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Os táxis rápidos e que vão à porta de casa

João Mavinga Jaquelino Figueiredo | Huambo *

Moto-taxistas, os kupapata, sustentam milhares de famílias no Huambo. São, na sua maioria, ex-militares que foram desmobilizados no âmbito dos acordos de paz. Garantem transporte rápido e de porta a porta.

População diz preferir os kupapatas por serem mais rápidos e irem onde os carros não vão
Fotografia: Edson Fabrizio

Moto-taxistas, os kupapata, sustentam milhares de famílias no Huambo. São, na sua maioria, ex-militares que foram desmobilizados no âmbito dos acordos de paz. Garantem transporte rápido e de porta a porta.
Os kupapata surgiram na década de 80, nas antigas praças de São Pedro e do Canhe, onde se realizavam aulas de condução de motorizada. A actividade ganhou corpo tempos depois, nos bairros vizinhos das praças, e era denominada “processo 50”. Os clientes pagavam 50 kwanzas por corrida e as motorizadas também tinham 50 centímetros cúbicos de cilindrada.
Kupapata quer dizer em umbundo “apalpar”. Os moto-taxistas ficaram com este nome por estarem sempre a apalpar o bolso quando recebiam o dinheiro dos clientes. Outra versão para a origem do nome tem a ver com delinquentes que se deslocavam de motorizada para fazer assaltos e violações de mulheres. O nome ficou generalizado através de um programa de rádio designado “pasuka”, que é emitido das cinco às seis da manhã.
Alguns moto-taxistas abordados pelo “Jornal de Angola”, no mercado municipal Omilu, do Huambo, são unânimes em dizer que a designação de kupapata deve ser atribuída ao cliente, por ser ele o primeiro a palpar os bolsos e o condutor.
 
Dificuldades económicas
 
A actividade dos moto-taxistas é tutelada pela Associação dos Motoqueiros e Transportadores de Angola. A instituição garante a protecção dos direitos e interesses dos associados e promove acções de formação dirigidas aos kupapatas, para os dotar de conhecimentos sobre a condução e o domínio do Código de Estrada.  
Manuel Yambi Sousa, de 18 anos, exerce a profissão de kupapata há um ano e cobra 100 kwanzas por corrida. Encontrou nesta actividade a forma de pagar os estudos. O jovem, apesar de possuir poucos recursos financeiros, espera abandonar a actividade para realizar o sonho de estudar no Instituto Médio de Saúde.
Valentim Jamba, de 37 anos e desmobilizado, é kupapata há três anos e trabalha para um patrão. No fim de cada semana tem que lhe entregar quatro mil kwanzas, valor que nem sempre consegue angariar.
Jorge Ernesto, de 26 anos e há sete a trabalhar como kupapata, diz que a profissão nada mudou na sua vida. Pensa vir a ter moto própria, mas o sonho está longe de ser materializado, a julgar pelos reduzidos valores que ganha.
 
Serviços rápidos
 
O cliente João Kassinda usa a moto-táxi como meio de transporte preferencial para as suas deslocações, porque é mais rápido e faz serviço ao domicílio. Para ele, a vantagem deste meio de transporte prende-se com o facto de eles chegarem aos locais onde as estradas não permitem o acesso dos carros que fazem serviço de táxis.
Dados oficiosos indicam a existência de 80 mil moto-taxistas no Huambo, dos quais apenas dez mil estão filiados na Associação dos Motoqueiros e Transportadores de Angola.
O Jornal de Angola apurou que os moto-taxistas da cidade do Huambo são acusados de provocar acidentes e causar embaraços ao trânsito. Procurámos obter elementos junto da Associação dos Motoqueiros e Transportadores de Angola, mas a instituição estava encerrada por motivo das férias da Páscoa.

(*) Com Victor Mayala e Estácio Camassete

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