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Novos equipamentos mudam a vida na Calenga

Marcelino Dumbo| Calenga

A construção de edifícios destinados à administração, saúde e educação e a reabilitação das vias secundárias, terciárias e outras obras de impacto social, durante o ano passado e princípio deste, estão a mudar a imagem da comuna da Calenga, no município da Caála, província do Huambo.

As vias de acesso estão a ser reabilitadas para melhorar a livre circulação de pessoas e bens e o escoamento dos produtos do campo
Fotografia: Francisco Lopes| Huambo

A construção de edifícios destinados à administração, saúde e educação e a reabilitação das vias secundárias, terciárias e outras obras de impacto social, durante o ano passado e princípio deste, estão a mudar a imagem da comuna da Calenga, no município da Caála, província do Huambo.
O administrador local, Lutonádio Samuel Ntíma, ao fazer o balanço das actividades desenvolvidas em 2010, apontou que, na comuna, foram construídos dois postos de saúde para atender as populações das aldeias de Kassupi, Suku-Ondjali e residências para enfermeiros e professores.
No mesmo âmbito, foram reabilitadas algumas vias terciárias para permitir a circulação de pessoas e bens e o escoamento de produtos do campo para o mercado da Calenga, o principal ponto de comércio ao ar livre da região.
No quadro do projecto "Água Para Todos", mais cinco mil habitantes passaram a beneficiar de água potável, através do sistema de abastecimento por gravidade. Foram criados furos para a captação e abastecimento nas aldeias Kapundje, Kasupi, Alto-Calai, Chicala e Suku-Ondjali para evitar que as populações consumam água imprópria.
Quanto à iluminação, a comuna é abastecida por um grupo gerador, que beneficia a rede domiciliar e pública. Para este ano, as autoridades locais projectam também incentivar a actividade agrícola para combater a fome e a pobreza, melhorar o fornecimento da energia e água potável e os serviços de saúde, com a criação de mais unidades sanitárias.
Lutonádio Ntíma indicou a falta de quadros como um dos principais problemas que a comuna enfrenta, principalmente no sector da saúde, cuja maioria dos efectivos preferiu trocar este sector pelo da educação, na ânsia de encontrar melhores condições.
Consta também do programa da administração local para este ano, a construção e apetrechamento de duas escolas do ensino primário nas aldeias de Mandele, Suku-Ndjali, com três salas cada e uma outra com seis, na localidade de Kassupi, e ainda a edificação de uma residência para os professores na aldeia do Ngolo. Um posto de saúde com capacidade de internamento será também erguido, na aldeia do Ngolo, a 65 quilómetros da vila, enquanto um outro será construído na sanzala Mota.
De acordo com o administrador, este ano será também construído e apetrechado um edifício para albergar a nova administração comunal e a residência do administrador, além de ir ser reabilitado o clube para recreação dos jovens.
A construção de jangos comunitários nas aldeias, com a montagem de televisores para as populações, o saneamento básico da vila, a promoção da recreação e desportos para a juventude e a criação de uma biblioteca para incentivar a leitura são outros projectos existentes para este ano.

Aproveitamento escolar  
 
Apesar do abandono das aulas por parte de alguns alunos, causado pela falta de condições económicas e financeiras dos familiares, registou-se um bom aproveitamento escolar no ano lectivo 2010, disse o administrador Lutonádio Ntíma.
Na comuna da Calenga, transitaram de classe cerca de 7.900 alunos, dos 10.584 matriculados desde a iniciação à 9ª classe.  A rede escolar funciona com 303 professores e 141 salas, sendo 33 delas de carácter definitivo e outras 108 de construção provisória, quatro das quais desabaram nas aldeias de Kassupi, Kanhalã, Lumbalaka e Mbowa, devido às chuvas.
O administrador disse que para minimizar a situação, o sector da Educação precisa de mais professores e salas de carácter definitivo, para dar maior comodidade aos alunos que estudam ao ar livre.
No entanto, assegurou que, apesar das dificuldades, as aulas têm o seu curso normal, tendo realçado a existência de alternativas disponíveis para acolher os que ainda estudam ao relento, em capelas e igrejas existentes na zona. O responsável manifestou a necessidade de implementação do programa de merenda escolar para motivar alunos que desistem das aulas por causa da fome e ajudar as crianças de famílias carenciadas.
 
Áreas de cultivos ampliadas

 
Pelo menos, 9.954 hectares de terra para diversas culturas foram trabalhados na presente campanha agrícola, na comuna da Calenga, no quadro do programa do Governo de extensão e desenvolvimento rural e erradicação da fome e da pobreza. O administrador disse que nos últimos anos, a comuna da Calenga escoou mais de duas toneladas de produtos diversos para os principais mercados da cidade do Huambo e de províncias vizinhas.
Cerca de 51 associações de camponeses beneficiaram de crédito agrícola, financiado pelos bancos de Poupança e Crédito (BPC) e Sol, tendo cada produtor recebido o valor máximo de cinco mil dólares.
Lutonádio Ntíma pediu aos consumidores para se manterem calmos, pois apesar de muitas chuvas prevê-se uma boa colheita, uma vez que "as pessoas que trabalhavam poucos campos, com a implementação do microcrédito alargaram as suas áreas de cultivo". Mais de 10 mil cabeças bovinas ajudam os agricultores das 51 associações e quatro cooperativas no trabalho do campo e transporte de produtos desta local para a vila.
Os hortícolas, como a cebola, repolho, cenoura, alho, tomate, pimento, entre outros, são os produtos que se produzem durante todo ano, disse o responsável, tendo solicitado que sejam abertas câmaras frigoríficas com a máxima urgência para absorver e conservar estes produtos. 

Saúde

O responsável do centro de saúde da Calenga, Carlos Pedro Tomás, disse que o estabelecimento precisa de novos equipamentos para conferir melhores condições de trabalho aos enfermeiros e atendimento condigno aos pacientes que ali estão internados.
No centro de saúde, com capacidade para 15 camas, estão, neste momento, 12 doentes em regime de internamento, assistidos por 18 enfermeiros.
O sector dispõe de 43 técnicos e precisa de mais 30 para dar maior protagonismo ao atendimento e diagnóstico clínico das doenças, como a malária, doenças diarreicas e respiratórias agudas, que foram responsáveis por 899 internamentos, no ano transacto.
A localidade registou igualmente cerca de quatro mil partos, entre institucionais e domiciliares, que contaram com o auxílio de parteiras tradicionais formadas para o efeito, assim como foram atendidos mais de 25 mil doentes nas consultas de pediatria, obstetrícia, medicina, curativos e outros serviços. 
O responsável do centro de saúde enalteceu o espírito de entrega e empenho dos quadros da saúde da comuna que, apesar das dificuldades, tudo têm feito para reduzir o índice de mortalidade materno-infantil e diminuir o impacto das mortes por malária.

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