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Água potável corre nas torneiras dos Gambos

Estanislau Costa| Gambos

As doenças provocadas pelo consumo de água imprópria nas zonas afectadas pela seca no município dos Gambos, diminuíram consideravelmente com a entrada em funcionamento de cinco novos sistemas de captação e distribuição de água potável.

Os sistemas de captação e distribuição de água potável equipados com lavandarias e painéis solares foram inaugurados pelo governador
Fotografia: Alfredo Chivia

Equipados com reservatórios, lavandarias e painéis solares que geram corrente eléctrica para as bombas e outros meios, os novos sistemas de captação estão a abastecer mais de nove mil pessoas e uma significativa quantidade de animais, entre gado bovino e caprino, principal riqueza da região.
Os fontanários instalados nas recônditas localidades de Munailongo, Viriabundo, Ompapa, Nhoca e Catoho, têm capacidade para fornecer três mil litros de água por hora, o que permite descongestionar a concentração de pessoas e animais nos pontos de abastecimento e bebedouros.
O técnico da direcção provincial de Energia e Águas da Huíla, Edson Baptista, explicou que os criadores tradicionais de gado dos Gambos utilizam, além de outros fontanários, várias chimpacas reparadas e alargadas, que acumulam durante muito tempo quantidades aceitáveis de água das chuvas.
Especialista na área ambiental, aconselhou as autoridades do município dos Gambos a apostar mais na plantação de árvores de diversas espécies, para favorecer a criação de um cordão de protecção dos ventos e servir de regulador permanente da precipitação. “Os Gambos são uma zona muito quente e seca, mas há épocas em que as chuvas caem com intensidade, o que permite deduzir que se há chuvas em determinados períodos, também é possível fazer com que as mesmas sejam regulares, a partir do uso de métodos naturais”, disse, para acrescentar que as árvores podem facilitar o processo.
O soba grande do município dos Gambos, Gabriel Ondjomina, elogiou a concretização do programa de emergência do Executivo, destinado a acudir as populações e animais afectados pela estiagem prolongada que assolou, no ano passado, vários pontos do país, entre os quais a Huíla. “Temos mais de dez fontanários de grande capacidade, 12 chimpacas e nascentes naturais reactivadas com a abundância das chuvas, que solucionaram o problema da carência de água”, disse o soba, para quem é preciso mais trabalho e criação de novos projectos para a construção de represas ao longo do Rio Caculuvar.
Gabriel Ondjomina afirmou que as actuais condições disponíveis estão a favorecer a recuperação dos animais e a sua reprodução, assim como a ajudar as famílias na lavoura. “As igrejas e outros membros da sociedade civil estão a incentivar as pessoas a cultivar e a aumentar os espaços de produção”.

Escola e cultivo

 
O vice-governador para o sector Económico da Huíla, Sérgio da Cunha Velho, que procedeu à entrega dos equipamentos aos munícipes, exortou as famílias que se dedicam exclusivamente à pastorícia a também apostarem na produção agrícola e diversificação das culturas.
Sérgio da Cunha Velho, que explicou aos camponeses as acções realizadas no campo experimental de horticulturas da Tunda Agrícola dos Gambos, com três hectares, alertou para a necessidade de todos se empenharem no projecto de multiplicação de sementes, com realce para as verduras, milho, feijão e batata-doce.
Estão enquadrados no processo de multiplicação de sementes 93 associações de camponeses, que vaticinam bons resultados.
Para reforçar a mobilidade dos técnicos de diversas áreas, foram distribuídas viaturas e entregue uma ambulância.
 As crianças com idade escolar da povoação de Catoho passaram a ter uma nova escola do ensino primário, com seis salas. O estabelecimento, orçado em 27 milhões de kwanzas, tem capacidade para receber 540 alunos, em dois turnos.  Está igualmente disponível um posto de saúde, com cinco camas, consultório, farmácia, sala de parto e de planeamento familiar.

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