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Viaturas pesadas e táxis criam transtornos ao trânsito

Tatiana Marta| Huambo

A cidade do Huambo deixou de ser um centro urbano pacato, apesar de ainda conservar um pouco da sua habitual acalmia, principalmente nos períodos nocturnos dos dias de semana.

Circular na Avenida da Independência e na Cinco de Outubro requer paciência devido ao congestionamento que se faz sentir naquela via
Fotografia: Francisco Lopes

Mas, com crescimento do parque automóvel, aliado à degradação de algumas ruas que antes serviam de opção ao movimento rodoviário, a cidade começa a registar engarrafamentos, principalmente no período entre às 8h00 e as 15h00.
A Avenida da Independência e a antiga Cinco de Outubro, onde está a maior parte de estabelecimentos comerciais, entre armazéns, lojas, cantinas, pequenos mercados e supermercados, além de casas de prestação de serviços, pastelarias e bancos comerciais, sãos os mais afectados pelos engarrafamentos.
Pessoas e viaturas, maioritariamente camiões e táxis, procuram a melhor via para circular, evitando as dores de cabeça que causam os engarrafamentos que começam às primeiras horas da manhã. A Avenida da Independência é a principal via que liga a cidade ao resto das províncias e municípios. Atravessa a cidade do oeste ao leste e é a porta de entrada da maioria dos produtos consumidos no Huambo.
Tendo em conta a importância da via, as autoridades administrativas do Huambo deviam encontrar melhores soluções para ordenarem o trânsito naquela que é considerada uma das principais ruas da cidade.
A maioria dos munícipes contactado pelo Jornal de Angola admitiu que a solução passa pela afixação de horário único para a circulação de viaturas pesadas ou de camiões contentorizados, à semelhança do que acontece na capital do país, Luanda, enquanto não surgem outras formas de descongestionar as ruas e avenidas.
A circulação de veículos pesados tem causado grandes congestionamentos ao trânsito pelo que muitos munícipes apelam à mão-pesada dos agentes regulador do trânsito para haver ordem. Alguns populares defendem mesmo que se faça a transferência de lojas e armazéns para a periferia da cidade, como medida certa para se acabarem os transtornos. Rufino Tchipa é de opinião de que veículos pesados e contentorizados devem circular em horas próprias em vias definidas, para permitir uma fluidez na circulação, porque têm provocado muitos problemas, como engarrafamentos e atropelamentos à mistura.
Miguel Domingos, residente na vila da Caála, sugere também que os camiões devem circular noutras ruas. Quem também partilha da mesma ideia é o vendedor ambulante Aníbal Ekwikwi, que diz encontrar grandes dificuldades de transitar pela Avenida da Independência, por causa dos camiões e do permanente e intenso fluxo de táxis que circulam desordenadamente.
A maioria dos entrevistados afirmou que os camiões deviam circular só a partir das 20h00 e até às 4h00, altura em que consideram o trânsito "morto", o que pode facilitar a circulação.
João Pereira diz que os agentes reguladores de trânsito têm instruções para aconselhar os condutores destes veículos no sentido de fazerem a circulação na faixa lenta.
O comandante da Direcção Provincial da Viação e Trânsito do Huambo, Simões Coelho, informou que operação Kutululuka decorre normalmente, sobretudo nas vias de maior movimentação rodoviária e consideradas de risco. Simões Coelho reconheceu que a grande movimentação de camiões e veículos pesados na Avenida da Independência e na Rua do Comércio se deve, fundamentalmente, à intensa actividade comercial.
“A maioria dos armazéns, lojas, super e minimercados, restaurantes e outros serviços estão aglomerados nestas ruas e, como consequência, assiste-se hoje a constantes congestionamentos no trânsito e desordem na circulação de peões, que não encontram lugar certo para se movimentarem”, salientou.
Apesar da situação vigente, o comandante de Viação e Trânsito garante continuar a trabalhar no  controlo e fiscalização e disse que com colaboração da direcção da fiscalização da administração municipal vai procurar mobilizar  e sensibilizar os automobilistas, de modo a evitar os congestionamento, o que vai ser seguido de medidas duras.
O comandante sugeriu também que as estruturas centrais devem encontrar vias de acesso opcionais para os camiões.
Para disciplinar a circulação, de acordo com o oficial da Polícia, a administração orientou recentemente que os camiões com mais de três toneladas devem circular só de madrugada até às 7h00 da manhã.
"Os veículos pesados por serem lentos devem andar na faixa da direita, mas infelizmente os motoristas  circulam na esquerda, considerada faixa rápida, ignorando as regras de trânsito", disse.
Em função do desrespeito às normas do trânsito, a Direcção Provincial da Viação e Trânsito do Huambo registou um total de 822 acidentes, 243 dos quais resultaram em mortes. Comparativamente ao mesmo período do ano passado, houve uma ligeira redução, graças à operação Kutululuka. 

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