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Produção alimentar no bom caminho

António Canepa|Huambo

A produção alimentar está a crescer na província do Huambo, impulsionada pelos projectos públicos e privados e o apoio da banca aos grandes e pequenos produtores associados em cooperativas.

O mercado da Calenga na estrada da Caála permite aos camponeses a venda dos excedentes da colheitas e os consumidores têm acesso aos produtos a preços baixos
Fotografia: Fernando Cunha

A produção alimentar está a crescer na província do Huambo, impulsionada pelos projectos públicos e privados e o apoio da banca aos grandes e pequenos produtores associados em cooperativas.

O objectivo do Governo Provincial é tornar o Huambo auto-suficiente em alimentos e acabar com a fome e a pobreza nas comunidades. Os programas do Executivo têm facilitado o crescimento de pequenos e grandes negócios na província e o melhoramento das condições de vida das famílias rurais. A província conta com um dos maiores mercados da região, localizado a dez quilómetros da vila da Caála, na estrada nacional que liga à província de Benguela. A Calenga é ponto de passagem obrigatório para quem pretenda adquirir produtos do campo e carne. Os preços são imbatíveis e revendedores de todo o país frequentam diariamente o mercado.
O mercado da Calenga tem um matadouro privado equipado com câmaras frigoríficas. Dali sai carne para toda a região e de excelente qualidade. Milhares de pessoas compram e vendem os mais variados produtos do campo, sempre frescos e a preços imbatíveis. A actividade começa ao amanhecer. Esse período é destinado aos revendedores. Mais tarde começam a chegar os consumidores particulares que encontram na Calenga produtos de qualidade a preços baixos. Praticamente todos os mercados urbanos do Huambo, Bié e Benguela são abastecidos de produtos agrícolas pela Calenga.
Os vendedores dizem que os melhores dias de vendas são as terças, quintas e sextas- feiras. Outubro, Novembro e Dezembro são os meses de melhores negócios. Nesta altura, segundo as vendedoras, os produtos não demoram nos armazéns, há muita procura, o que facilita o aumento das vendas e mais lucros porque os preços sobem um pouco.
Os produtos comercializados são de produção local, adquiridos nas fazendas dos grandes produtores da região. Mas os pequenos camponeses associados em cooperativas têm igualmente um peso grande no fornecimento de produtos alimentares. Do Longonjo e Ukuma chegam excelentes produtos hortícolas, sobretudo alho e cebola.
Os preços variam de acordo com a proveniência e a distância. Domiana Ngueve diz que há alturas do ano em que os produtos sobem de preço porque as estradas ficam intransitáveis devido às chuvas e os transportes para a Calanga ficam também mais caros. Os lucros descem mas os vendedores ainda conseguem ter lucros.
Anastácia Maria vende repolho e tomate em grandes quantidades. Compra o saco de 25 quilos a 2.500 kwanzas e vende-o a 3.000. Os compradores que queiram adquirir o produto a retalho, têm vários preços que vão dos 100 aos 320 kwanzas. O tomate tem preços variáveis. Uma banheira de três quilos está a 200 kwanzas mas o saco de 25 quilos pode ser adquirido a mil.
Um quilo de feijão catarino custa no mercado da Calenga 200 kwanzas. As outras variedades são mais baratas e custam180 kwanzas.
Além de hortícolas, o mercado da Calenga oferece outros produtos como soja, milho, trigo, banana, jindungo e beringela. Os alhos são o produto mais caro. As vendedoras dizem que o preço está “um pouco puxado” porque o produto não aparece muito na região.
O alho comercializado no mercado da Calenga é proveniente dos municípios vizinhos e adquirido a preços altos. Feliciana Tchilombo antes vendia fuba de milho, mas decidiu vender cebola “porque dá mais rendimento”. O negócio tem altos e baixos: “há dias em que temos muitos clientes e conseguimos vender bem, mas há também aqueles dias em que voltamos para casa sem nada”.
A cebola é um produto que sai bem e dá bom rendimento. O tomate e a batata rena têm preços muito acessíveis no mercado da Calenga. Muitos comerciantes vendem por encomenda aos clientes de Luanda, Benguela e da cidade do Huambo. “Temos clientes que nos mandam guardar produtos a partir de Luanda ou Benguela, principalmente na época das festas”, afirmou, satisfeita, Elvira Madalena, vendedora de batata.

Venda de carne
 
O mercado da Calenga é forte em carne de vaca. É o único mercado onde é possível comprar carne de vaca a baixo preço. Um quilo de carne de primeira custa entre 650 e 700 kwanzas. A carne de segunda custa entre 550 e 600 kwanzas.
Todos os dias são abatidas cinco cabeças de gado. Os preços praticados na Calenga fazem com que donos de restaurantes e clientes privados recorram ao mercado para adquirirem os seus produtos.
Margarida Jamba reside na cidade do Huambo. Recorre regularmente ao mercado da Calenga para comprar verduras, batata e carne, porque os preços são muito acessíveis em relação aos praticados na cidade: “na cidade, um quilo de carne chega a custar 1.100 kwanzas. É muito caro, sobretudo para as famílias numerosas, por isso venho quase sempre a este mercado para fazer compras.
Muitos produtos vendidos na Calenga provêm de outros municípios da província do Huambo. Mas a comuna também é produtora por excelência de batata, repolho, cebola, pimento, beringela e outros hortícolas.
A fama da Calenga chegou a todo o país. Clientes de todas as paragens fazem do mercado paragem obrigatória. A intensa actividade comercial, os produtos de qualidade e os baixos preços são atractivos importantes mas a comuna oferece também paisagens agradáveis.

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