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Agricultores incrementam cultivo no Perímetro Irrigado da Matala

Estanislau Costa | Matala

Os pequenos e grandes agricultores que exploram o perímetro irrigado da Matala, a 190 quilómetros a leste da cidade do Lubango, consideraram, ontem, uma mais-valia as obras de remodelação efectuadas nas infra-estruturas da barragem hidroeléctrica.

Com a água do canal de irrigação da Matala os camponeses da região já podem produzir sem ter de depender totalmente das chuvas
Fotografia: Estanislau Costa

As obras visam regularizar o abastecimento de água às áreas de cultivo.
Fernando Calombo, filiado na cooperativa agrícola 1.º de Maio e que explora cinco hectares do perímetro, explicou ao Jornal de Angola que antes da remodelação das estruturas físicas da barragem hidroeléctrica da Matala a água corria no canal por um período máximo de três horas.
“Este período de fornecimento de água criava muitos embaraços à lavoura, principalmente nas zonas de sequeiro ou nos momentos em que as chuvass eram irregulares”, disse, para salientar que agora a água está a escorrer no canal 24 sobre 24 horas.
Madalena Jambela pertencente a mesma cooperativa e informou que já aumentou o cultivo de batata, hortícolas e legumes, por não haver receio de escassez de água para irrigar as culturas. “Com a água do canal podemos produzir sem ter que depender totalmente das chuvas”.
O presidente do Conselho de Administração da Sociedade de Desenvolvimento da Matala (SODEMAT), Cipriano Ndulumba, destaca a conclusão das obras, que requalificaram a barragem hidroeléctrica da Matala, como um valor acrescido na actividade dos camponeses que dependem apenas do perímetro irrigado.
Cipriano Ndulumba disse pretender  que sejam superadas, com maior brevidade, as anomalias dos sistemas secundários de abastecimento de água dos lotes de produção, de modo que os agricultores tenham a possibilidade de fazer chegar a água às áreas de lavoura mais distantes.
Cipriano Ndulumba salientou  que o restauro da barragem hidroeléctrica da Matala potenciou ainda o canal de irrigação, com performances que permitem ter água todo o ano, para suportar a actividade agrícola na região.
O perímetro possui um canal com 42.6 quilómetros de extensão, sendo que a área produtiva é estimada em 6.831 hectares de terras. O conselho de administração desenvolveu acções para instalação de motobombas no Km 19.7, Km Cinco e Km 32.
Cipriano Ndulumba disse que “o coração do perímetro é o canal de irrigação. Após isso, existem os silos com capacidade para 12 mil toneladas de cerais, o complexo de frio projectado para conservar 2.200 toneladas de batata”.

Novos espaços


As autoridades da administração municipal da Matala puseram à disposição dos investidores acima de 20 mil hectares para a produção de diversos produtos a escala industrial, que permitam contribuir para a auto-sustentabilidade e promover a exportação.
O administrador municipal, Miguel de Paiva Vicente, explicou que os técnicos já efectuaram um levantamento aos espaços definidos para a agricultura, tendo apurado haver condições favoráveis e água em quantidade a ser fornecida a partir do canal de irrigação.
“Estamos a desenvolver acções com o propósito de relançar a produção em quantidade e qualidade, assim como diversificar a produção de alimentos, de modo a servir a população da província e do país”, afirmou, para acrescentar que o incremento do cultivo de cereais conta com dois silos e uma moagem.

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