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Reabilitação da rede eléctrica do Huambo e Cáala

Carlos Bastos | Huambo

Na província do Huambo, a rua do Comércio assiste desde quarta-feira a implementação de um projecto que visa relançar o fornecimento de energia eléctrica à sede provincial e à localidade da Caála.

Projecto arranca com a construção de uma linha de média tensão de 30 kilowatts com seis quilómetros de extensão entre as subestações do Benfica e São Pedro
Fotografia: M. Machangongo

Na província do Huambo, a rua do Comércio assiste desde quarta-feira a implementação de um projecto que visa relançar o fornecimento de energia eléctrica à sede provincial e à localidade da Caála.
O programa, que vai criar 200 postos de trabalho, está a ser realizado pela Empresa Nacional de Electricidade (ENE), e arranca com a construção de uma linha de média tensão de 30 kilowatts, com seis quilómetros de extensão, entre a subestação do Benfica e do São Pedro. Segundo Job Vilinga, um dos administradores da empresa, o projecto está também destinado ao fornecimento e montagem de materiais e equipamentos eléctricos no Huambo.
O projecto contempla, ainda, a reabilitação parcial do posto de seccionamento das ruas do Comércio e do São Pedro e a instalação de 45 postos de transformação.
Job Vilinga disse ainda que o projecto reserva a construção de 132,5 quilómetros de rede subterrânea de média tensão de 15 kilowatts e a construção de 190 km de rede subterrânea de baixa tensão na zona urbana da cidade, o estabelecimento de 8.500 novas ligações e a edificação da rede de iluminação pública para 2500 focos luminosos.
Para a Caála, de acordo com dados fornecidos por Job Vilinga, está estabelecida a reabilitação parcial e ampliação da subestação da central que vai implicar a instalação de um transformador de 1.600 kilowatts e a instalação de sete postos de transformação, a construção de seis quilómetros de rede subterrânea de média tensão (15kv) e 77 quilómetros de rede aérea de baixa tensão, entre outras acções.
Além da Empresa Nacional de Electricidade (ENE), as partes envolvidas na execução do projecto são a China Nacional Machinery & Equipment Import e Export Corporation e a Obrangol Engenharia.

18 meses de execução

Job Vilinga disse que o prazo para a execução do contrato está estabelecido em 18 meses e o projecto visa, sobretudo, garantir maior fiabilidade na exploração das redes eléctricas das cidades do Huambo e Caála.
O responsável admite que, com a reabilitação da iluminação pública, vai se aumentar o nível de segurança pública nos bairros da cidade e melhorar a qualidade de fornecimento de energia eléctrica e a criação de condições para maior acesso à energia eléctrica.
O acordo rubricado entre as partes signatárias do projecto estima que este vai proporcionar o desenvolvimento económico e industrial do Huambo e Caála, consagra a formação profissional dos técnicos da ENE, particularmente nos domínios da operação e manutenção dos novos equipamentos que vão ser instalados.

O projecto de Belém

A 12 quilómetros da cidade do Huambo, no Belém, está a ser construída a nova subestação eléctrica, um projecto inovador que vai assegurar o transporte de energia a partir da barragem do Gove, cujo andamento dos trabalhos indicia a sua conclusão para o próximo ano.
Futuramente, o Belém vai garantir uma linha de transporte de energia, com capacidade de 220 kilowatts para a província do Bié. De momento, decorre o processo de formalização da adjudicação da obra para a linha de transporte da barragem do Gove à Belém e às subestações do Benfica e Caála.

Investimento no Gove

Carlos Oliveira, da Telentrif, empreiteira da obra fiscalizada pela empresa GAMEK (Gabinete de Aproveitamento do Médio Kwanza), disse que os trabalhos da linha do Gove/Huambo ainda não arrancaram.
Explicou que o projecto e os estudos já foram realizados e está a ser aguardada apenas a formalização do contrato, que vai decorrer durante o mês de Junho.
Para dar consistência ao projecto, garantiu, a Telentrif vai transportar para a barragem do Gove parte do equipamento eléctrico que era destinado ao Bié, em função da importância e da urgência desta infra-estrutura, nesta fase.
Informou que a linha que vai transportar energia do Gove até Belém tem 100 quilómetros de extensão, dotada de 60 megawatts, e a subestação vai ter dois transformadores de 60 megawatts para distribuir energia às subestações do Benfica e Caála, enquanto a de Belém ao Bié contempla 156 quilómetros.
O secretário da Estado de Energia, João Baptista Borges, defende que a reconstrução da barragem do Gove tem importância regional no desenvolvimento das províncias do Huambo e Bié.
Considera que a construção da barragem do Gove está numa fase adiantada. “Existem ainda algumas dificuldades, que deverão ser ultrapassadas, concretamente com o atraso de pagamentos, que dificultam a concretização de alguns trabalhos”, assinalou.
Na sua perspectiva, tudo aponta que se vai viabilizar o arranque da primeira unidade desta empreitada antes do fim do primeiro trimestre de 2011.
Reconhece que da Empresa Nacional de Electricidade há um esforço no sentido de melhorar a capacidade de geração e distribuição da energia eléctrica que deve prosseguir. “Os recursos naturais são abundantes. Existe um levantamento que indicia a existência de algumas áreas de actuação estratégica, como é o caso da exploração da biomassa florestal. Acreditamos que esta região tem perímetros florestais consideráveis, e uma boa gestão destes perímetros permitirá, não só ser explorados para a produção de energia eléctrica, bem como reflorestar estas áreas, no quadro da preservação ambiental”, indicou.
A gestão da Secretaria de Estado de Energia equaciona, num futuro próximo, a utilização nas centrais eléctricas da biomassa, justificando “que ela poderá compensar a produção hídrica, uma vez que os rios são conseguem o mesmo caudal durante o ano”.
Outra alternativa, apontada fundamentalmente para os municípios, traduz-se na exploração de micro centrais hídricas, em virtude de existirem alguns municípios que, por representarem um consumo insignificante, não justificam uma extensão muito elevada de transporte de energia.

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