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Reabilitação das estradas aproxima as pessoas

Justino Vitorino | Mungo

O município do Mungo, na província do Huambo, está a viver dias melhores, depois da reabilitação da estrada principal que o liga ao resto da província.

A reabilitação da estrada que dá acesso ao Mungo facilitou o comércio e a reconstrução de equipamentos sociais
Fotografia: Francisco Lopes|Huambo

O município do Mungo, na província do Huambo, está a viver dias melhores, depois da reabilitação da estrada principal que o liga ao resto da província. Mungo já chegou a ser considerado o “município do fim do mundo”, devido aos 180 quilómetros que o separam da capital provincial, mas sobretudo pela degradação das estradas e outras vias de acesso, que dificultavam qualquer ligação por terra.
Hoje, viajar para aquela municipalidade tornou-se fácil. A recuperação das vias de comunicação encurtou o tempo de viagem e as pessoas ficaram mais próximas. A reabilitação da estrada facilitou, igualmente, o comércio e a reconstrução de equipamentos sociais. como escolas, centros de saúde e outros. O transporte dos materiais de construção ficou mais barato. 
A estrada, completamente reabilitada, permite aos cidadãos fazer normalmente aquilo que até há bem pouco tempo era uma aventura: uma simples viagem.
“O país está a mudar e muita coisa vai melhorar ainda mais”, disse Pascoal Franco, director da escola do primeiro ciclo do ensino secundário, à equipa de reportagem do Jornal de Angola. 
À semelhança do que ocorre um pouco por todo o país, e em particular na província do Huambo, o município do Mungo está, de certa forma, a ressurgir, com a implantação de infra-estruturas sociais que dão uma imagem diferente à vila e arredores, para o bem e alegria das populações.
É uma luta que, no dizer de muitos munícipes, apenas começou, porque a palavra de ordem é desenvolver o município e proporcionar melhores condições ao povo.
Paulino Dias disse que as pessoas estão com as mangas arregaçadas. Muitos jovens conseguiram o seu primeiro emprego com as obras de reconstrução em curso no município.
A maioria da população dedica-se à agricultura de subsistência e as metas das autoridades apontam para a mecanização e o fomento da produção extensiva, com a aplicação de técnicas modernas para aumentar os rendimentos e, consequentemente, acabar com a fome e reduzir a pobreza.
Ainda há muito por fazer. Há ruas por reabilitar e vários edifícios destruídos, incluindo a própria sede da administração municipal.
Falta melhorar o saneamento básico e o fornecimento da água potável e construir mais infra-estruturas sociais.
A vila é servida por um grupo gerador e, em alternativa, por um conjunto de placas solares. Segundo o administrador municipal, António Cotingo, “há uma grande dificuldade de aquisição de combustível e lubrificantes para alimentar os geradores”.
 
Comércio ainda tímido

O comércio é um sector que está a reanimar-se, embora timidamente. Existem na sede municipal algumas lojas que fornecem produtos básicos às populações, sempre que podem. Devido à escassa oferta de produtos nas lojas locais, os populares recorrem, com frequência, à vizinha vila do Bailundo ou mesmo à cidade do Huambo, para fazerem as suas compras de bens de consumo de primeira necessidade. 
De acordo com um jovem munícipe, que não quis identificar-se, a vida na vila e arredores é monótona, principalmente aos fins-de-semana. “A vida aqui é um pouco aborrecida, não temos divertimento. A única coisa que temos são algumas casas que têm servido de discotecas, de resto, tudo está parado”, desabafou. 
A administração local, aparentemente atenta ao clamor da juventude, no seu programa de reabilitação de infra-estruturas básicas, que contempla, fundamentalmente, o fornecimento da água canalizada, energia eléctrica e a construção de escolas e centros de saúde, gizou um projecto para criação de condições de lazer para os jovens.
O administrador municipal, António Cotingo, apontou como necessidades urgentes, no domínio do lazer, a construção de um centro recreativo e a criação de mais espaços desportivos e culturais. “Todos os espaços que existiam na vila e nas demais comunas do nosso município foram destruídos. Precisamos de dar aos jovens mais lugares para se recrearem, sobretudo aos fins-de-semana”, sublinhou.
 
Potencialidades económicas
 
O Mungo tem potencialidades económicas que podem, em pouco tempo, acabar com as dificuldades actualmente vividas pela população. O factor geográfico, com a sua localização entre as rotas de comunicação que ligam às províncias de Malange e Bié, é um dos elementos que abonam a favor do município. O chão fértil, adubado com o suor da sua população trabalhadora, produz quase tudo, com destaque para o milho, feijão, batatas rena e doce, banana e trigo.
António Cotingo disse que o governo vai recuperar todas as vias, para facilitar a vida aos agricultores e camponeses. “Queremos que eles façam as suas permutas sem dificuldades e criem riqueza para sustentar as famílias. Nesta época de chuvas as vias da região tornam-se intransitáveis e fica difícil a comunicação entre a sede e as demais comunas, ombalas e aldeias do município”, realçou.
O governo colocou, numa primeira fase, mini autocarros todo-o-terreno, para que as viagens sejam feitas com maior segurança e facilidade, enquanto se espera pela reabilitação das vias secundárias e terciárias que dão acesso às comunas, ombalas e aldeias. 
 
Falta ensino superior
 
O município atravessa grandes dificuldades no sector da educação e saúde. Várias crianças estão fora do sistema normal de ensino, por falta de mais escolas e professores. De acordo com o administrador António Cotingo, mais de duas mil crianças não estudam e entre as que têm possibilidade de estudar, muitas fazem-no com grande dificuldade, pois têm de percorrer longas distâncias para chegar às escolas.
“Temos muitas localidades e aldeias ainda sem escolas. Nas zonas onde pudemos chegar, temos sugerido às próprias comunidades que construam as suas escolas. Nós, como governo, colocaremos as chapas, para que as crianças não estudem debaixo das árvores”, afirmou o administrador.
Na vila funciona um complexo escolar, com 12 salas, que é claramente insuficiente para as necessidades, uma vez que o número de estudantes se multiplica de ano para ano. A solução passa por erguer mais estabelecimentos de ensino e enquadrar mais professores.
Por não existir uma instituição do ensino superior, os estudantes que terminam o ensino médio ou se transferem para outras localidades ou se vêem obrigados a suspender os estudos. 
Para colmatar esta dificuldade, o governo provincial prometeu estudar a possibilidade de se criar, na vila, um núcleo do ensino superior. No quadro do programa global do governo, foi erguido no município um complexo habitacional para acomodar os quadros administrativos, professores, médicos e enfermeiros, que muitas vezes se furtam a trabalhar no município alegando falta de habitações.
Quanto à saúde, o município dispõe de um hospital de referência, com 20 camas e não há falta de medicamentos. O que falta mesmo são médicos, pois o hospital funciona, basicamente, com um corpo clínico composto por enfermeiros.
As autoridades tradicionais e a população pedem, por isso, mais médicos e outros técnicos de saúde e a construção de postos na periferia, para evitar que os doentes procurem a cura nos municípios vizinhos.
António Cotingo garantiu que, em breve, o município vai sofrer uma injecção de verbas, através do governo da província, que vão facilitar a criação de melhores condições no domínio sanitário. 
Vão ainda ser construídas no Mungo, no quadro do seu programa habitacional, duas mil residências sociais. A reserva fundiária do município é constituída por 100 hectares. A direcção provincial do Huambo do Urbanismo aguarda apenas pela realização do concurso público para a elaboração do plano de urbanização da reserva fundiária.

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