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Órfãos de guerra e crianças abandonadas têm centros de acolhimento no Huambo

Adolfo Mundombe|Huambo

A directora provincial da Assistência e Reinserção social do Huambo, Maria Lucília, disse ao do jornal de Angola que com a paz, o índice de crianças abandonadas ou órfãs desceu consideravelmente.

As carências nos lares de acolhimento são muitas mas os responsáveis fazem tudo para que as crianças tenham um ensino de qualidade e espaços de lazer
Fotografia: Francisco Lopes

A directora provincial da Assistência e Reinserção social do Huambo, Maria Lucília, disse ao do jornal de Angola que com a paz, o índice de crianças abandonadas ou órfãs desceu consideravelmente.

Na cidade do Huambo existem quatro centros de acolhimento de crianças, sob a responsabilidade de instituições da sociedade civil. O Ministério da Assistência e Reinserção Social apoia essas instituições com bens alimentares, roupas e material didáctico.
Maria Lucília informou que para além dos centros de acolhimento de crianças, “temos o programa de reunificação de famílias virado para as crianças que se encontram nos lares. Se a criança tiver os pais desaparecidos, tentamos localizar os familiares”.
Nos centros de acolhimento, “o objectivo é formar as crianças profissionalmente e quando atingem a idade adulta ingressam no mercado de trabalho”, disse Maria Lucília.
Durante três anos, o Ministério da Reinserção Social no Huambo registou mais de 400 crianças órfãos que estão a viver nos quatro centros de acolhimento.
A directora provincial do Ministério da Assistência e Reinserção Social afirmou que já existem muitos órfãos de guerra formados e que foram acolhidos em 2003: “exercem funções de serviço público, como enfermeiros, professores, carpinteiros, mecânicos, agentes da Polícia Nacional”.

Casa dos Rapazes

O responsável da Casa dos Rapazes, Adriano Carlos Katiavala, disse que após dois anos de paz, foi reabilitada a residência das crianças, cuja obra ficou concluída no princípio de 2008.
“A paz não se resume ao final do conflito armado, ainda há certos males sociais que prevalecem no nosso seio e temos de combatê-los para que também haja paz nos corações”, realçou.
O responsável da Casa dos Rapazes, uma instituição da Igreja Católica, diz que algumas crianças acolhidas são resultado do conflito armado, “mas temos outras que são vítimas dos males que assolam as sociedades modernas”. Adriano Carlos Katiavala defende que toda a sociedade deve contribuir “para a manutenção desta árvore bendita que se chama paz, para que todos possam colher frutos dessa árvore”.
A Casa dos Rapazes tem 45 órfãos de guerra. Todos os outros são vítimas de fuga à paternidade, “que nos últimos tempos tem destruído a vida familiar, porque na separação do pai e da mãe, a primeira vítima é a criança”.
Adriano Katiavala informou que a falta de condições económicas faz com que o número de crianças seja reduzido porque a casa exige acompanhamento permanente e formação profissional. 
A Casa dos Rapazes foi criada para dar às crianças formação académica e profissional. O lar tem uma escola de artes e ofícios onde as crianças aprendem mecânica. Devido o mau estado em que se encontram as oficinas de carpintaria e serralharia, já não funcionam e esses cursos estão suspenos. O padre Adriano Katiavala pede à sociedade civil, que una esforços “para recuperar este gigante adormecido que é a Casa dos Rapazes”.
As crianças também têm formação plástica, para habilitá-las a seguir as artes.
A Casa dos Rapazes tem apoios de pessoas de boa vontade, instituições políticas, religiosas e ONG mas o parceiro principal é a Igreja Católica. O responsável do lar diz que “não temos uma fonte permanente para fornecer alimentação ao lar mas graças aos apoios do Governo Provincial, que nos tem oferecido bens alimentares, material didáctico, roupas usadas e outros bens, nunca faltou nada às nossas crianças”.

Criança Feliz

O padre e responsável do centro de acolhimento “Criança Feliz”, Alberto Sissimo, disse que a casa existe desde 2003 e surgiu com o advento da paz para acudir às crianças de rua e na rua.
A obra pertence à Igreja Católica e acolheu órfãos de guerra e crianças abandonadas. Começou com cinco crianças numa pequena casa ao lado da Rádio Huambo e aos poucos as necessidades foram aumentando. O Ministério da Assistência e Reinserção Social cedeu um terreno onde foram construídas as instalações onde hoje vivem as crianças com todo o conforto.
Alberto Sissimo disse que “nós vivemos de ofertas da direcção provincial do Ministério da Assistência e Reinserção Social, de pessoas singulares e colectivas, que têm fornecido bens materiais e alimentares. As instalações são razoáveis, ainda não são as desejáveis, mas gerimos com cuidado o que recebemos”.
As crianças no centro de acolhimento “Criança Feliz” fazem três refeições diárias: pequeno-almoço, almoço e jantar. O internato tem uma escola do primeiro ciclo com capacidade para 500 alunos, um posto de saúde, espaços para desporto e lazer e todas as crianças têm formação académica, profissional e recreativa.
O centro acolhe crianças em situação de risco e outras rejeitadas pelas suas famílias. Alberto Sissimo diz que “aqui enquadramos todos os rejeitados e abandonados. Temos alunos externos, que nas escolas regulares não são aceites, e também crianças da zona, provenientes de famílias estruturadas e sem problemas. Por isso, uma das maiores preocupações é o aumento de salas.
O centro de saúde atende as crianças do lar mas também as pessoas dos bairros de Fátima, São Luís e kapango.

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