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Taxistas põem surdos os habitantes do Huambo

Marcelino Dumbo | Huambo

Cantineiros nas suas lojas dos bairros e taxistas que circulam pelas ruas do Huambo põem a música tão alta que as pessoas ficam surdas. As potentes aparelhagens que usam são as principais fontes de poluição sonora na cidade.

As potentes aparelhagens que os taxistas usam são a principal fonte de poluição sonora na cidade do Huambo e arredores
Fotografia: Jornal de Angola

 
Cantineiros nas suas lojas dos bairros e taxistas que circulam pelas ruas do Huambo põem a música tão alta que as pessoas ficam surdas. As potentes aparelhagens que usam são as principais fontes de poluição sonora na cidade.
O crescimento e o nível de desenvolvimento que o Huambo está a atingir têm contribuído para o surgimento de hábitos pouco urbanos, nocivos à saúde pública e à convivência sã na sociedade.
 Proprietários de cantinas, que se dedicam à venda de bebidas alcoólicas nos bairros periféricos, automobilistas, principalmente os taxistas, que circulam nas principais artérias do Huambo, têm criado enormes transtornos aos cidadãos, nos últimos tempos, emitindo todos os dias altos decibéis de música desde o nascer do dia até altas horas da madrugada.
 Arrogantes quanto baste e sem quaisquer noções de educação e civismo, cantineiros e taxistas desrespeitam todos os dias as mais elementares normas de convivência social. São donos e senhores das ruas e bairros do Huambo, que diariamente são tomados de assalto com aparelhos emitindo sons ensurdecedores, num autêntico desafio às autoridades.
 O aumento da poluição sonora no Huambo tem tomado proporções tão alarmantes que pode ser já considerado um atentado à saúde pública. Os cantineiros ficam até altas horas da madrugada de porta aberta com o som das aparelhagens no máximo, provocando má vizinhança. Muitas vezes, além da música em altos berros, o excesso de álcool está na origem de muitos distúrbios que obrigam à intervenção dos agentes da Polícia Nacional.
Nos bairros Benfica, Cacilhas, Kapango, Calombringo, Fátima, Bom Pastor e S. João, os moradores dizem que estão cansados da situação porque ninguém consegue descansar. Por isso, pedem às autoridades para serem implacáveis e mais rigorosas com os prevaricadores.
Manifestaram que os donos das cantinas que vendem bebidas alcoólicas até ao amanhecer, se sentem impunes, colocam nas suas viaturas ou cantinas aparelhos de som de alta potência, cujo barulho, associado ao ruído provocado pelos geradores, tornam a vida das pessoas num verdadeiro inferno.
 A música dos cantineiros durante a noite e a madrugada não respeita os vizinhos doentes nem mesmo os óbitos. “Eles fazem o que bem lhes apetece, com o único propósito de atrair mais clientes e ganhar dinheiro”, disse uma moradora do Bairro Benfica.
“As autoridades devem tomar medidas severas contra os prevaricadores”, defende António Jamba. Para este estudante, de 23 anos, muitos dos maus exemplos que hoje se vivem na pacata cidade do Huambo são importados de Luanda, onde a poluição sonora e outros maus hábitos já ganharam cidadania nos bairros periféricos e ruas da cidade, ante o olhar impávido e sereno das autoridades policiais.
 
Reclamações dos passageiros
 
Passageiros de táxis reclamam do exagerado volume dos aparelhos usados pelos motoristas dentro das viaturas. Alguns taxistas das rotas do mercado da Quissala,  “Alemanha”, Kapango, Cacilhas, Canata e dos bairros de Santo António, Benfica e Aviação recusaram-se a falar à nossa reportagem, mas alguns passageiros disseram que eles é que mandam e não dão ouvidos às reclamações dos clientes.
 Artur Sequeira, passageiro que viajava para o município do Ukuma, afirmou que gosta de ouvir música, mas o que os taxistas fazem “é um grande desrespeito” aos utilizadores das suas viaturas.
 “Na verdade, existem motoristas compreensíveis, mas também há aqueles que muitas vezes não se importam se entre os passageiros há doentes, mais velhos, mães com bebés ou mesmo bebés a dormir”, disse Artur Sequeira. Ele é de opinião que deve ser feita uma campanha nacional de aconselhamento e acções de sensibilização com prazos bem definidos junto dos motoristas e cantineiros para acabar com a poluição sonora. Findo o prazo, quem prevaricar deve assumir as consequências, que podem ir de multas pesadas, trabalhos comunitários e cadeia, se for caso disso: “deve ficar bem definido que ninguém pode perturbar o silêncio a partir de certas horas da noite. Quem quer dar festa ou chamar clientes deve criar condições para que o som não incomode os outros”, aconselhou.
Justino Cavita, motorista de táxi diz que muitas vezes a música alta, associada ao estado de embriaguês dos automobilistas, tem sido uma das causas de acidentes no país.
   Ilda Felisberta, que se encontrava num táxi em viagem para a comuna da Calenga diz que nenhum automobilista ou taxista está impedido de ouvir música dentro da sua viatura, desde que seja com moderação. “O que não se admite é a música alta que é hoje tocada sem qualquer respeito pelas outras pessoas”, rematou. 
        
Cultura promete intervir

O chefe do Departamento Provincial do Património Histórico-Cultural, João Afonso, garantiu que a direcção da Cultura vai reforçar as acções de fiscalização nos bairros da cidade, para travar a exibição pública de música alta de forma anárquica.
 Abordado pelo Jornal de Angola, João Afonso disse que existe a lei nº 4.117, de 9 de Abril, de 1970, ainda não revogada, onde estão plasmadas todas as formalidades que regem a maneira como exibir a música e em locais próprios.
 “Nos hotéis, cantinas, lojas, discotecas e outros locais de lazer, a música sempre constituiu um meio para atrair mais clientes, para venda de produtos, mas num tom disciplinado”, reforçou.
 João Afonso afirmou que muitos cantineiros não estão sequer credenciados para exercerem a actividade e então para atraírem clientes exibem música alta, até ao calar da noite, acabando por perturbar o silêncio e o sono dos vizinhos.
 O chefe do Departamento do Património Cultural do Huambo afirmou ainda que ninguém está proibido de tocar música em hotéis, cantinas, lojas, ou outro local público, desde que esteja legalizado pela Direcção Provincial da Cultura e reúna as condições sonoras exigidas.
 Disse que, actualmente, em média, 10 a 15 pessoas têm solici   tado os vistos de autorização para manifestações culturais, como desfiles de moda, piqueniques, venda de discos e outras, mas respeitando as normas da boa educação e convivência social.   Acrescentou que existem licenças e vistos grátis e outros pagos, ligados a manifestações culturais com fins lucrativos.
 Apesar de não ter anunciado os valores, afirmou que aqueles que não acatarem os conselhos das autoridades vão ter multas pesadas, como forma de disciplinar os cidadãos e mudar comportamentos.

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