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Professores reclamam por melhores condições

Juliana Domingos | Longonjo

A fuga de professores dos postos de trabalho, alegadamente por falta de condições, a­liado ao mau estado das vias, no município do Longonjo, província do Huambo, está a preocupar a repartição da Educação, disse ao Jornal de Angola o responsável pelo sector na circunscrição.

Centenas de crianças do município estão privadas de aulas porque os professores ficam mais tempo ausentes dos seus postos de trabalho
Fotografia: Ja.Imagem .com

Valentino Muquinda informou que a falta de condições sociais leva à desistência de docentes, sobretudo em período de época chuvosa, durante a qual encontram grandes dificuldades para se deslocar para as escolas.  
A situação é mais preocupante nas comunas e aldeias distantes das zonas urbanas, o que leva com que muitas crianças estudem em condições precárias, enquanto outras assistem aulas em capelas, uma forma que se encontrou para garantir a continuidade das aulas no Longonjo.

Ano lectivo

No município foram matriculados, no presente ano lectivo, 359.934 alunos, da primária classe ao ensino secundário.
As aulas são asseguradas por 1.068 professores, um número que não satisfaz.O chefe da Repartição da Educação, Valentino Muquinda, considerou que para cobrir a rede escolar a nível do Longonjo são necessários, pelo menos, mais 450 professores, principalmente paras as comunas mais populosas, como Catabola e Chilata. Longonjo conta com 88 escolas, 81 das quais do ensino primário, sete do primeiro ciclo, uma do segundo e destas, apenas 18 são de construção definitiva.
 As restantes são comunitárias, erguidas pelos pais e encarregados de educação.
As escolas são, na sua maioria, feitas de adobe e algumas com cobertura de capim, mas não oferecem condições de segurança, em função das intensas chuvas que já se começam a sentir na região. “Estas escolas são para remediar, porque com muita chuva podem rachar ou mesmo desabar, perigando a vida das crianças”, disse.
A construção de mais escolas está garantida e o aumento de número de professores, com a realização do concurso público, previsto para os próximos meses na província do Huambo.
A situação está a preocupar os pais e encarregados da educação. “Alguns professores passam mais tempo na cidade ao invés de trabalhar e quando aparecem ficam um ou dois dias e abandonam o trabalho, sem dar satisfação”, desabafou Valentino Muquinda.
“As condições dos docentes são precárias e, neste âmbito, sugerimos ao Governo Provincial que quando se construir uma escola deve-se erguer uma residência para os professores que vivem distante”, disse.

Merenda escolar


O Programa "Merenda escolar" abrange 11 estabelecimentos  de ensino e espera-se que nos próximos anos outros sejam também contemplados.
O município conta com 66 alfabetizadores, divididos em duas brigadas, constituídas por voluntários e membros de algumas igrejas, Forças Armadas Angolanas, ADPP e Polícia Nacional que, em compensação, recebem alguns subsídios.
No processo de ensino no município de Longonjo estão inseridos 425 adultos, maioritariamente mulheres, nos métodos “Sim eu posso” e “Módulos um, dois e três”.
O aproveitamento é satisfatório, tanto em relação ao nível alcançado pelos alfabetizandos, como a entrega do pessoal envolvido no processo.

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