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Mortes por malária diminuem na Catabola

Victória Quintas | Catabola

O número de mortes por malária, que antes se situava entre 15 a 20 por mês, principalmente em crianças com menos de cinco anos e em mulheres grávidas, diminuiu para sete a nível da comuna de Catabola, município do Longonjo, no Huambo.

O saneamento do meio e o uso de mosquiteiros têm contribuído para a redução em grande escala das doenças na comunidade
Fotografia: Francisco Lopes | Catabola

O chefe da repartição local de Saúde, Celestino Carlos, disse ontem que a diminuição de óbitos por malária é o resultado de várias acções de sensibilização realizadas em palestras realizadas pelas autoridades locais.
As actividades de saneamento do meio, construção de latrinas, aumento do uso de mosquiteiros por crianças menores de cinco anos e por mulheres grávidas, são alguns aspectos que têm contribuído em grande escala para a redução das doenças, sublinhou.
A construção de postos e centros de saúde de referência é, por isso, uma preocupação das autoridades, para aproximar os serviços sanitários das populações.
O sistema de saúde da comuna de Catabola é neste momento sustentado por um posto de saúde, localizado na povoação de Cambinda, e por um centro de saúde a nível da sede.
Carlos Celestino afirmou que o único centro de referência na região atende também pacientes provenientes da comuna do Mundundo, no município do Ucuma. Por essa razão, salientou ser necessário aumentar as infra-estruturas sanitárias e o número de técnicos, principalmente nas aldeias mais distantes, uma vez que a comuna tem apenas 17 trabalhadores da saúde, entre enfermeiros auxiliares e gerais, pessoal de apoio hospitalar e administrativos. Em relação aos recursos humanos, lamentou o facto de a comuna não ter um único médico, o que tem criado alguns transtornos no atendimento de casos específicos.
A falta de ambulância é outro problema que a comuna quer ver ultrapassado, uma vez que a única carrinha que o sector da saúde possui auxilia, na maior parte das vezes, outros serviços hospitalares.
Em períodos de grande agitação, o centro de saúde comunal chega a atender, em média, 80 pacientes por dia.
Durante o primeiro semestre deste ano, a maternidade do centro realizou 121 partos, dos quais um resultou em óbito. Nos serviços de, pelo menos 30 crianças são assistidas diariamente.

Energia e água

A comuna possui um grupo gerador com 30 KVA, que garantia a iluminação pública na sede, mas o aparelho está avariado. Perante esta situação, a solução tem sido o recurso à energia proveniente do gerador do centro de saúde.
No quadro do programa “Água para Todos”, foram construídos uma lavandaria e um tanque, mas com a avaria deste último serviço, a população deixou de ter água por este meio. Outra situação que preocupa os habitantes da comuna tem a ver com as constantes descargas eléctricas provocadas pelas trovoadas, que todos os anos fazem vítimas mortais, o que já ocorreu no início deste mês com três pessoas da mesma família.  O administrador comunal, Paulino José Barbosa, disse que a falta de pára-raios na localidade, com uma extensão de 585 quilómetros quadrados e uma população estimada em 9.603 habitantes, tem aumentado os riscos para a população.

Falta de escoamento

Em relação aos meios de sobrevivência, explicou que a agricultura é a principal actividade da região, onde se cultiva milho, feijão, mandioca, batata rena, ginguba e hortícolas diversos. Paulino Barbosa considerou que a colheita de milho neste ano agrícola foi satisfatória, mas parte desta produção é comercializada e o resto serve para sustento das famílias. A principal dificuldade está no escoamento dos produtos, devido ao avançado estado de degradação da estrada que liga a comuna à sede do município do Longonjo. Um problema que está prestes a ser resolvido, uma vez que dos 104 quilómetros de reparação de estradas adjudicada no Huambo, 30 quilómetros vão ser na ligação da comuna à sede do município.
O administrador comunal referiu que há uma semana estiveram na localidade representantes de uma construtora para fazer a prospecção da via. Em termos de comércio, a vila comunal possui duas lojas, uma de venda a grosso e outra a retalho.

Infra-estruturas 

A Catabola possui instalações para a Administração, uma escola estatal com seis salas, e outras seis instituições de ensino comunitárias, erguidas pelos pais e encarregados de educação, e um centro de saúde. Neste ano lectivo, o sector da Educação matriculou 3.722 alunos, desde a iniciação à nona classe. Asseguram as aulas um grupo de 117 professores.
O número de professores e de infra-estruturas escolares deve crescer ainda mais, uma vez que continua a haver muitas crianças fora do sistema de ensino. Paulino Barbosa lamentou, ainda, o facto de muitos professores continuarem a não cumprir as suas obrigações. “Por isso, vamos tomar medidas disciplinares contra os faltosos”, rematou.

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