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Registados muitos abortos em adolescentes

Juliana Domingos | Huambo

Grande parte dos 548 casos de gravidez precoce, registados pelos serviços de maternidade do Hospital Geral do Huambo, durante o primeiro semestre, acabaram em abortos feitos em locais clandestinos, denunciou ontem o médico ginecologista Daniel Tadesse.

Huambo com elevado número de abortos
Fotografia: Francisco Bernardo | Huambo

O especialista avançou que os casos de gravidez foram detectados em adolescentes com idades entre os 12 e os 14 anos, que, depois de confirmarem o seu estado de mãe, recorriam a centros clandestinos para interromperem a gestação.
Daniel Tadesse referiu que as adolescentes, depois de praticarem os abortos nos centros clandestinos, às vezes, acorriam ao hospital para reparo de situações criadas por instituições curiosas espalhadas pela cidade. “Muitas dessas meninas chegam em estado grave”, lamentou.
O médico informou que o hospital tem feito muitas cesarianas, devido à gravidez precoce em jovens mães, tendo em conta que a fisiologia de uma adolescente não está preparada para um parto, daí as complicações com riscos de morte.
O ginecologista explicou que uma gravidez não planeada na adolescência e em meninas de 12 aos 14 anos gera mudanças significativas na vida destas, situação que pode afectar todo o seu desenvolvimento.
Explicou ainda que muitas jovens que engravidam sem saber, quando descobrem o seu estado entram em conflito e recorrem ao famoso “sitotec”, um medicamento perigoso, usado para provocar aborto, sem, contudo, terem em conta as consequências. />Entre os vários factores da gravidez precoce e do aborto, o especialista apontou os problemas económicos, factores políticos e sociais, práticas aliadas ao excesso de informações e da liberdade dos adolescentes à banalização de assuntos relacionados com o sexo e sua liberalização.
Diante desta realidade, Daniel Tadesse confirmou que o número de pais e mães adolescentes tem vindo a crescer de forma assustadora na sociedade, daí recomendar aos pais e educadores para terem coragem de conversar com os filhos sobre a sexualidade.
O responsável disse que a gravidez na adolescência traz consigo várias consequências, com destaque para o risco de abortos espontâneos, ocasionados por desinformação e ausência de acompanhamento médico e de atitudes desesperadas e irresponsáveis, causadas por ingestão de medicamentos abortivos.
Para evitar a gravidez na adolescência, o médico diz ser necessário maior esclarecimento e um diálogo aberto sobre os assuntos relacionados com a sexualidade, uma vez que “quem deseja ter uma vida activa de sexo deve saber como utilizar correctamente os métodos contraceptivos”, rematou.

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