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Projectos sociais melhoram a vida na Calenga

Marcelino Dumbo |Calenga

A vida na comuna da Calenga, município da Caála, está a melhorar consideravelmente, com o surgir de novas infra-estruturas sociais e o aumento da oferta de bens e serviços sociais básicos à população.

A administração está em melhores condições para traçar planos de desenvolvimento
Fotografia: Marcelino Dumbo

A vida na comuna da Calenga, município da Caála, está a melhorar consideravelmente, com o surgir de novas infra-estruturas sociais e o aumento da oferta de bens e serviços sociais básicos à população.
O governo da província do Huambo, no quadro do seu programa de melhoramento da prestação dos serviços às populações, está a levar a cabo vários projectos que têm dado outra dinâmica às zonas rurais.
Foram erguidas na sede da comuna novas estruturas administrativas, residências para os quadros, casas comerciais, um centro de saúde para atender 20 pacientes por dia e quatro postos médicos, em pleno funcionamento nas aldeias e ombalas mais distantes. Foram ainda melhoradas algumas vias de acesso, para facilitar a circulação de pessoas e bens.

Pólo de desenvolvimento

Com uma superfície de 389.023 quilómetros quadrados, a comuna da Calenga situa-se a 30 quilómetros a Oeste da cidade do Huambo e constitui um dos principais pólos de desenvolvimento agrícola.
Geograficamente, limita-se a Norte com o município do Ekunha, a Leste com o município sede da Caála, a Sul com as comunas da Catata e Cuima e a Oeste com a comuna do Lépi, município do Longonjo.
Calenga tem uma população estimada em 28.429 habitantes, que se dedica, fundamentalmente, ao cultivo de batata rena e doce, ginguba, soja, milho, feijão, hortícolas e à criação de gado bovino, suíno, caprino e aves.
Nos últimos tempos, transformou-se em paragem obrigatório para os que procuram carne abatida a preços mais baixos.
O administrador da comuna, Lutonádio Samuel Ntima, disse que a Calenga é fornecedora de alimentos à região desde tempos idos e está agora a reconquistar, de forma paulatina, os níveis produtivos, embora ainda de maneira tímida. “São muitas as pessoas que procuram produtos alimentares da Calenga, por saberem que aqui se produz um pouco de tudo”, disse o administrador, acrescentando que futuramente será ainda melhor, já que os índices de produção aumentam de época para época.  
Samuel Ntima disse que aos poucos o quadro está a mudar, porque o governo continua a apostar no aumento da produção.

Projectos sociais

Na comuna da Calenga foram reabilitados os sistemas de captação e distribuição de água potável e as escolas comunitárias das aldeias de Evila, Capiñgala, Cangango, Cossito II, Cambembwa e Sanzala Mota.
No mesmo quadro, foram erguidas escolas, postos de saúde e jangos comunitários, nas aldeias de Chicala, Cassupi II e Ngolo. Na sede da comuna foram construídos novos escritórios da agricultura, um campo desportivo para a recreação de jovens e uma estação do Caminho-de-ferro de Benguela. As obras da central da Angola Telecom estão em fase de conclusão.
No âmbito do programa de apoio às populações afectadas pelas calamidades naturais, a administração da comuna distribuiu chapas de zinco a 24 famílias das aldeias de Evila e Jâmbico, que tinham sido desalojadas pelas chuvas. As principais vias de acesso e respectivas pontes estão também a ser reabilitadas, para permitir uma melhor mobilidade de pessoas e mercadorias e ajudar a troca comercial entre habitantes das diferentes localidades, aldeias e ombalas da circunscrição.
De acordo com o administrador, a comuna conta com um financiamento do Banco de Desenvolvimento de Angola (BDA) e do Banco Africano de Desenvolvimento (BAD), para os projectos e apoio a pequenos produtores e associações de camponeses.
Defendeu, por outro lado, a necessidade de se fomentar o crédito aos jovens, para que possam desenvolver os seus negócios, evitando-se a delinquência no seio desta camada, e massificar o comércio rural.
A administração controla actualmente 12 lojas do comércio formal e três do informal, uma de comércio permanente e 15 paralisadas, convidando os empresários a investirem na agricultura, hotelaria, comércio e indústria, para dar mais emprego aos jovens.

