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Artes e ofícios ocupam jovens

Estanislau Costa| Chibia

O Centro de Formação Técnico-Profissional da Chibia, localizado a 45 quilómetros a sul da cidade do Lubango, formou, nos últimos dois anos, 74 jovens empreendedores, da circunscrição e de vários pontos da província da Huíla, nos cursos de serralharia e electricidade.
Os formandos foram enquadrados em diversas empresas de construção civil que executam obras nas comunas destas paragens no âmbito da implementação do Programa Municipal Integrado de Desenvolvimento Rural e Combate à Pobreza.

Cursos ligados à área de construção civil têm sido muito procurados pela juventude
Fotografia: Arimateia Baptista| Lubango

O Centro de Formação Técnico-Profissional da Chibia, localizado a 45 quilómetros a sul da cidade do Lubango, formou, nos últimos dois anos, 74 jovens empreendedores, da circunscrição e de vários pontos da província da Huíla, nos cursos de serralharia e electricidade.
Os formandos foram enquadrados em diversas empresas de construção civil que executam obras nas comunas destas paragens no âmbito da implementação do Programa Municipal Integrado de Desenvolvimento Rural e Combate à Pobreza, enquanto outros técnicos, receberam estojos de instrumentos do projecto "Angola Jovem".
No presente ano lectivo, 24 pessoas frequentam o curso de electricidade e cinco o de inglês, com a duração de um ano.
O Jornal de Angola apurou que os cursos de serralharia e carpintaria não arrancaram por enquanto, em consequência da ausência de material apropriado e por falta de formadores.
O administrador logístico da Brigada de Energia e Água do centro, Victor Gabriel, disse que a única instituição qualificada para formar jovens e adultos em vários ofícios está a corresponder às expectativas dos munícipes, na medida em que o sonho de as pessoas adquirem uma profissão é já uma certeza.
Victor Gabriel afirmou que antes do surgimento do centro, projectado numa área de 800 metros quadrados, com quatro salas de aulas, dois dormitórios para alunos em regime de internato, duas salas de exposição de material e outros compartimentos, os adolescentes sem ocupação deslocavam-se ao Lubango para se candidatarem a uma das instituições. "Os custos relacionados com o transporte, alimentação e outros, fazia com que muitos jovens ficassem pelo caminho, envolvendo-se em acções pouco credíveis para o desenvolvimento humano", afirmou.
Os adolescentes e jovens da Chibia e de outras localidades, disse, sobretudo os desinteressados a atingir níveis de escolaridade altos, afluem ao centro por saberem que quando terminarem a formação profissional, passam a ter facilidades de se inserirem na sociedade.
O Centro Técnico-Profissional da Chibia, em funcionamento há mais de dois anos, orçado em 850 mil dólares, foi financiado pela Fundação Gilberto Ferri, Associação Marco Di Martino, Intersos e pela Direcção de Energia e Águas da Huíla. Um banco italiano disponibilizou 200 mil dólares para a aquisição de material dos cursos.
A instituição dá prioridade, para a habilitação aos cursos, a indivíduos na condição de mais necessitados e determinados a abrir pequenas empresas de prestação de serviços na área da construção civil. Trata-se de uma filosofia de trabalho favorável à reintegração rápida destas pessoas em acções úteis.

Técnicos  impulsionam obras

As obras de impacto socioeconómico em curso e concluídas nas comunas do Jau, Capunda Cavilongo, Quihita e arredores da sede, são executadas por um número considerável de jovens e adultos com conhecimentos de construção civil adquiridos nos centros da Chibia, Lubango e Instituto Politécnico da Humpata.
O mestre de obra, de uma construtora local, António Ananás, considerou positivo o empenho das instituições de cursos de formação profissional, na área de construção civil, por colocar no mercado de trabalho jovens com bons conhecimentos da área. "As obras de escolas, postos de saúde, casas e outros são, maioritariamente, executadas por técnicos de centros de formação".
António Ananás, formado num Centro de Formação Profissional do Lubango há sete anos, disse que a urgência da reconstrução e dinâmica das obras seria difícil executar sem o recurso aos técnicos formados nas instituições especificas da província da Huíla e não só.
"Temos também muitos adultos, com idades entre os 28 a 33 anos, que não tiveram a oportunidade de concluir o ensino médio ou ingressar na faculdade, mas precisam de trabalhar para darem o seu contributo ao desenvolvimento do país e terem um ordenado. A solução foi frequentar um curso profissional, e muitos estão já empregados", disse.
Os jovens João Paulo, Francisco Abreu e Marcos Calapi criaram uma pequena empresa que presta serviços em electricidade, pedreira, ladrilho e canalização nos municípios do Lubango, Chibia, Humpata e Cacula. Com os estojos de instrumentios recebidos através do programa "Angola Jovem", conquistaram o mercado e são muitos procurados.
"Existem empresas que executam várias obras do Governo, no âmbito do Programa Municipal Integrado de Desenvolvimento Rural e Combate à Pobreza nas zonas rurais, e temos sido chamados para a instalação dos sistemas de electricidade, canalização e colocação de mosaicos", disseram.
Os jovens especializados aconselham outros jovens a inscreverem-se para aprenderem uma profissão. "Os cursos profissionais ajudam muito, por serem de curta duração, e dão oportunidades de emprego àqueles que melhor se aplicam", afirmaram.

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