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Munícipes do Huambo solicitam maior engajamento na materialização das políticas sociais

Fernando Cunha | Huambo

Hoje, 21 de Setembro de 2019, o município do Huambo comemora o 107º aniversário, da elevação à categoria de cidade, pelo então governador da Província de Angola, José Mendes Ribeiro Norton de Matos.

Estudantes nocturnos e moto-taxistas são as principais vítimas dos meliantes
Fotografia: Edições Novembro

Capital de um dos grandes reinos pré-coloniais da região Centro de Angola, a história da cidade do Huambo é hoje marcada, indelevelmente, por três grandes momentos: o período colonial, em que os portugueses pensaram fazer dela uma cidade semelhante à de Lisboa, o pós-independência, que ficou assinalado pelas diferenças sociopolíticas dos angolanos, e, finalmente, a ocasião que simbolizou a conquista da Paz, mesmo antes da assinatura dos acordos. 

Durante os 107 anos que marcam a vigência política e administrativa do município, a sua população, hoje composta por mais de um milhão de habitantes, segundo dados actuais do Instituto Nacional de Estatística, augura por dias melhores, numa altura em que as autoridades governamentais perspectivam um exponencial avanço no crescimento dessa importante parcela de Angola, com a materialização das políticas sociais, implementadas no âmbito da execução do Plano Integrado de Intervenção nos Municípios (PIIM).
São sete projectos, que na visão das autoridades administrativas, vão, para já e até Dezembro, causar um forte impacto na vida das populações, que residem em zonas como a Chipipa, passando pelo casco urbano da cidade, e terminam nas regiões do Cruzeiro, Ngulawa e Chiuia, na comuna da Calima.
Tais acções vão, desde a requalificação e reabilitação de sistemas de abastecimento de água, apetrechamento de postos de saúde e reabilitação e construção de centrais térmicas, à reabilitação e terraplanagem de vários troços secundários e terciários da municipalidade, sendo que, para tal, serão desembolsados dos cofres públicos um montante global de 166 milhões, 225 mil e 559 Kwanzas, para a realização de obras, no município, que recebe no próximo dia 28 um ilustre visitante, o príncipe Harry, duque de Sussex.
A nobre figura, membro da família real britânica, terá a oportunidade de conhecer a nova realidade da cidade, e reunir-se com os responsáveis de três organizações sedeadas na província, financiadas pelo Programa Global de Acção Contra Minas, do Departamento de Desenvolvimento Internacional Britânico, que durante muitos anos foi dirigido pela sua mãe, a malograda princesa Diana, que visitou o Huambo no dia 15 de Janeiro de 1997.

Cidade vida?

“No Huambo, além de os habitantes respirarem o perfume da paz, têm forte confiança no futuro e demonstram grande vontade de vencer. Há gente pacífica e trabalhadora, que dá tudo o que pode para que o nosso município cresça e, um dia, todos nós possamos colher os frutos da sementeira”, afirma Festo Sapalo, historiador e autoridade cultural na urbe.
O académico acrescenta que as autoridades governamentais devem aproveitar bem a boa vontade do povo e façam tudo o que estiver ao seu alcance, para que, não só a cidade do Huambo, mas também as outras localidades da província, colham os frutos da paz. Conhecida em toda a extensão de Angola como a “Cidade Vida”, logo após o 21 de Setembro de 1912, a região teve um grande impulso para a vida social e económica, principalmente nos ramos do comércio, indústria, agricultura, pecuária e construção de infra-estruturas sociais, cujos efeitos positivos e significativos, para o desenvolvimento da província, tornaram-na numa referência nacional.
Hoje, por força de muitos factores, a municipalidade perdeu muito do seu encanto. A célebre Estufa-Fria, situada no coração da cidade, há muito que perdeu o seu encanto, e encontra-se hoje votada ao abandono, precisando urgentemente de investimentos que, por enquanto, não constam do programa vulgarmente conhecido por PIIM.
Noutro emblema da cidade, o Jardim da Cultura, o vandalismo ameaça o verde. As obras de reabilitação do espaço ficaram interrompidas, por falta de verbas. Há muitos jovens que fazem do espaço um ponto de encontro para idealizar acções criminosas. O local é também “aproveitado”, principalmente nos finais-de-semana, no período nocturno, para a comercialização de drogas.
Paulo Nunda e Cláudia Sacondombo são munícipes e frequentadores assíduos do Jardim da Cultura. Ambos consideram o local excelente para o lazer. Mas o tratamento que, hoje, “lhe é dispensado”, transformou-o num espaço de poucos encantos e propenso à prostituição.
Muito recentemente, promotores de eventos da cidade chegaram a condicionar a circulação automóvel na zona, para a realização de festas, com a anuência prévia da autoridade municipal, o que deixou insatisfeitos muitos citadinos.

Índice de criminalidade
aumenta na periferia

Apesar de as autoridades policiais não admitirem o facto, o aumento da criminalidade nos bairros S. João, S. Pedro, S. José, Cacilhas, Bom Pastor, Aviação, Santo António, Santa Iria, Chiva, Camussamba e Sacáala, atingiu níveis assustadores.
Os números, muitas vezes apresentados pela Polícia, nos encontros com os órgãos de comunicação social, contrastam com o que, de facto, se passa no terreno. Sem muitas alternativas no capítulo da segurança pública, alguns populares destes bairros adoptam mecanismos de defesa própria, contra os marginais, já que muitas vezes as autoridades alegam falta de meios para agir.
Quem mais sofre com as acções de marginais são os estudantes do período nocturno e moto-taxistas, vulgarmente conhecidos por Kupapatas, estes últimos muitas vezes acabam feridos ou chegam a perder a vida, quando são assaltados por meliantes.
A falta de iluminação pública, em todos os bairros da periferia da cidade, é apontada como o principal factor para o aumento da criminalidade, aliado ao facto de existir ainda muito armamento em posse indevida.

Laúca pode ajudar

Os 70 megawetts de energia eléctrica, provenientes da barragem de Laúca, podem minimizar os efeitos causados pela falta de iluminação pública, de acordo com dados da Empresa Nacional de Distribuição de Energia (ENDE).
Com a entrada em funcionamento das três subestações eléctricas, localizadas no perímetro florestal do Sacaála, Cambiote e Chiva, no dia 17 de Setembro, o Governo local prevê a execução de um projecto de electrificação, com mais de 45 mil ligações feitas a residências, instituições públicas e privadas.
Entretanto, a consumação de tais acções dependerão muito da disponibilidade financeira, mediante a inscrição de novos projectos no PIP e PIIM.
Depois de aprovados, a ENDE vai dar prioridade às zonas ainda privadas do fornecimento de energia.

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