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Pesca artesanal em crescimento

Tatiana Marta | Huambo

As associações de pescadores artesanais da província do Huambo capturaram, nos primeiros dois meses deste ano, 167 toneladas de pescado, informou o chefe de Departamento de Pesca Continental.

Departamento de Pesca Continental na província do Huambo está apostado em apoiar todos os que se dedicam a esta actividade
Fotografia: António Canepa | Huambo

As associações de pescadores artesanais da província do Huambo capturaram, nos primeiros dois meses deste ano, 167 toneladas de pescado, informou o chefe de Departamento de Pesca Continental da Direcção Provincial da Agricultura, Desenvolvimento Rural e Pesca do Huambo, Anáz Vidro.
Este aumento considerável da captura deveu-se à distribuição, no ano passado, de mais embarcações e modernos equipamentos às associações de pescadores pelo Governo Provincial. As associações de pescadores artesanais da província receberam, no ano passado, 47 embarcações e 37 motores, para melhorarem os níveis de captura, facilitarem o seu trabalho e torná-lo mais atractivo e rentável.
Dados fornecidos pela Direcção Provincial da Agricultura, Desenvolvimento Rural e Pescas do Huambo indicam ter havido um aumento significativo, relativamente aos anos anteriores. Em 2008, a captura atingiu 19 toneladas. No ano de 2010, subiu para 159 e no ano passado o número baixou para 142 toneladas. Este ano, disse Anáz Vidro, só em dois meses atingiram 167 toneladas de pescado.
“É um aumento significativo comparado com as capturas realizadas nos anos anteriores”, reconheceu o responsável pela pesca continental na província.
As fracas capturas de pescado deveram-se ao estado obsoleto dos equipamentos utilizados. A actividade de pesca continental no Huambo é exercida por 1.186 pescadores, divididos em 52 grupos, três cooperativas de pesca, um centro de fomento da piscicultura, constituído por 28 tanques, dos quais cinco são artificiais de engorda, 22 de reprodução e uma de decantação.     
A Direcção Provincial da Agricultura, através do Departamento de Pesca Continental, orienta e acompanha os trabalhos de manutenção diária do centro de piscicultura localizado na zona da Sacaála, nos arredores da cidade do Huambo.
Esse ano, foi efectuado o povoamento de três tanques piscícolas, um no município da Tchicala Tcholohanga, igual número na comuna da Chipipa e um outro no município do Huambo. O objectivo é tentar expandir a actividade na província.    
Durante o ano de 2011, as autoridades desenvolveram encontros, sessões de esclarecimentos e orientação com vários grupos de interesse económico. Foram realizadas também recolhas de dados de captura.
Segundo Anáz Vidro, o departamento de pescas efectuou uma sondagem dos preços praticados na província, em relação ao peixe do mar, para comparar com o pescado da água doce e estabelecer um preço realista a ser praticado no mercado. José Kavita, pescador há quatro anos, na bacia do rio Cuando, diz que quando começou a actividade piscatória tinha condições precárias, na medida em que havia carência de meios. Hoje a actividade é mais eficiente, com os novos meios e as condições criadas pelo governo do Huambo.
Kavita e colegas já conseguem vender melhor e maiores quantidades de pescado, em relação aos anos anteriores. A actividade é exercida maioritariamente por homens e jovens. As mulheres dedicam-se à comercialização do produto.
 Maria Helena, 26 anos, assegura que algumas amigas não tinham ocupação, mas hoje, com o aumento da captura do pescado, dedicam-se exclusivamente à venda do produto.
A província do Huambo tem muitos rios e lagos que permitem o crescimento da actividade piscatória.
O rio Cunhoñgamwa, o Cunene e a barragem do Ngove são também outras zonas de pesca continental na província. O governo pretende também organizar sistemas de conservação de peixe nas zonas de maior captura, para permitir que o produto chegue ao consumidor em boas condições.
No âmbito do seu programa de luta contra a pobreza, o Governo do Huambo continua a apoiar os produtores e todos os que se dedicam à pesca artesanal, para melhorar as suas condições de trabalho e elevar os seus rendimentos. Ainda no mesmo quadro, o governo vai criar, dentro de pouco tempo, mais associações piscatórias noutras localidades próximas dos rios.

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