Províncias

Problema está prestes a ser resolvido

Juliana Domingos | Huambo

O vice-governador do Huambo para o Sector Político, Guilherme Tuluca, disse que o Governo está preocupado com o fenómeno de crianças e moradores de rua e prometeu para breve acções concretas para acabar com este fenómeno na província.

Centros de acolhimento da província tentam proporcionar alegria e carinho aos que desprezados em casa optaram pela rua
Fotografia: Kindala Manuel

As acções começam com o diagnóstico dos principais problemas que vive esta parte da população, para depois definir os mecanismos para a sua resolução, mediante a criação de mais escolas, centros de acolhimento e melhoria das condições para a sua total inserção na sociedade.
O governante, que falava na primeira reunião ordinária do Conselho Provincial de Concertação Social, realçou como grande objectivo do Executivo a eliminação do fenómeno criança trabalhadora e de rua, definir a sua integração total na sociedade e garantir os seus direitos fundamentais e o bem-estar.
O director provincial em exercício do Instituto Nacional da Criança (INAC), Aurélio Augusto, defendeu a a construção de mais centros para o acolhimento, internamento e formação profissional e artes, tendo em consideração os problemas que surgem nas famílias para melhorar as suas condições sociais.
“O Governo, através de outras instituições e parceiros sociais, vai responsabilizar os exploradores de crianças e vai cerrar combate contra o trabalho infantil”, garantiu.
O director provincial em exercício do INAC defendeu igualmente o envolvimento de toda a sociedade, com realce para as autoridades tradicionais, encarregados de educação e tutores, no sentido de reforçar a educação nas comunidades e recuperar os valores culturais e os bons hábitos. Os casos de desistência escolar por falta de alimentos também são muito frequentes nos municípios e aldeias.
“Há meninos que, por chegarem muito cedo à escola, vão às aulas sem comer nada e em função disso fogem”, afirmou o responsável. A directora provincial da Assistência e Reinserção Social, Maria Lucília, disse que o processo de reunificação das crianças com as famílias é feito em três fases. A primeira compreende a localização dos focos, seguida do registo para se saber os motivos que as levaram a estar nas ruas e a identificação dos seus familiares e posteriormente a reintegração nos lares de proveniência ou centros de acolhimento.
“Muitas rejeitam voltar para a família, com medo de passarem outra vez pelas mesmas circunstâncias que as levaram a refugiar-se nas ruas”, disse, e acrescentou que têm realizado campanhas de sensibilização das famílias.
Outra preocupação é o aumento de mendigos na via pública, supermercados e bares e à porta das igrejas. Para este combate é necessário o envolvimento das Direcções da Educação, Antigos Combatentes e Veteranos da Pátria e da Família e Promoção da Mulher, além de outras instituições que concorrem para a promoção dos valores culturais, morais e cívicos da sociedade. “As famílias devem ter consciência do seu papel e compreender que o melhor lugar dos seus membros é na própria família”, sublinhou, e referiu que muitos mendigos são menores de idade, que ficam nas ruas, bares e supermercados, por orientação dos pais ou dos encarregados de educação.
As pessoas assistidas, entre elas os mendigos, têm trocado os bens alimentares e vestuário que recebem por bebidas alcoólicas, disse a directora provincial.

Famílias na rua

Maria Lucília também se mostrou preocupada com o aumento de famílias a morarem nas ruas, sobretudo no bairro Académico e na cidade baixa, onde muitos escombros e partes térreas de edifícios estão transformados em habitações.
“A situação de pessoas moradoras de rua é uma realidade triste, tal como de mendigos. A diminuição passa por vários sectores, na medida em que muitos cidadãos, por terem uma mínima deficiência, abandonam as famílias e os estudos por não se considerarem suficientemente úteis para prestarem serviço à sociedade”, argumentou.
Muitas dessas pessoas, com realce para as que se instalaram próximo das lixeiras do prédio do Ango-Hotel, já tinham sido enviadas aos seus parentes, no município do Londuimbali, cuja vila está situada 95 quilómetros a nordeste da cidade do Huambo, mas, por falta de vontade de trabalho e de condições para sustentarem os seus vícios (consumo de bebidas alcoólicas e tabagismo) regressaram à cidade do Huambo.
“Vamos continuar a localizar os moradores de rua e posteriormente identificar as suas famílias para serem encaminhados, além de merecerem um acompanhamento psicológico para determinar possíveis desvios mentais”, concluiu a directora da Reinserção Social.

Tempo

Multimédia