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"Água para todos" chegou ao Cangolo Muquipa

André Amaro | Lubango

Com o Programa Água para Todos, de iniciativa Presidencial, o Governo da Huíla construiu sistemas de captação, tratamento e distribuição nos 14 municípios da província, articulando o abastecimento de água com acções de saneamento básico e ambiental.

Mucanda e companheiros satisfeitos com o ponto de água dançam a cambangula ao ritmo de instrumentos musicais tradicionais
Fotografia: Arimateia Baptista|Lubango

 
Com o Programa Água para Todos, de iniciativa Presidencial, o Governo da Huíla construiu sistemas de captação, tratamento e distribuição nos 14 municípios da província, articulando o abastecimento de água com acções de saneamento básico e ambiental.
O programa visa melhorar os indicadores sociais, em conformidade com os Objetivos de Desenvolvimento do Milénio, propostos pela Organização das Nações Unidas (ONU) para serem alcançados até ao ano 2015. Mais de três mil habitantes da aldeia de Cangolo Muquipa, município da Chibia, Huíla, passou a beber água potável, através do “Programa Água para Todos”.
João Mucanda, 49 anos, pastor, é um dos habitantes da aldeia e diz que depois de mais de quatro décadas a consumir água do rio, poços, cacimbas e chimpacas, “agora já bebo água de qualidade”.
Os motivos para comemorar são muitos, por isso Mucanda e os seus companheiros, ao ritmo do batuque, do reco-reco, kissange e outros instrumentos musicais tradicionais, dançam a cambangula.
Ao ritmo contagiante do batuque, mulheres e crianças, vestidas da cabeça aos pés com trajes e tradicionais, juntam-se à festa para expressar a sua satisfação pelo ponto de água e dar as boas vindas aos visitantes. No seu orgulho de pastor tradicional, Mucanda,  no acto inaugural tomou a palavra e disse: “a água da bomba é mais saborosa e limpa do que a do rio, do poço ou da chimpaca”.
O pastor sempre usou água não tratada para beber. Como bom pastor, bebe onde está a beber o seu rebanho. Agora tem água tratada e saborosa. A festa continua!
A satisfação do pastor é partilhada por Joaquina Ngueve, camponesa, que vê no fontanário que começou a jorrar água potável a redução do seu sofrimento de percorrer três quilómetros para acarretar água no rio.
Visivelmente satisfeita, Joaquina Ngueve disse que a abertura do primeiro ponto de água na aldeia veio melhorar as condições de vida dos seus habitantes, que agora têm água potável para beber, mas também para lavar a roupa e tomar banho.
Conta que antes da inauguração, homens e animais utilizavam o mesmo rio, lago ou chimpaca para beber, o que trazia consequências graves para a saúde das pessoas. “O risco de contrairmos doenças era muito grande”, disse.
Joaquina Ngueve explicou que por causa da partilha de água entre as pessoas e o gado era frequente o registo de doenças como a cólera e alergias.
A funcionária pública Verónica Chicusse disse que as autoridades governamentais da província da Huíla atenderam a uma preocupação que a população há décadas clamava por solução. Verónica Chicusse considera que a vida na localidade renasceu com a ponto de água, mas é preciso que outros sistemas sejam construídos, porque um ponto não é suficiente para atender todos os habitantes.

Água potável nos municípios
           
 Ao abrigo do Programa “Água para Todos, que visa levar o “precioso líquido” às comunidades rurais e melhorar o saneamento básico, mais de 300 mil habitantes dos 14 municípios que integram a província da Huíla já beneficiam de água potável.
O director provincial das Águas na Huíla, Abel da Costa, considerou positivos os dois anos de execução do Programa Água para Todos, uma vez ter beneficiado mais de 300 mil pessoas nas comunidades rurais.
Abel da Costa disse que desde o início do projecto, em 2009, até ao momento, já foram executados 60 sistemas de abastecimento de água, dos quais 17 convencionais para as sedes municipais.
O titular do sector das Águas na Huíla esclareceu que os sistemas convencionais instalados nas sedes municipais estão equipados com uma central de captação, armazenagem e distribuição de água com canalização ligada ao domicílio.
Para as comunidades rurais com mais de 300 pessoas, foram construídos lavandarias com pontos de água, alguns dos quais manuais e outros equipados com placas solares para alimentar o sistema, sublinhou.Este ano foram feitas pequenas intervenções que permitiram a instalação de pontos de água na periferia de algumas localidades dos municípios do Lubango, Matala, Chibia, Humpata, Quilengues e Caconda.
A meta, disse, é até ao ano de 2012 beneficiar com este projecto 80 por cento da população da província da Huíla, estimada em 3,1 milhões de habitantes, grande parte concentrados na cidade do Lubango.
Sublinhou que o objectivo do projecto é beneficiar com água potável 2, 8 milhões de pessoas na Huíla, o que constitui 80 por cento do total.
 
