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Abortos provocados causam infertilidade

Arão Martins | Lubango

O médico ginecologista e especialista em reprodução humana Cristiano Busso disse, no Lubango, que as doenças sexualmente transmissíveis mal tratadas e o aborto provocado são as principais causas de casos de infertilidade de vários casais.

Cidade do Lubango acolheu palestra sobre avaliação do casal infértil e a medicina reprodutiva de baixa complexidade
Fotografia: Arimatea Baptista | Lubango

Cristiano Busso, médico de nacionalidade brasileira, falava sobre o tema “A avaliação do casal infértil e a medicina reprodutiva de baixa complexidade”, no seminário regional sul organizado pelo Ministério da Saúde e o Governo da Huíla, e referiu que a infertilidade pode ser masculina, feminina e mista.
Salientou que, em vários casos, bem acompanhados, a infertilidade é tratada, antes de recorrer à inseminação, como tem ocorrido em muitas situações.
Para uma mulher, disse Cristiano Busso, as causas podem ser problemas na ovulação, nas trompas, que é muito comum em Angola. “Em várias mulheres que acorrem em hospitais tem sido diagnosticado trompas que não funcionam bem. Os problemas no útero, como os miomas, são ainda frequentes nas mulheres angolanas”.
 Esclareceu que para os homens as causas podem ser a alteração do  esperma. “A alteração dos espermas pode ser causada por genética ou através da existência de varizes, dentro dos testículos”.
 
Soluções possíveis
 
O especialista em reprodução humana disse que caso a mulher tenha miomas indica-se a cirurgia para a sua remoção e no caso dos homens, se houver “varizes” também é feita uma cirurgia.
 A Organização Mundial da Saúde (OMS), indicou, considera a infertilidade um problema de saúde pública. “O que nós vemos em Angola é que as taxas de infertilidade são ainda mais altas em relação à média mundial”, explicou, acrescentando que estudos feitos indicam que a média mundial anda à volta de 15 por cento dos casais em idade fértil, enquanto em Angola “existem até 30 por cento de mulheres com problemas para engravidar”.
 Explicou que o que acontece é que em Angola os centros ainda não estão muito equipados para o tratamento da infertilidade, mas o Executivo está a apostar fortemente na formação de quadros para atender em diferentes hospitais os casais que querem engravidar.
 Adiantou que as mulheres que padecem da infertilidade muitas vezes são ostracizadas, os maridos as deixem e procuram outras, o que tem causado um drama para as mulheres.
“Sabemos que muitos pacientes são atendidos no Brasil, África do Sul, Portugal, Espanha, Namíbia entre outros, mas isso deve ser atendido nos hospitais regionais”.
 “A nossa ideia é que as pacientes deixem de sair do país e comecem a efectuar o tratamento no país. Angola já tem condições para efectuar esse tipo de trabalho, sobretudo com os investimentos que estão a ser feito nos hospitais regionais”.
 
Casos na Huíla
 

O director geral da Maternidade Geral do Lubango, Flávio Hilário, informou que cerca de 60 por cento das mulheres que fazem consultas de ginecologia, naquela unidade hospitalar, apresentam como queixa principal a infertilidade. 
O responsável  da maternidade lembrou que muitos casos que dão entrada têm como causas os abortos provocados e as doenças sexualmente transmissíveis.
 Para prevenir a situação, junto das comunidades, Flávio Hilário disse que  está em curso o trabalho de educação para saúde, feita por profissionais da saúde, em parceria com os órgãos de comunicação social estatais e privados sedeado na província.
 Flávio Hilário anunciou que o Governo Provincial da Huíla, em parceria com a direcção local da Saúde e a direcção do hospital, estão a trabalhar para instalar um centro para tratar casos de infertilidade na maternidade do Lubango.
 Assegurou que a maternidade tem capacidade e o processo decorre com normalidade. “Brevemente vai se criar um consultório especificamente para atender casos de infertilidade feminina de baixa complexidade”, garantiu.
 Vamos começar a criar condições para que aquilo que se faz no primeiro mundo e que se está a instalar em Luanda, que é a fertilização médica assistida, possa também chegar à Huíla.
É nosso sonho e vamos fazer para que, durante o nosso mandato, isso possa ser possível. Assistiu o workshop o governador provincial da Huíla, João Marcelino Tyipinge.

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