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Agrónomo recomenda plantação de amoringa

André Amaro | Lubango

Os criadores de gado do Centro e Sul de Angola foram incentivados, no Lubango, Huíla, a apostar na multiplicação da amoringa, por ser uma planta com muitos nutrientes, resistente à seca e que garante alimento para os rebanhos em tempo de estiagem.

O engenheiro Nivaldo Chicale apresentou a proposta aos criadores de gado e fazendeiros quando dissertava sobre nutrição bovina
Fotografia: Arimateia Baptista |Huíla

O incentivo é do engenheiro Nivaldo Chicale, da fazenda Tchissola da província do Cunene, durante as X Jornadas Internacionais de Bovinicultura de Carne, que decorreu entre os dias 8 e 9 de Agosto, no Lubango, no âmbito da feira agro-pecuária, que reuniu especialistas em veterinária de Angola, Portugal, África do Sul e Argentina.
A planta é de origem indiana e rica em proteínas e minerais, elementos de que o gado necessita, e que possui características que se adaptam facilmente às condições climáticas semi-áridas, idênticas às das províncias da Huíla, Cunene e Kuando-Kubango.
O engenheiro Nivaldo Chicale apresentou a proposta aos criadores de gado e fazendeiros quando dissertava sobre o tema “Nutrição bovina no Sul de Angola, a amoringa como solução”.
Nivaldo Chicale esclareceu que a amoringa é conhecida como uma planta milagrosa no Brasil e pouco conhecida em Angola, resistente à seca e a pragas, de fácil plantação e que serve para alimentação do gado, purificação da água e tratamento da diabetes e hipertensão arterial.
A nível de Angola, esta planta e­xiste há muitos anos nas províncias de Benguela, Kwanza-Sul e Huambo, mas apenas para ornamentação, por as pessoas não conhecerem a sua importância.
O engenheiro considerou que a amoringa pode dar resposta a três problemas que a região Sul do país, como Cunene, Huíla e Namibe, enfrentam: seca, desertificação e águas contaminadas.
Para o caso das águas contaminadas, disse que a amoringa é uma solução, porque a sua semente é um bactericida que desinfecta e purifica a água, uma vez que as doenças da água são de origem bacteriana.
A plantação da amoringa impede a expansão da desertificação, sobretudo nos locais onde o abate indiscriminado de árvores é massivo, porque a planta resiste à seca.
A amoringa é uma planta leguminosa e as suas raízes ajudam a melhorar os solos, tendo em conta as quantidades de nitrogénio que oferece, principalmente quando a terra estiver muito desgastada e a precisar de ser recomposta.

Multiplicação da planta

A multiplicação, nos próximos dois anos, de 500 mil plantas de amoringa a nível das fazendas de todo o país, para garantir alimentos para o gado bovino e prevenir doenças, constitui um dos desafios do Executivo, numa parceria com a empresa “Nutricampo”, segundo o  engenheiro Nivaldo Chicale .
O também representante da Nutricampo disse que, há dois anos, as duas instituições estão a trabalhar no fomento da amoringa e já existem boas quantidades de plantas na província do Kwanza-Sul, iniciando-se agora o processo no Cunene.
Nivaldo Chicale referiu que, no ano passado, multiplicaram-se duas mil amoringas, muito distante da meta de 500 mil plantas por hectare, num horizonte de dois anos. Para tal, estão a ser distribuídas sementes e chitacas aos fazendeiros de todo o país. O engenheiro Nivaldo Chicale esclareceu que a plantação da amoringa pode ser através da semente e da chitaca, sendo este último método o mais eficaz, porque atinge a maturidade para ser podada em seis meses.

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