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Morro do Moco uma lenda por desvendar

Marcelino Dumbo | Londuimbali

O Morro do Moco, que concorre na Categoria de Grande Relevo no concurso nacional sobre as Sete Maravilhas Naturais de Angola é, para os habitantes da região, uma lenda ainda por desvendar.

A via de acesso ao Morro do Moco no Huambo está totalmente degradada constituindo mais um desafio a vencer para se chegar ao pico
Fotografia: DR

O Morro, que conserva o título de ponto mais alto do país, com 2.620 metros de altitude, localiza-se na zona limítrofe entre as comunas do Londuimbali e Ekunha, a noroeste da cidade do Huambo.
O Moco conserva muitos e valiosos recursos faunísticos e minerais que, aliados ao seu incomparável relevo, fazem dele um lugar de referência na região e no país e a preferência de muitos turistas nacionais e estrangeiros.
Com o objectivo de promover a sua candidatura a Sete Maravilhas de Angola, profissionais de distintos órgãos de comunicação social públicos escalaram o ponto mais alto de Angola, num exercício que durou pouco mais de uma hora, para constatar a realidade do Morro Moco.
Acompanhados por Venâncio Pires Pessela, Adelino César e Alberto Henriques Kamenhe, este último já a rondar os 60 anos, residentes na aldeia de Kandjonde, os profissionais do Jornal de Angola receberam, em cada passo, explicações detalhadas sobre o Monte.
Para atingir o cume foi necessário percorrer, desde a vila da comuna do Ussoque, município do Londuimbali, 27 quilómetros.
A via de acesso ao Morro está totalmente degradada, constituindo mais um desafio a vencer para se chegar ao pico.
Mesmo fazendo-se transportar num moderno e potente jipe de marca Toyota Land Cruiser, os jornalistas tiveram de suportar os fortes solavancos, causados por enormes crateras abertas na estrada que dá acesso ao Morro.  O Monte tem 85 hectares de floresta de montanha, com abundantes e variadas espécies de animais, como macacos, serpentes, coelhos, cabras do mato, javalis aquáticas e até de espécies raras, como Francolim de Swierstra, que fazem das cavernas e grutas do morro o seu refúgio.  
Do ponto de vista turístico, o relevo apresenta a sua forma natural e sustentável, por isso todos os finais de semana membros de associações religiosas, estudantis, excursionistas de distintos pontos do país e estrangeiros visitam a área para verem de perto as maravilhas que proporciona. 

História da aldeia

O soba da aldeia Kandjonde, Amândio Kapu, localidade adjacente ao monte, disse aos jornalistas que  a designação Moco deriva da expressão “Omoko”, termo em língua local umbundu que em ­português significa faca. Conta a história que certo dia, um caçador perdeu a sua única faca (omoko), durante a sua actividade no monte, e que de regresso à aldeia convidou alguns homens para o ajudarem a encontrar o seu artigo, tão valioso para a caça.
Aconteceu que, todos os homens que o acompanharam no dia seguinte ao morro à procura da faca acabaram desaparecidos e nunca mais regressaram à aldeia, incluindo ele próprio.
Os moradores da aldeia, preocupados com a situação do desaparecimento dos homens e do caçador no morro, perguntavam-se sobre o que teria levado o caçador e alguns homens da aldeia ao monte. Os que sabiam respondiam: “Foram à procura da faca (omoko) na montanha.  A partir dessa altura o morro tomou o nome de Moko, e em português ficou conhecido por Moco. Sem avançar um horizonte temporal, o soba afirmou que ocorreu este acontecimento, mas que pela importância histórica que ostenta torna-se necessária a sua exaltação por constituir uma mais-valia para o enriquecimento da história da região e do país.
Quanto ao concurso, o soba Kapu disse esperar que a população da região e todos os amigos do Huambo votem, considerando que o ganho do concurso vai proporcionar melhores condições de vida aos cidadãos, em particular da aldeia de kandjonde.
A aldeia de Kandjombe precisa de escolas, postos de saúde e da requalificação das vias de acesso para facilitar a vida dos que pretendam visitar e desfrutar das belezas da região e do Morro do Moco. Além de diversas espécies de árvores e animais, rochas e grutas na montanha, nascem no morro os rios Balombo, Chavassa e um outro com o próprio nome do morro.  Maria Rosária, mãe de seis filhos, moradora na aldeia Kandjonde, confirmou que, todos os finais de semana, turistas nacionais e de outras nacionalidades escalam o Morro do Moco, mas não sabia que o monte era o ponto mais alto de Angola.
A grande ansiedade de Maria Rosaria é ver um dia as estradas reparadas, escolas e posto de saúde construídos, para se beneficiar destes bens públicos até agora inexistentes na sua aldeia.
O historiador Festo Sapalo enaltece a iniciativa e apela a toda a população do Huambo a votar para que na lista das candidaturas ao concurso conste o Morro do Moco, no sentido de proporcionar o bem-estar das populações da área e da província.
Entre as 27 candidatas inscritas ao concurso Sete Maravilhas Naturais do país estão outros lugares como as Fendas do Tundavala na Huíla, rio Kwanza (Bié), rio Zaire (Zaire), rio Cuito (Kuando Kubango), Pedras Negras de Pungo a Ndongo, as Quedas de Kalandula (Malange) e a Barra do Dande na província do Bengo.
Na lista constam também as Cachoeiras do Binga, na província do Kwanza-Sul, os parques nacionais da Quissama, em Luanda, da Cameia (Moxico), Serra da Leba e o Deserto do Namibe, além da Penísula do Mussulo e o Miradouro da Lua, em Luanda).
O evento, que vai decorrer até finais do ano em curso, é da iniciativa do ministério da Cultura. Para melhor promoção e divulgação das referidas áreas candidatas, a organização elegeu ainda padrinhos para as diversas províncias.
A cantora Jandira Sassingui, “Pérola”,  foi a figura eleita para madrinha da província do Huambo, para promover, divulgar e permitir melhor organização do concurso.         

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