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Qualidade de ensino melhora no Huambo

Tatiana Marta| Huambo

O reitor da Universidade José Eduardo dos Santos, Cristóvão Simões, disse ontem em conferência de imprensa que os 12 anos de paz estão na base da qualidade de ensino e aprendizagem.

Um ângulo da cidade capital do Huambo onde os jovens possuem actualmente cada vez mais oportunidades para frequentarem o ensino universitário
Fotografia: Vigas da Purificação

Cristóvão Simões sublinhou que a Quinta Região Académica, que compreende as províncias do Huambo, Bié e Moxico, cresceu de forma considerável, tendo em conta o número de professores, estudantes e infra-estruturas.
“Hoje a Universidade José Eduardo dos Santos conta com mais de dez mil estudantes e este ano vai ministrar 29 cursos de licenciatura, além dos cinco de pós-graduação, na vertente de mestrado, que já decorrem desde 2012”, salientou o reitor.
O Instituto Superior Politécnico do Huambo oferece este ano dois cursos novos, Engenharia Mecânica e Engenharia Hidráulica.
A província do Huambo é rica em recursos hídricos e está ao Oceano pelo Caminho-de-Ferro de Benguela, factores que estão na base da abertura dos cursos de Informática e Engenharia Hidráulica, no Instituto Superior Politécnico, e a criação do curso de Engenharia Ambiental no próximo ano.  
A Universidade José Eduardo dos Santos é constituída por oito Faculdades públicas e três privadas, cujos primeiros licenciados concluíram a formação em 2013, num total de mais de 200 estudantes.
Para este ano, o número de graduação é maior em relação aos anos anteriores.
Quanto à Cidade Universitária, já está em estudo a sua concretização e numa primeira fase são construídas as Faculdades de Economia e Direito.“A maior parte das conquistas que temos hoje no domínio do ensino superior não era possível em ambiente de conflito armado. Com a paz, as províncias do Moxico e Bié apresentam uma grande avidez pelo ensino superior e cada uma delas tem mais de dois mil estudantes”, afirmou Cristóvão Simões.
O decano da Faculdade de Direito, João Valeriano, disse que com a paz alcançada a 4 de Abril de 2002, os estudantes deixaram de se deslocar para Luanda para efectuar alguns exames e hoje o processo de ensino e aprendizagem é mais saudável.
O desempenho das mulheres no mercado de ensino é satisfatório. “Actualmente cerca de 45 por cento dos estudantes de Direito são mulheres”, disse.
O decano da Faculdade de Direito acrescentando que em tempo de guerra muitas famílias estiveram desavindas e a separação entre pais e filhos era uma constante, em função do momento de instabilidade que o país viveu.
Joaquim Tchitumba, 82 anos, disse ao Jornal de Angola que se recorda da separação dos seus filhos que por força da defesa da pátria tiveram de ingressar nas Forças Armadas, uma separação que se prolongou por muitos anos.

Famílias mais unidas

“Graças à paz, hoje o país conhece um grande desenvolvimento nos vários domínios da vida social e as famílias estão mais unidas e coesas”, disse o ancião.
Sua esposa, Joana Tchitava Tchitumba, 77 anos, disse que como fruto da paz tem a alegria de partilhar bons momentos com os filhos. “A unidade entre os distintos membros da família é um facto indiscutível.
O casal deixa um apelo à camada juvenil para que cada um preste o seu contributo no reforço da unidade e reconciliação nacional. O padre Armando Dimas referiu que a unificação das famílias é um dos grandes dividendos da paz para os angolanos. “A paz é um bem maior entre os homens”, sublinhou o prelado.
O pároco faz recurso ao Evangelho e sublinha que a guerra foi um motivo de separação das famílias, sendo por isso importante cultivar no seio de todos os homens e mulheres o espírito de paz interior, para a manutenção e coesão das famílias angolanas.
O sociólogo José Maria Katiavala acrescenta que a paz permitiu a normalidade institucional e política do país, com reflexos directos para a família, como núcleo fundamental da sociedade.
“A paz permitiu a unificação das famílias e a reconciliação entre os angolanos, independentemente das suas convicções políticas e religiosas, raça e etnia”, referiu o sociólogo.

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