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Novas construções invadem cemitérios no Huambo

Estácio Camassete | Huambo

O crescimento do bairro de Tchitutula, comuna das Cacilhas, na cidade do Huambo, está a acarretar o desaparecimento do antigo cemitério, que , outrora, serviu também como alternativa ao Cemitério Municipal de São Pedro.

Um ângulo da cidade do Huambo onde nos últimos tempos têm surgido novos bairros que estão a provocar o desaparecimento do antigo cemitério
Fotografia: João Gomes

Localizado na região sul da cidade, o cemitério também servia os bairros circunvizinhos, mas a sua invasão pelas novas construções está a causar dificuldades aos moradores daquela zona da cidade.
 A reportagem do Jornal de Angola constatou que várias campas já se encontram em quintais vedados, ou em terrenos prontos para a construção de residências. O mestre de uma das obras invasoras, António Agostinho Ngola, reprova a prática de invasão do campo santo, por ser o lugar de descanso eterno para os mortos, porém, continua a fazer o seu trabalho, porque foi mandatado pelo proprietário.
“Nós continuamos a fazer o nosso trabalho, porque fomos mandatados pelo dono da obra e, por outro lado, também não temos outra alternativa de emprego; por isso, só seguimos o que nos solicitam”, lamentou.
António Agostinho afirmou que as construções no perímetro do cemitério reduziram de um tempo a esta parte e algumas pararam depois da intervenção do soba da área.  Ainda assim, constatam-se algumas obras de proprietários, no perímetro reservado para o cemitério, que, mesmo com o apelo do soberano da região, insistem nesta prática.
“Construir junto do cemitério não é aconselhável, desde o tempo passado, e agora as pessoas perderam o medo das coisas sérias. Nem sabemos aonde vamos parar com esta situação”, lamentou o mestre de obra.
António Manuel um dos moradores do bairro, lamentou igualmente o facto de muita gente utilizar o lugar de descanso eterno com coisas indevidas, considerando que há  muito terreno ao redor da cidade do Huambo e não tem nenhum interesse devastar um cemitério para a construção de qualquer edifício. “Quem não conseguiu terreno no Tchitutula pode conseguir num outro bairro, basta procurar bem e legalizar-se”, sublinhou.  As obras estão a ser levantadas, muitas já em fase de finalização, mas o que não se sabe é se são legais ou ilegais, porque os seus donos não dão a cara. Uns limitam-se a visitar os empreendimentos nas horas em que não circula ninguém na área, para evitar serem importunados.  Além de casas já levantadas, a reportagem do Jornal de Angola constatou também que muitos terrenos ainda continuam ocupados com montes de areia, pedras e burgau, mas ninguém sabe quem são os verdadeiros donos.
António Manuel queixa-se também do problema de saneamento básico. O lixo está a progredir no cemitério; por isso, pede aos vizinhos para não atirarem mais lixo no campo santo.
Quanto à ocupação de terrenos,  há uma estratégia muito especial. O cidadão simula um canteiro para a plantação de hortícolas, porque o perímetro está situado na baixa de um pequeno riacho chamado Sacaála, do qual se pode aproveitar a humidade para a prática de qualquer actividade agrícola, e em seguida começa a colocar pedras e areia, terminando com a vedação do espaço e o levantamento da residência.
A pequena Avozinha, acompanhada da irmã, brincava calmamente junto de uma campa que se encontra ao lado da sua casa. Elas vivem no bairro há mais de três anos e confessaram que não têm medo de viver perto do cemitério, porque já estão habituadas.
A exemplo do que acontece no bairro de Tchitutula, o fenómeno não é diferente nas outras zonas da cidade do Huambo em que as pessoas continuam a desprestigiar ou mesmo a vandalizar os cemitérios, perseguindo fins particulares diversos e colocando em risco a saúde pública.

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