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Requalificação do município pôs fim a inundações

António Canepa | Longonjo

A majestosa vila do Longonjo, sede do município com o mesmo nome, na província do Huambo, está agora com uma outra imagem, muito diferente da anterior, fruto de um trabalho profundo de terraplanagem e de melhoramento das principais vias e ruas.

A chuva deixou de ser um problema para os habitantes do Longonjo devido às obras de terraplagem feitas em algumas ruas
Fotografia: António Canepa| Huambo

Como acontece todos os anos, a chuva que cai intensamente no município deixou de ser um problema para os habitantes, graças ao trabalho feito. 
 chegada à sede do município, o visitante depara-se com um ambiente agradável, com ruas, passeios e jardins totalmente reabilitados, com muitas casas e edifícios requalificados e pintados.
Esta reabilitação foi extensiva a alguns bairros dos arredores da vila, que também passaram a ter uma outra imagem, com alguns serviços a funcionar.
Carlos de Brito, responsável do Centro de Documentação e Informação (CDI) da Administração Municipal do Longonjo, disse que depois de muitas dificuldades vividas durante anos, as autoridades locais decidiram criar um programa de reestruturação e melhoria do saneamento básico, que começaram com a abertura de valas de drenagem a céu aberto para o escoamento das águas pluviais.
No passado, explicou, a circulação, sobretudo na época das chuvas, fazia-se com muitas dificuldades e a quase maioria da população não saía de casa, mas hoje estão melhoradas as condições e os habitantes estão satisfeitos.
A vila do Longonjo nunca teve as ruas asfaltadas. Antigamente, a rede de esgotos era constituída por valas subterrâneas, mas com o crescimento e aumento das construções, muitas delas de forma desordenada, deixou de funcionar, o que fazia com que, quando chovia, as águas não encontrassem caminhos de escoamento. A situação era tão grave, que se registavam inundações na parte baixa da vila e nalguns bairros em redor.
A vila do Longonjo tem a particularidade de se situar num plano alto, o que faz com que as águas escorram em direcção à Estrada Nacional, deixando as vias secundárias alagadas e intransitáveis.
Após a conclusão da requalificação, a vila deixou de acumular lixo e lama nas estradas, o que facilitou a circulação em qualquer época.

Melhores condições sociais

A localidade está a crescer a bom ritmo. No Longonjo, foram erguidas 100 casas sociais, das quais 34 já foram entregues aos seus respectivos proprietários. Os sectores da Educação, Saúde, Transportes e Comércio foram revitalizados, com a construção de um hospital de referência com capacidade para internar 80 doentes, e ainda de um centro materno infantil, que tem contribuído para a redução da mortalidade de mulheres e crianças com menos de cinco anos.
A unidade sanitária conta, pela primeira vez, com serviços de hemoterapia, pediatria, medicina, maternidade, pequena cirurgia e ortopedia.
Em média, atende 125 pacientes por dia, entre locais e provenientes do vizinho município de Chinjenje.
O hospital tem ainda serviços de banco de urgência, morgue, consultas externas, RX, laboratório geral e de bioquímica, além de um centro de nutrição, triagem e farmácia.  O director do hospital do Longonjo, Almeida Chitungo, disse que existem boas perspectivas de a unidade se transformar num complexo hospitalar, através da componente de assistência e formação de quadros. A vila tem desde o ensino primário ao segundo ciclo do ensino secundário. O chefe de repartição da Educação do município, Valentino Muquinda, disse que o Governo Provincial tem em carteira a ampliação da rede escolar às localidades mais distantes, dado o aumento de crianças em idade escolar.
A grande preocupação é a fuga de professores dos locais de trabalho por falta de condições e o mau estado dos acessos às localidades distantes da vila. Nas comunas e aldeias a situação é bem pior, com muitas crianças a estudarem ainda em condições precárias, enquanto outras assistem a aulas em salas improvisadas e capelas. Longonjo já foi grande produtora de bebidas, como o famoso anis Caviquiviqui, que era vendido em quase todo o Huambo. Hoje, a localidade tenta recuperar esse passado, com o surgimento de iniciativas privadas, que estão a gerar emprego e ocupação dos jovens.
A vila é igualmente privilegiada pelas duas vias principais que ligam o litoral ao Leste do país, através das linhas do Caminho-de-Ferro de Benguela e a Estrada Nacional 260, passando pela cidade do Huambo, que lhe conferem as possibilidades de crescer com rapidez em termos económicos.

Água não jorra

Quanto ao fornecimento da água, esta não jorra regularmente nas torneiras, mas alguns bairros dispõem de sistemas de manivelas e furos, que abastecem água às populações próximas da vila. Teresa Barreto, funcionária da Administração Municipal, disse que a situação da vila já melhorou muito, em comparação com há alguns anos.
Apesar das dificuldades que persistem, porque é impossível resolver tudo de uma só vez, reconhece grandes progressos, embora gostasse que fossem criadas condições de lazer para os jovens, para evitar que enveredem por maus caminhos.
A falta de estabelecimentos bancários é tida como uma das dificuldades. Os trabalhadores e funcionários públicos, para levantarem os seus salários, têm de percorrer longas distâncias ou deslocar-se aos vizinhos municípios do Ucuma, Caála, ou até mesmo à cidade do Huambo. A situação, de acordo com Castro Chiumbo, chefe de repartição dos Registos da Administração Municipal, tem criado transtornos aos trabalhadores e à própria Administração.

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