Serviços sanitários

Os serviços de saúde na Calenga são satisfatórios. O atendimento ao público melhorou em toda a extensão da comuna. O administrador disse que vão ser estendidos a outras localidades para facilitar a vida das populações que vivem ainda mais distantes.
As doenças mais frequentes, de acordo com as estatísticas, são o paludismo, as infecções urinárias, doenças diarreicas e respiratórias agudas, anemias, amigdalite (anginas), conjuntivite, gastrite, parasitoses intestinais, meningites e problemas de hipertensão, estes em menor escala.
O grande problema da comuna, de acordo com o administrador, é a falta de médicos especializados, enfermeiros e auxiliares, tendo em conta a sua extensão, já que conta apenas com 57 técnicos, distribuídos pelas localidades de Capunge, Cassupi, Sucuandjali, Alto Calçai, Chicala e na sede.        
De Janeiro a Dezembro do ano passado, o sector da saúde  atendeu perto de 12 mil pessoas, nas consultas de pediatria, obstetrícia, medicina e puericultura.
O centro da sede registou, no mesmo período, mais de 300 partos, entre institucionais e domiciliares. Para os partos o centro conta com o apoio de parteiras tradicionais, espalhadas pelos bairros periféricos da vila. 
As estatísticas apontam para o nascimento, no centro, de 15 a 25 bebés por mês, sem considerar os partos domiciliares. No quadro do programa do governo de erradicação das doenças, mais de seis mil crianças, menores de cinco anos, foram imunizadas contra a pólio, sarampo, febre-amarela e outras endemias.
Para a cobertura do quadro de pessoal, o sector da saúde da Calenga necessita de mais 43 efectivos, entre enfermeiros, farmacêuticos e pessoal de base para o apoio à rede hospitalar e de mais oito camas para o centro.      

Educação e ensino

Estão em funcionamento, na comuna, 30 escolas, das quais apenas oito com infra-estruturas consistentes. As demais são provisórias, erguidas pela comunidade em algumas aldeias e ombalas. Lutonádio Samuel Ntima disse que a Calenga, pela sua dimensão territorial, precisa de mais 32 escolas e 70 novos professores para se juntarem aos 195 existentes.
Assegura que a comuna não tem alunos fora do sistema normal de ensino, mas tem alunos que estudam ao ar livre, por falta de salas de aulas. Mais de dez mil foram matriculados o ano passado e este número tende a aumentar no presente ano lectivo.
Apesar das dificuldades, as aulas têm decorrido dentro da normalidade e o administrador elogiou a atitude dos encarregados de educação e da população em geral, que têm contribuído para o bom funcionamento da instituição, sobretudo a comissão de pais.
O programa de merenda escolar não era implementado na comuna, por falta de verbas, mas, de acordo com Samuel Ntima, vai passar a sê-lo este ano, para ajudar a reduzir os índices de desistência por parte dos alunos.
A comuna precisa também de uma escola do segundo ciclo do ensino secundário, da 10ª à 12ª classe, para se evitarem as deslocações à sede do município da Caála.
 
Perspectivas agrícolas 

A queda regular de chuvas tem permitido boas safras de produtos do campo e na campanha agrícola deste ano, segundo as autoridades locais, foi projectada a preparação de mais de dez mil hectares de terras, distribuídos entre famílias, cooperativas e associações de camponeses.
Na presente safra espera-se colher mais de dez mil toneladas de produtos diversos, entre cereais e hortícolas, como tomate e cebola.
No último encontro que o governador da província, Faustino Muteka, manteve com os 85 sobas dos onze municípios, um dos pontos fulcrais foi o apoio ao sector agrícola, para tornar mais eficiente a produção de alimentos e reduzir a fome no seio das populações do Huambo.
Os camponeses pediram mais sementes, instrumentos agrícolas, fertilizantes, tractores e gado para tracção animal.    
Para manter o estado normal dos produtos perecíveis, a comuna conta com câmaras de conservação e transporte para levar os produtos aos principais mercados.

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