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O dia que marcou a vida dos angolanos

Em 4 de Abril de 2002 foi assinada no Luena a Paz dos Bravos. Os angolanos acabavam de iniciar uma vida nova. A angústia, o medo, a insegurança, a morte e as destruições deram lugar à esperança. E em breve a esperança foi certeza.

O Presidente da República promulga a Constituição da República que foi um dos mais importantes ganhos da paz
Fotografia: Francisco Bernardo

Em 4 de Abril de 2002 foi assinada no Luena a Paz dos Bravos. Os angolanos acabavam de iniciar uma vida nova. A angústia, o medo, a insegurança, a morte e as destruições deram lugar à esperança. E em breve a esperança foi certeza.

Hoje, Angola vive dias de paz e de confiança no futuro. O fim da guerra foi mais do que o calar das armas. Marcou sobretudo o início de um processo de unidade e reconciliação que mobilizou toda a nação. Cada angolano contribuiu com a sua parte de boa vontade, abriu os braços, deu as mãos e todos juntos seguimos em frente.
Ao mesmo tempo foi lançado o processo de reconstrução nacional. As feridas da guerra começaram a ser limpas e tratadas. Onde antes apenas existia destruição, renasceram comunidades laboriosas que mudaram para sempre os destinos de Angola.
Pontes, estradas, aeroportos, escolas, hospitais, habitações surgiram por todo o país. O que tinha recuperação foi reabilitado. Onde nada existia foram construídos equipamentos sociais com grande impacto na qualidade de vida das comunidades. A agricultura, que foi abandonada durante décadas, voltou em força. Milhares de famílias voltaram a arrancar da terra o seu sustento e ainda produzem excedentes. Os transportes permitem a circulação de pessoas e bens. As estradas nacionais são as veias por onde circula pujante a seiva do progresso. Depois da reconstrução das principais infra-estruturas foi tempo de chamar os angolanos a decidirem, através do voto, sobre o seu futuro. E o povo falou em massa e falou bem alto. Das eleições saiu uma maioria absoluta com condições para executar o seu programa político e cumprir as promessas eleitorais.
Os deputados aprovaram a Constituição da República, pondo fim a um longo período de transição que começou no Acordo de Bicesse. As mudanças operadas no texto constitucional deram a Angola a oportunidade única de construir um sistema político equilibrado. Num único acto eleitoral os angolanos escolhem uma maioria parlamentar e o Presidente da República que é ao mesmo tempo o chefe do Executivo.
Este modelo permite o sonho de qualquer partido político: ter uma maioria qualificada, um governo e um Presidente. Mas estabilidade política é impossível. Mas também dá aos vencedores uma responsabilidade acrescida porque no fim de cada legislatura apresentam-se ao eleitorado como os únicos responsáveis por tudo o que foi feito e ficou por fazer.
A paz permitiu avanços políticos de extraordinário alcance para o futuro dos angolanos. A paz está na base dos grandes avanços económicos registados e no aumento imparável dos índices de desenvolvimento humano.
O dia 4 de Abril de 2002 é mais do que uma simples efeméride. É o dia em que Angola renasceu e os angolanos puderam enfim desfrutar da liberdade e da independência, ano após ano adiados.

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