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Abertos cursos de línguas nacionais para professores

Domingos Mucuta| Lubango

Os professores de nianeca humbe, umbundo e nganguela da província da Huíla estão a participar num seminário de formação sobre as novas metodologias de ensino das línguas nacionais, à luz do programa de Reforma Educativa.

Na acção formativa que decorre até Fevereiro estão a ser abordadas as metodologias inseridas no princípio de inovação do ensino de línguas
Fotografia: Domingos Mucuta

Os professores de nianeca humbe, umbundo e nganguela da província da Huíla estão a participar num seminário de formação sobre as novas metodologias de ensino das línguas nacionais, à luz do programa de Reforma Educativa.
Na acção formativa, que decorre até 1 de Fevereiro, participam 120 professores de 28 escolas do ensino primário e secundário. Estão a ser abordadas as metodologias inseridas no princípio de Inovação no Ensino das Línguas de Leitura, lançado pelo Ministério da Educação.
O coordenador das línguas nacionais da direcção provincial da Educação, Ezequiel Kambindangolo, explicou que a formação se destina a preparar os professores para trabalharem com os materiais didácticos disponíveis e para que ganhem competências linguísticas, para saber ouvir, ler, escrever e falar na sua língua étnica.
Ezequiel Kambindangolo esclareceu que o ensino de nianeca humbe, iniciado há quatro anos, já passou da fase de experimentação, estando, neste momento, em curso o processo de expansão para a sua generalização em todos os estabelecimentos de ensino da província.
A direcção provincial da Educação dispõe também de condições materiais, como livros de nianeca e umbundo, assim como está a preparar os professores para garantir a inserção e ensino no sistema de educação da primeira à 12ª classe, numa fase experimental, segundo Ezequiel Kambindangolo .

Resgate de valores

Do ponto de vista do coordenador, o ensino de nianeca produziu resultados positivos e algumas aprendizagens, que vão permitir a inserção do umbundo e nganguela. Actualmente, a província da Huíla conta com 200 professores de línguas nacionais. O responsável pelo departamento de formação de quadros da direcção provincial, António dos Santos, realçou a importância do ensino das línguas nacionais no desenvolvimento da educação, transmissão de conhecimento científico e resgate dos valores culturais dos povos da região sul. António dos Santos salientou que o Ministério assegura e promove as condições humanas, científicas, técnicas, materiais e financeiras para a expansão e generalização do ensino das línguas nacionais.  Daí a realização da formação, que surge da necessidade de alargar o processo para mais escolas da província. Por outro lado, o sector das línguas nacionais da Direcção da Educação do Namíbe está interessado em partilhar experiência com os homólogos do sector da província da Huíla, afirmou o seu coordenador, que participa no seminário de formação em curso no Lubango. César Joaquim reconheceu que a Huíla tem um avanço de três anos, em termos de inserção e ensino das línguas nacionais no sistema de educação e na aplicação do método Inovação no Ensino da Leitura (IEL), preparação de recursos humanos e manuais.
“Estamos numa visita de troca de experiência no domínio das metodologias do ensino e formação. Viemos aprender, para pôr em prática na nossa região”, argumentou.
O responsável afirmou que o projecto-piloto do processo de inserção das línguas nacionais no sistema normal de ensino na província do Namíbe, realizada no ano passado, decorreu bem, apesar de algumas dificuldades relacionadas com a escassez de recursos humanos e de material didáctico.

Avaliação positiva

César Joaquim avaliou de forma positiva a fase experimental do ensino da língua nianeca humbe, que decorre nos municípios do Namibe, Bibila e Camucuio, com um total de 29 turmas. Anunciou, ainda, que a língua mucubal é a próxima a ser inserida no sistema de ensino e já tem a comissão de tradução criada.

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