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Parceria mundial nasce na Chianga

António Canepa| Chianga

O Ministério da Agricultura, em parceria com a Agência Brasileira de Cooperação, Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e o Fundo das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO).

Camponeses têm recebido vários apoios para poderem aumentar a produção no âmbito do programa do Executivo de combate à pobreza
Fotografia: Dombele Bernardo |

Lançou, no auditório da Faculdade de Ciências Agrárias da Chianga, Huambo, o projecto de “Fortalecimento da Capacidade de Pesquisa e Inovação dos Institutos de Investigação Agronómica (IIA) e Veterinária de Angola (IIV)”, com vista a melhorar o seu funcionamento.
O lançamento do projecto é fruto da assinatura do acordo de cooperação tripartida entre o Fundo das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) e os governos do Brasil e de Angola, para fortalecer a acção das instituições públicas de investigação agropecuária do nosso país e enquadra-se no programa de cooperação Sul-Sul de combate à pobreza.
Com duração de dois anos, o projecto é financiado pelo Governo de Angola e pela FAO, com assessoria técnica do Brasil. Entre os seus objectivos contempla, além da formação e capacitação de técnicos nacionais dos respectivos institutos, formular a estratégia nacional de inovação agropecuária e os planos directores do IIA e IIV, desenvolver um sistema de gestão de pesquisa e desenvolvimento orientado para o planeamento participativo e estabelecer um sistema de gestão estratégica de recursos humanos dos respectivos institutos.
Com a cooperação, as partes pretendem assegurar o aumento da produção agrícola, a qualidade de produtos agrícolas, garantir a segurança alimentar, contribuindo desta forma para a redução da fome, da pobreza e o desenvolvimento da a­gricultura no país.
Entre as prioridades do projecto constam também a definição de enfoque e mecanismos de articulação entre a pesquisa e as actividades de difusão e transferência de tecnologias e a elaboração de um plano de necessidades das infra-estruturas de pesquisa do IIA e IIV.
A Embrapa vai fornecer o suporte técnico das actividades e treinar os técnicos nacionais no país e no Brasil. O representante da FAO em Angola, Mamoudou Diallo, disse que o projecto visa o reforço interactivo das instituições de investigação agrícola de Angola, cuja finalidade é o combate à fome e à pobreza.
“Nenhum país pode vencer esta batalha sem investir no sector da investigação. Este é a força motriz para o desenvolvimento agrícola”, realçou o representante da FAO, durante o acto da abertura.
A embaixadora do Brasil, Maria Ediluza Fontinele Reis, afirmou que o seu país sente-se honrado ao fazer parte deste projecto por intermédio da Embrapa, considerando que isso demonstra a confiança de Angola nas instituições de investigação do seu país.
Maria Reis mostrou-se confiante que, no final dos 24 meses que dura a primeira fase do projecto, as instituições de investigação beneficiárias desta cooperação sejam capazes de alargar a sua contribuição na erradicação da pobreza nas comunidades, principalmente rurais.
 
   Huambo sede da investigação

O secretário de Estado da Agricultura, José Amaro Tati, afirmou que a importância da investigação radica na transferência de tecnologias com vista a aumentar a produção e a produtividade de alimentos.
Cerca de 40 técnicos estão em formação nos diferentes escalões de investigação fora do país, o que pressupõe o aumento da capacidade técnica e qualidade de trabalho para esse sector.
Amaro Tati lembrou que houve a grande necessidade de se reorganizar a actividade investigativa depois da guerra que deixou as suas estruturas físicas e humanas quase inoperantes, o que levou as autoridades angolanas a transferir as direcções de investigação para Luanda.
“Depois de vários anos a funcionar em Luanda, houve necessidade de se mudar o sector investigativo para o Huambo, porque desde sempre esta província foi considerada a sede da investigação no país e teve as unidades de referência em África”, sublinhou.
O secretário de Estado pediu aos investigadores esforço, dedicação, entrega e, sobretudo muito trabalho, para que o país aumente nos próximos tempos os índices de produção e qualidade nos seus produtos.
Neste momento estão em recuperação todas as estações de investigação espalhadas em todo o país, com vista a garantir o seu funcionamento e cumprir os objectivos para os quais foram criadas.  O governador provincial do Huambo, Kundi Paihama, considerou a investigação e a inovação pilares de desenvolvimento das sociedades e disse que o Executivo assumiu o compromisso de desenvolver a investigação, criando infra-estruturas capazes de suportar esta actividade, como escolas, centros de investigação e pesquisa e várias outras para o desenvolvimento do país.

Potencial agrícola


“O nosso país possui um grande potencial agrícola e por isso é preciso investigar ou melhorar as espécies existentes, porque catapultam o desenvolvimento desde o ponto de vista tecnológico, intelectual e do país”, realçou o governador, adiantando que foi por esta razão que o Chefe do Executivo, José Eduardo dos Santos, assumiu a investigação como uma das prioridades de governação, dada a sua importância para o crescimento económico do país.
O governador do Huambo disse esperar que o seminário trilateral de lançamento do projecto “Fortalecimento da Capacidade de Pesquisa e Inovação dos Institutos de Investigação Agronómica e Veterinária de Angola” estimule também o empreendedorismo.
Esses projectos são caracterizados por utilizarem um alto volume de recursos financeiros (superior a um milhão de dólares), serem executados durante mais de dois anos e contarem com a presença permanente de um profissional da Embrapa no país, para realizar e coordenar as actividades disse o governador Kundi Paihama.
A pesquisa agropecuária em Angola, refira-se, é desenvolvida principalmente nas estações experimentais da Chianga, na província do Huambo, que dispõe de infra-estruturas e equipamentos de laboratório, e em Malanje.

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