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Veterinária pronta para vacinar cem mil animais contra a raiva

Estácio Camassete |Huambo

As autoridades veterinárias da província do Huambo estão a preparar as condições para a realização, em Maio, de mais uma campanha de vacinação contra a raiva, na qual se prevê imunizar cerca de cem mil animais, com incidência a cães, gatos e macacos, considerados mais propensos a portarem a raiva.

Serviços de Veterinária do Huambo criam postos para vacinar animais de várias localidades
Fotografia: Edmundo Eucilio| Edições Novembro | huambo

A garantia foi dada pelo chefe de departamento do Instituto dos Serviços Veterinários do Huambo, Jorge Almeida, que sublinhou que, nesta campanha, o objectivo é “atingir as maiores localidades possíveis para vacinar, pelo menos, 80 mil canídeos”. 

Jorge Almeida disse que as acções contra a raiva têm de ser massivas. Na campanha, em Maio, serão criados dois postos fixos de auxílio, nas cidades do Huambo e Caála, onde os serviços veterinários vão atender os demais municípios que carecem de estruturas, pessoal médico e outros meios.
A vacinação, apontou, está destinada às espécies zootécnicas, de interesse alimentar do homem, e os de companhia, como canídeos, símios e felinos. O responsável garantiu que a instituição dispõe de doses suficientes para vacinar os animais da província.
“Quando se fala de raiva, as pessoas fazem ouvidos de mercador e ignoram os avisos das autoridades sanitárias para vacinarem os animais de estimação. Há uma certeza que as pessoas não podem negligenciar: a raiva mata”, advertiu.
A província registou, este ano, de acordo com Jorge Almeida, um caso de raiva confirmado, no município do Bailundo, contra três, em 2019, e 10, em 2018. Os Serviços Veterinários do Hu-ambo vacinaram, em 2019, mais de 15 mil animais com vacinas anti-rábica, contra 9.200, de 2018. Em Janeiro, deste ano, já foram vacinados 986 animais contra a raiva.
“As pessoas precisam ter muito cuidado, porque, por mês, registamos entre 400 e 500 casos de mordeduras de animais. Por exemplo, só em Janeiro, foram registadas 369 mordeduras, sendo 342 de cães, 19 de gatos, duas de macacos e quatro de humanos”, esclareceu.
“Se não tomarmos cuidados com as mordeduras, o preço a pagar pela infecção da doença pode ser a vida”, disse, alertando que quando se contrai raiva, é “uma espé-
cie de certidão de óbito, porque o tratamento é uma tentativa de salvamento, um esforço que pode resultar em alguns casos, dependendo da perfuração da ferida, que facilita a penetração do vírus”.
Jorge Almeida alertou que, na eventualidade de surgir um cão suspeito de raiva, é preciso envidar todos os esforços para capturar o animal e isolá-lo, para se dar o devido tratamento, porque a raiva é fatal.
Às pessoas, quando mordidas, devem, primeiro, ir ao hospital e este, por sua vez, encaminhá-las aos Serviços Veterinários, para elaboração do inquérito e diag-
nóstico, para compreender onde aconteceu, a gravidade da situação e a identificação do animal, para indicar o melhor tratamento.
“Caso o resultado do inquérito não tenha tendência de raiva, orienta-se que se administre uma vacina contra o tétano”, disse Jorge Almeida, que louvou o empenho das crianças e adolescentes que, no tempo de férias, afluíram aos postos de vacinação com os seus animais, considerando que nestes meses de pausa pedagógica o número de casos de raiva tende a aumentar, porque os petizes passam mais tempo em casa.

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