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Seca no Planalto Central afecta milhares de famílias

Estácio Camassete | Huambo

Mais de 200.000 famílias camponesas podem sofrer este ano as consequências da estiagem que se regista nos últimos meses na província do Huambo, informou ontem o director provincial da Agricultura e Pescas.

Alterações provocadas pelo fenómeno “El Niño” e pelas mudanças climáticas estão a afectar as culturas em toda a região da África Austral
Fotografia: Victor Pedro | Edições Novembro

Andrade Baú mostrou esta preocupação durante a reunião operativa do governo provincial, que analisou, entre outras questões, os principais problemas da província, para possíveis soluções, assim como o grau de execução e cumprimento das actividades programadas no último encontro, realizado na semana passada com o mesmo objectivo.
Apesar de algumas precipitações fracas que caíram um pouco por toda a região, a província do Huambo está a registar período de estiagem que já dura cerca de 45 dias, comprometendo seriamente as colheitas deste ano, principalmente de feijão e milho.
Preocupado com a situação, o porta-voz das reuniões operativas, o vice-governador para o sector Político e Social, Guilherme Tuluca, disse ser preciso fazer um estudo mais profundo sobre o fenómeno, ouvindo mais as administrações municipais, uma vez que a estiagem está a ser muito severa e compromete a produção de milho e feijão, os principais produtos da dieta alimentar das populações locais. De qualquer modo, o vice-governador mostra-se esperançado por faltar ainda dois meses de chuva para recuperar a época perdida neste espaço de tempo e garantir a compensação do que se perdeu no milho e feijão.
“Vamos trabalhar e cruzar as informações com as administrações municipais de forma que haja alguma orientação na solução das preocupações identificadas até ao momento, para garantir segurança alimentar às comunidades”, aconselhou.
O administrador municipal do Ecunha, Emitério Tiago, mostrou-se preocupado com a fase que o seu município vive, manifestando que os camponeses estão penalizados nas culturas da batata-rena, milho, feijão e outros produtos, por haver estragos consideráveis provocados pela estiagem.
“Neste momento, todo o agricultor do Ecunha e não só sente o peso da falta da chuva e temos encorajado os camponeses no sentido de criar alternativas para a prática da agricultura nas zonas junto dos rios e baixas, de forma a recuperar o que foi perdido com a falta de chuva.”
Apelou igualmente às populações de forma a optar pelas culturas resistentes à seca como a batata-doce, mandioca e outros de forma a recuperar o tempo perdido.
Emitério Tiago adiantou que o município tinha previsões de colher cerca de 52.000 toneladas de batata-rena, cultivada nos meses de Dezembro e Janeiro, mas tudo mudou para o negativo por falta de chuva.
O responsável prometeu inverter o quadro uma vez que o próximo ano agrícola vai ser preparado com antecedência, de forma que até aos meses de Julho e Agosto os camponeses tenham todo o material necessário para no início das chuvas as pessoas lançarem as sementes mais cedo para que o ano agrícola de 2018 venha a ser muito melhor do que o presente.

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