Menos doenças

Doenças como a cólera, alergias, infecções urinárias, problemas intestinais e outras causadas pelo consumo de águas impróprias estão a reduzir nas comunidades rurais onde o Projecto Água para Todos já chegou.
O director do sector das Águas na Huíla, Abel Costa, assegurou que, graças ao projecto, o índice de doenças causadas pelo consumo de água imprópria reduziu drasticamente.Abel Costa informou que nas comunidades rurais, a cólera, a malária e diarreias agudas eram consideradas as doenças que mais mortes causavam e esta iniciativa está a contribuir para a sua prevenção.
Garantiu que o Projecto Água para Todos está a ser um êxito na província da Huíla, na medida em que a melhoria da qualidade de vida das populações está a ser alcançada. Abel Costa sublinhou que fruto da sua materialização, o saneamento básico no seio das comunidades rurais melhorou.
 “O consumo de água potável está a dar qualidade de vida às comunidades mais desfavorecidas”, afirmou, acrescentando que as pessoas melhoraram a higiene pessoal e das suas casas, um factor determinante para a prevenção de doenças.
Acrescentou que as crianças e mulheres deixaram de fazer grandes esforços ao percorrer longas distâncias para acarretar água em lagos, rios e lagoas, muitas vezes contaminados pelo facto de serem usados pelo gado.
Abel da Costa diz que valeu a pena investir em projectos de abastecimento de água, porque melhorou o saneamento básico, diminuíram determinadas doenças e poupa-se dinheiro com vacinas e medicamentos para o tratamento dos doentes.
 
Investimentos avultados

Ao todo, 8,2 milhões de dólares s foram investidos no Projecto Água para Todos na província da Huíla, no sentido de melhorar o abastecimento de água às populações das comunidades rurais.
O director provincial das Águas na Huíla, Abel da Costa, sublinhou que os serviços recebem anualmente 4,1 milhões de dólares para execução de projectos nos 14 municípios. Referiu que com este montante, os serviços de Águas estão a recuperar a capacidade dos sistemas antigos das sedes municipais, abrir furos nas comunidades periféricas e rurais e construir lavandarias.
Abel Costa disse que para alcançar as metas estabelecidas pelo Projecto Água para Todos, as verbas são insuficientes, uma vez que a maior parte da população da Huíla está concentrada na cidade do Lubango.
Explicou que atendendo ao facto do Lubango ser um centro urbano, a abertura de furos não é compatível com o desenvolvimento das áreas urbanas, dai a necessidade de instalação de sistemas de abastecimento de água modernos, cujos orçamentos são elevados.
Para a cidade do Lubango é necessário investir na conduta de transporte e captação da Tundavala, que está em estado avançado de degradação, nova tubagem para os domicílios, contadores e outros equipamentos, exemplificou.
 
Plano director

Abel da Costa informou que a melhoria definitiva do abastecimento de água às populações da cidade do Lubango passa pela materialização do Plano Director do Governo Provincial da Huíla, orçado em 245 milhões de dólares.
Elaborado há dez anos, o Plano Director de Águas da cidade do Lubango foi recentemente actualizada para corresponder ao crescimento demográfico e económico que a capital da provincial da Huíla vem registando.
De acordo com o director provincial das Águas na Huíla, o Plano Director já foi remetido ao ministério de tutela e este, por sua vez, levou-o ao Conselho de Ministros, para análise e aprovação pelo Chefe do Executivo.
Abel da Costa explicou que o sistema de abastecimento de água da cidade do Lubango foi construído para atender 30 mil consumidores, mas actualmente o número de habitantes cresceu para um milhão e 200 mil.
Frisou que devido à antiguidade da rede de distribuição e ao estado degradado da canalização ao domicílio, 60 por cento da água proveniente da captação da Tundavala acaba por se perder.
Enquanto se aguarda pela aprovação do Plano Director, a Direcção das Águas da Huíla, em parceria com Organizações Não Governamentais, está a instalar bombas manuais nos bairros periféricos da cidade do Lubango.

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