Províncias

Munícipes do Huambo preparam agasalhos

Tatiana Marta |Huambo

Desde ontem que o tempo quente deu, oficialmente, lugar ao frio. Chegou a época do cacimbo. O frio começa e as preocupações também. Na província do Huambo, é nesta altura que as pessoas procuram pelos melhores agasalhos para se protegerem do frio e das doenças próprias deste tempo.

A chegada do frio obriga habitantes do Huambo a procurar por roupas mais quentes, as peças de fardo são uma alternativa
Fotografia: Jornal de Angola

Desde ontem que o tempo quente deu, oficialmente, lugar ao frio. Chegou a época do cacimbo. O frio começa e as preocupações também. Na província do Huambo, é nesta altura que as pessoas procuram pelos melhores agasalhos para se protegerem do frio e das doenças próprias deste tempo.
Por cá, durante as manhãs e as noites já se registam temperaturas baixas. Motivo de sobra para que a maior parte das pessoas vá às lojas, boutiques, mercados e até mesmo a locais informais para adquirir as roupas forte e confortáveis que as protejam do cacimbo.
A reportagem do Jornal de Angola visitou várias boutiques e viu que há uma diversidade considerável de roupas, estilos e modelos. Cada um, de acordo com a sua possibilidade, procura comprar aquilo de que mais gosta ou que melhor assenta nesta época. Na verdade, nem todos conseguem comprar uma peça na boutique, porque os preços são altos.
Mas, como o cacimbo já é uma realidade por estas paragens, todos procuram roupas e mantas para se protegerem do frio, enquanto durar a estação fria.
Agostinho Alves, gerente de uma boutique, disse que para este tempo tem produtos de alta qualidade de todos os tamanhos. Segundo ele, nesta época o que os clientes mais procuram são botas, ténis confortáveis, camisolas quentes, t-shirts de flanela, calças de ganga e de chinos.

 Cremes para que vos quero

Nesta época de cacimbo também é habitual a pele secar. E para a tornar mais hidratada e resistente ao frio, o melhor que há a fazer é cuidar dela com a ajuda de cremes e outros produtos apropriados.
A boutique onde trabalha Agostinho Alves também se preocupou com este aspecto. Enquanto gerente, garante que tem cremes hidratantes, tanto para peles secas como para peles oleosas, assim como esfoliantes e desodorizantes. “Os clientes, neste tempo seco, o que mais procuram são cremes gordos, para a pele não secar durante o dia, ou ganhar o cieiro”.   
Por sua vez, José Fernandes, empregado de uma perfumaria, disse que ali se vendem produtos para todos os tipos de pele e de aromas diversificados. “ Durante o cacimbo, são várias as preocupações das pessoas, e quanto aos produtos usados na época, nós temos diversas qualidades”, garantiu.
A jovem Gisela, que estava a comprar um frasco de creme, disse ao JA que há duas semanas comprou o mesmo produto a 2.500 kwanzas e que agora já o estão a vender por 3.750 kwanzas.
Em vários locais da cidade também encontrámos à venda produtos para a protecção dos lábios. Nazaré Domingos, cliente, disse que durante o cacimbo se preocupa em comprar cremes que protegem a sua pele e roupa, como casacos pesados, cobertores, meias, luvas e ténis.
 
Preços disparam

O Jornal de Angola constatou que os preços dos produtos já referidos começaram a disparar em função da procura.   
Marcelina Cristóvão, vendedora há mais de 10 anos no mercado da Imalaia, Cidade Alta, já sabe como as coisas funcionam e quais os produtos mais procurados no cacimbo.
Ela vende casacos diversos, camisolas em diversos tecidos e para todos os gostos, cobertores, calças de ganga, meias, luvas. “Estas coisas têm mais saída”, considerou a vendedora, acrescentando que nesta época os produtos sobem de preço a cada dia que passa.
Nos mercados, lojas e outros locais de venda, a roupa e as mantas estão a ser vendidas a preços considerado altos pela população. Pode-se encontrar uns calções a 23 ou 25 mil kwanzas, umas calças de ganga a 15 mil ou 20 mil kwanzas e os casacos estão entre 6.300 e 7.950 kwanzas.

Farmácias registam maior procura de remédios

As farmácias e vendedores ambulantes de medicamentos também registam mais solicitações, pois, como sempre acontece nesta época, verifica-se um aumento de algumas doenças, com destaque para as do foro respiratório.
De acordo com os especialistas, as principais doenças desta época são a bronquite, asma, sinusite e renite alérgica que atacam, principalmente, as crianças. Por isso alertam os pais e encarregados para ficarem atentos às mudanças do clima e a procurarem especialistas em casos de doença. Além disso, chamaram a atenção para a necessidade de agasalhar melhor os filhos, evitar os banhos nocturnos, gelados e o excesso de ar condicionado, seja nos carros ou em casa.
Numa ronda realizada por algumas farmácias de Huambo, o Jornal de Angola constatou que as mesmas reforçaram os seus stocks e apetrecharam as prateleiras de fármacos próprios para a época do cacimbo. Tudo com a intenção de dar resposta aos pedidos dos necessitados e, obviamente, ganhar dinheiro.
Rosalina Sassende, dona de uma farmácia e farmacêutica, localizada junto do mercado municipal, disse que o seu estabelecimento já comprou os medicamentos mais requisitados nesta época e garantiu que já estão a comercializar remédios como a Transpulmina, gotas nasais e antibióticos.
Por sua vez, Celestina João, funcionária de outra farmácia, adiantou que ali têm Mebocaina e anti-maláricos. Também ela chamou a atenção para os cuidados a ter com os menores e considerou que é neste período que os clientes requisitam mais medicamentos para crianças.
Na mesma senda, o farmacêutico Honório Baptista referiu que nesta estação é comum as pessoas optarem por remédios anti-gripe, em pomada e supositórios, para a pneumonia, inaladores de Sabultamol para asmáticos e alguns antitússicos.
Quanto aos preços dos medicamentos, eles variam de acordo com a importância de cada um, mas não consoante a idade do necessitado. Assim, um frasco de Sabultamol está a ser vendido a 405 kwanzas, o inalador para asmáticos a 1.805 kwanzas, a Transpulmina, em pomada custa 930 kwanzas e em xarope 1.525 kwanzas. Um antigripal, como o Cêgripe, custa 660 kwanzas, e os rebuçados da marca Valda 1.480.
E assim se faz o quotidiano do Huambo em época de cacimbo, quando este ainda mal começou.

Tempo

Multimédia