta-feira o prédio estremeceu dando sinais evidentes de desabamento
Fotografia: João Constantino

Os moradores do edifício Palmeiras, situado no bairro da Rua do Comércio, cidade do Huambo, foram evacuados, por se encontrar em estado avançado de degradação e ter dado sinais evidentes de desabamento, na passada quarta-feira.
Tendo em conta o perigo que representa para os seus moradores, o governo da província decidiu transferi-los temporariamente para o edifício do antigo comando da Região Centro e para o Centro de Acolhimento Criança Feliz, nos arredores do aeroporto provincial Albano Machado.
Com sete andares, o prédio tinha 92 famílias, entre funcionários públicos, trabalhadores informais e comerciantes e nele funcionava também uma farmácia e duas lojas.
O vice-governador para esfera Económica e Produtiva, Deolindo Henriques Barbosa, disse que os moradores deviam ter sido evacuados há algum tempo, mas havia falta de alojamentos, já que as casas que tinham sido prometidas, não foram construídas por falta de verbas.
“Em 2009, altura em que o prédio começou a dar sinais de desabamento, o governo fez o primeiro levantamento das famílias que ali residiam, mas, devido à crise financeira que se vivia, não foi possível construir as 500 casas prometidas pelo governo para os moradores deste prédio”, disse Deolindo Henriques Barbosa, no momento em que encetava contactos para a retirada dos moradores do prédio, na tarde de quarta-feira.
O edifício foi construído nos anos 60, numa via secundária. Actualmente apresenta grandes fissuras (rachas) da base ao topo, sujidade, mau estado de conservação, sistema de esgotos apodrecido, canalização enferrujada e sistema eléctrico completamente danificado. Moradores abordados pela reportagem do Jornal de Angola disseram que cada vez que passa um camião, com ou sem carga, o prédio estremece.
A situação, de acordo com Augusta Leopoldina, uma das moradoras do prédio, está assim desde 1998.Um pilar da viga principal vergou e desde essa data as rachaduras aumentaram, colocando em risco o prédio todo.
 Ela viveu 15 anos no edifício e conta que a situação piorou nos últimos dias. O primeiro sinal de desabamento deu-se pouco antes da quadra festiva, mas na passada quarta-feira a situação era mesmo preocupante porque o sinal de desabamento era mais visível e até se partiram alguns vidros das janelas dos apartamentos do primeiro andar.
No interior do edifício, várias brechas são visíveis permitindo a entrada de pó e corrente de ar para dentro dos apartamentos, cujos corredores estão também desprovidos de protecção.
Há dois anos, funcionários e técnicos do Ministério das Obras Públicas estiveram no local e fizeram a avaliação da situação, mas, desde aquela data, nada mudou. Os moradores continuaram ali a viver em condições perigosas e à espera de alguma solução. Faziam “puxadas de luz” a partir de habitações vizinhas, já que o prédio não tinha a energia eléctrica em condições, devido à degradação dos cabos e das suas linhas de transporte.
 
População agradece

Judite Guilherme viveu 29 anos no prédio e disse que há muito que aguardava pela evacuação, tendo em conta a situação de perigo em que se encontra o edifício.
“Agradeço a atenção do Governo, que embora tarde, decidiu tirar-nos do prédio. Estamos agora fora do perigo, embora aqui as condições ainda não sejam as melhores, mas o importante é que estamos fora de perigo, disse a inquilina do prédio Palmeiras, Judite Guilherme, um dia depois da sua evacuação.
Algumas famílias sugeriram o seu realojamento no prédio do Hotel Almirante, localizado no bairro Académico, enquanto durar a construção de casas definitivas, outros acham que o Governo devia construir um condomínio para eles.
O Governo Provincial do Huambo ainda não marcou uma data para a execução das obras de construção de casas para os moradores do prédio Palmeiras, mas garantiu que está a criar condições para iniciar as obras, já que para isso vai contar com o apoio do Governo Central.
“Apelamos ao nosso governo para que resolva a nossa situação e esperamos que haja uma organização mais correcta e enquanto demorar a construção do condomínio que nos coloquem em lugares com melhores condições”, acrescentou Judite Guilherme. 
Ilda Nair disse que viveu dez anos no prédio Palmeiras e considera oportuna a acção do governo da província, tendo em conta o perigo que aquele edifício representava para os moradores. Mas, ainda assim, considera que o governo devia criar melhores condições.
“Onde estamos alojados, as condições sanitárias não são das melhores e já esteve uma comissão de limpeza aqui e nós também vamos colaborar, porque apenas trouxemos bens de primeira necessidade, porque estamos aqui para salvar em primeiro lugar as nossas vidas” frisou Ilda Nair, visivelmente emocionada, para dizer que nota uma grande preocupação por parte do governo, por isso está confiante de que a situação deles seja resolvida.
 
Edifícios em risco
 
O prédio da FAPA, localizado na Rua 5 de Outubro, encontra-se em situação idêntica. Tem uma enorme abertura provocada pela explosão de um projéctil no tempo da guerra.
Quem ali chega depara-se logo com um cheiro nauseabundo e acessos obstruídos pelo lixo. O prédio tem dez andares e 90 apartamentos.   
Os seus moradores têm dúvidas, se algum dia vão abandonar o edifício, porque cada dia que passa o perigo é mais visível. Tal como o prédio Palmeiras, o da FAPA corre o risco de desabar a qualquer momento.
O governo prometeu realojar todos os moradores que vivem nos edifícios em risco. De acordo com a Direcção Provincial das Obras Públicas, o dossier está neste momento remetido às estruturas centrais, por ser de âmbito nacional.
Uma delegação do Ministério das Obras Públicas devia chegar à cidade do Huambo em Agosto de 2008, para tratar questões ligadas com a degradação de alguns imóveis na cidade, mas tal não aconteceu. E o ano passado também não se fez nada devido à crise financeira que assolou o mundo e que atingiu também o país.
Apesar de tudo, o governo do Huambo disse que vai cumprir a sua promessa de retirar dos edifícios em risco todos os moradores e criar condições de habitabilidade para todos.
 “Uma das preocupações do governo é velar pela segurança dos seus cidadãos, e esta segurança passa por muitos factores”, disse o administrador municipal do Huambo, Armando Capunda, quando se referia à situação dos habitantes dos prédios Palmeira, Anghotel e FAPA, no ano passado.
Na altura assegurou que a decisão tomada pelo governo era de mudar as pessoas para áreas de maior segurança. E indicou que no programa do Governo constava a construção de 500 casas. 
Neste momento o local onde se situa o edifício Palmeira encontra-se vedado e aguarda-se pela sua demolição, o que pode acontecer a qualquer momento.

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