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Terra onde correm grandes rios tem falta de água nas torneiras

A vila do Bailundo é um dos centros urbanos mais importantes da província do Huambo.

Estátua ao rei Ekwikwi no Bailundo evoca um resistente ao domínio colonial e homenageia aqueles que ajudaram a cosntruir a nação angolana
Fotografia: Rogério Tuti

A vila do Bailundo é um dos centros urbanos mais importantes da província do Huambo. Nos últimos anos foram construídos equipamentos sociais e restaurados aqueles que foram atingidos ou destruídos durante a guerra.
A “capital do milho” regressa aos poucos à normalidade mas as populações reclamam mais médicos no Hospital Municipal e nos centros e postos de saúda das comunas.
A falta de medicamentos na unidade hospitalar também preocupa as autoridades locais, porque a população é pobre e não tem meios para aviar as receitas nas farmácias privadas.
O Bailundo é o maior centro de negócios no Norte da província do Huambo porque está situado numa região estratégica que une o litoral ao Leste e o Norte ao Sul do país. As terras do milho estão cercadas de imponentes montanhas, entre as quais a famosa Lumbangada, que ainda é hoje fonte de inspiração de músicos e compositores da região e Halavala, considerado monumento histórico, onde se encontram os restos mortais do rei Katyavala, fundador do reino do Bailundo e de Ekwikwi II, último soberano da resistência à ocupação colonial.
A população é de 237 mil habitantes, distribuída por cinco comunas: Lunge, Hengue, Luvemba, Bimbe e a sede. A agricultura e criação de animais são as principais actividades. Milho, feijão, amendoim, batata, massambala, mandioca, banana e hortícolas são as principais culturas praticadas na zona e constituem a base da dieta alimentar e a fonte de receitas das famílias camponesas. O Governo Provincial está a incentivar a produção de mais alimentos, dando apoios aos produtores.
Há pouco mais de quatro anos, viajar para o Bailundo era um problema porque a estrada estava praticamente destruída. Hoje a via asfaltada que liga a capital provincial às terras do milho é nova e permite viagens rápidas e confortáveis.
A energia eléctrica cobre apenas a vila durante algumas horas, o que causa grandes dificuldades aos habitantes da vila e sobretudo aos agentes económicos.
As obras de reconstrução nacional prosseguem, em todas as frentes. Estão a ser construídos hotéis e restaurantes, para acolher mais visitantes e incrementar o turismo na região.
O governador provincial do Huambo, Faustino Muteka, na sua última visita ao município, recomendou uma maior aposta na construção de infra-estruturas  sociais básicas, para promover o desenvolvimento e o bem estar das populações e encorajar as populações a produzirem mais alimentos, para reduzir a pobreza e acabar com a fome. O Bailundo é o centro populacional do Huambo que mais rapidamente saiu dos escombros da guerra. /> 
Água e energia

O Governo Provincial do Huambo definiu como principais prioridades para o município, o fornecimento regular de energia eléctrica, distribuição de água potável, reforço das unidades de saúde, pessoal médico e de enfermagem, educação e agricultura, para produzir mais alimentos e acabar com a fome.
Neste momento há problemas de abastecimento de água e grande parte da população recorre às cacimbas ou vai buscar água ao rio Caléle. O Governo Provincial quer estender a distribuição regular de água a todos os bairros do Bailundo.
Estão em curso obras para a construção de uma central de captação e tratamento da água que vai proporcionar aos habitantes da vila mais água e com melhor qualidade.
A energia eléctrica é fornecida por uma central de produção e distribuição, que garante luz das 17 às 23 horas. O objectivo do Governo Provincial é alargar o período de distribuição e fornecimento o que só é possível com o arranque da barragem do Gove, na Caála, que passa a fornecer energia às províncias do Huambo e Bié. A primeira fase da barragem do Gove entra em funcionamento no primeiro trimestre do próximo ano, informou o Governo Provincial do Huambo.

Crianças nas escolas

A construção de escolas permitiu a inclusão de mais crianças no sistema de ensino. Mas ainda são necessárias mais salas e professores para responder à procura.
 As unidades sanitárias construídas em tempo de paz melhoraram muito a assistência médica e medicamentosa, mas o regresso a casa de milhares de famílias que fugiram da guerra torna as estruturas suficientes, faltam médicos, enfermeiros e medicamentos. A reabilitação das vias que ligam a sede do município às comunas, ombalas e aldeias está também em curso no município para facilitar a circulação de pessoas e mercadorias e o escoamento de produtos do campo para os mercados urbanos.
As populações reclamam uma escola de ensino superior no município, porque há um grande número de estudantes que concluiu o ensino médio e não têm recursos para tirar cursos superiores no Huambo. O ensino superior pode servir também os municípios do Mungo e Catchiungo.
Na vila do Bailundo a educação funciona desde o ensino primário ao ensino médio.
O comércio está forte, com o surgimento de várias lojas e mercados mas as praças informais fazem concorrência desleal aos comerciantes licenciados e que pagam os seus impostos para terem as portas abertas.

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