Províncias

População aconselhada a evitar consumir água de rios

Tatiana Marta | Huambo

O director do Centro de Ecologia Tropical e Alterações Climáticas (CETAC), Joaquim Laureano, informou na cidade do Huambo que a maioria das populações das províncias do Huambo e do Bié consome água de má qualidade.

O projecto contempla a investigação laboratorial que tem como objectivo análises físico-químicas e biológicas da água no Planalto Central
Fotografia: Francisco Lopes



Joaquim Laureano, que se referiu às condições de água consumida nas províncias do Huambo e Bié, sublinhou que as várias investigações feitas concluíram que a maioria das populações do interior consome água de má qualidade por falta de educação sanitária e orientação.
“Existem também critérios que se explicam pelos deficientes procedimentos administrativos e técnicos dos serviços de abastecimento da água, provocados, muitas vezes, por vazamentos e rompimentos de redes”, disse o responsável.
O director salientou que há igualmente falta de investimento em programas de reutilização da água para fins industriais e comerciais, uma vez que a água tratada depois de utilizada é devolvida aos rios sem tratamento, em forma de efluentes, esgotos e, portanto, poluída, que volta a ser utilizada pela população, a partir das nascentes.
O Centro foi criado pelo Executivo com o objectivo de realizar investigação aplicada na interfase entre a ecologia e alterações climáticas e tem procurado divulgar regularmente os trabalhos realizados, com vista a contribuir na melhoria da qualidade de vida das populações e conservação dos ecossistemas.
“Com este Centro, o Executivo reconhece a necessidade de reforçar a protecção dos ecossistemas sensíveis e vulneráveis e das espécies da fauna e flora raras e ameaçadas de extinção, além do apoio da dinamização de estudos técnicos e científicos sobre a conservação da natureza e dos recursos naturais renováveis”, disse.
O CETAC desenvolve investigações aplicadas, no sentido de assegurar a qualidade ambiental e melhor gestão da água, realização de estudos de qualidade ambiental dos ecossistemas aquáticos e terrestres.
O Centro interage também com as universidades na formação e capacitação, a vários níveis, inclusive pós-graduados, apoiando o desenvolvimento de parcerias para a formação de quadros especializados, proporcionar actividades de investigação aplicada nas áreas das Ciências do Ambiente e da Ecologia Tropical.
                                           
Desflorestação e queimadas

A prática de queimadas e abate indiscriminado de árvores está a tirar o sono às autoridades científicas ligadas ao ramo ambiental. O director do CETAC disse que a instituição está muito preocupada com as constantes queimadas de florestas e abate de distintas espécies existentes, por caçadores furtivos e carvoeiros, principalmente no período de cacimbo, por prejudicar o meio ambiente.
A violência sobre a fauna e a flora acarreta consequências trágicas para o próprio homem e outros seres vivos. Na província do Huambo, de acordo com Joaquim Laureano, este problema está seriamente identificado.
“O abate de árvores não é proibido, mas é necessário que os cidadãos observem certas regras para a preservação da flora e fauna”, disse, apelando à repovoação das espécies.
A caça furtiva, a lenha e o fabrico de carvão vegetal estão na base da degradação ambiental, sobretudo na periferia da cidade, limitando a regeneração natural das árvores para a cobertura da fauna e flora.
“As árvores protegem o solo das enxurradas, dos ventos e servem de habitat para os animais”, referiu o responsável, apontando que essa é a razão pela qual se torna imperativo o homem proteger e conservar a flora e a fauna.
Este factor, referiu, tem contribuído para que se registe ausência de chuvas e baixa produção de alimentos, assim como água para os habitantes e animais, principalmente nas zonas rurais.
Joaquim Laureano chama a atenção da sociedade no sentido de se empenhar mais na conservação da natureza para salvar o bem adquirido ao longo dos anos e tornar a província na capital ecológica de Angola. O crescimento dos centros urbanos e o modo de vida adoptado pelas populações após o fim do conflito, que aponta para o aumento de hábitos de consumismo, próprios das grandes cidades, estão na origem das mudanças climáticas e alterações ambientais.
“Os recursos naturais da província do Huambo, como a água, terra, flora e fauna e especialmente as amostras representativas do Morro do Moco devem ser salvaguardados para servir os interesses das gerações presentes e futuras, mediante planeamento e gestão cuidadosa”, aconselha o director.
                                           
Investigação laboratorial

O projecto contempla a investigação laboratorial, que tem como objectivo análises físico-químicas e biológicas da água, caracterizar o estado físico-químico e biológico dos recursos hídricos, padronizar e certificar análises de água, monitorizar a qualidade da água para consumo humano, actividade agrícola e industrial, analisar o impacto das actividades humanas sobre os recursos hídricos, assim como caracterizar as linhas de água e seu estado de poluição.
Em funcionamento há dois anos, realiza análises da qualidade da água de algumas nascentes e rios. Visa também apoiar o projecto de estudo sobre o estado das nascentes do Planalto Central, onde já foram testadas 16 nascentes.
De acordo com os resultados, concluiu-se que muitas nascentes não oferecem boa água para o consumo humano, por serem utilizadas para a lavagem de carros e roupa e depois da sua utilização voltarem para as nascentes e rios com uma quantidade de substâncias químicas prejudiciais à saúde das populações.
A CETAC está engajada na determinação do potencial hídrico da província do Huambo, ajudar a combater a poluição dos recursos hídricos e está a proceder também ao diagnóstico das actividades poluentes, para propor medidas para a sua mitigação e elaborar legislação sobre a poluição. O técnico de laboratório de solos, Pedro Cakumba, afirmou que a sua área está encarregada de caracterizar os solos em termos das suas propriedades físicas, químicas e biológicas e realiza estudos sobre os macro e micro nutrientes do solo.
A área apoia também a aplicação de projectos de gestão sustentável de terras, analisa as propriedades das lamas provenientes das Estações de Tratamento de Resíduos Sólidos Urbanos  e determina a aptidão dos solos para diferentes usos.
De acordo com o técnico, da avaliação feita aos solos encontraram-se várias deficiências de macro nutrientes, como o fósforo, o cálcio e manganésio e outros apresentam elevados níveis de cloro, tornando-se prejudiciais para as culturas. Para contrariar os efeitos nocivos para a agricultura, a Direcção está a criar uma estratégia que visa apoiar os agricultores na hora de   decidirem o uso de fertilizantes.

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