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Barragem das Gangelas muda imagem da Chibia

Estanislau Costa e Arão Martins| Lubango

A produção agrícola no perímetro irrigado das Gangelas, no município da Chibia, 45 quilómetros a sul da cidade do Lubango, começa a ganhar rosto com o aumento das colheitas a cada ano agrícola e distribuição de lotes para cultivo aos pequenos e grandes agricultores.

Perímetro Irrigado das Gangelas está dotado de meios técnicos de ponta
Fotografia: Arimateia Baptista| Lubango

A produção agrícola no perímetro irrigado das Gangelas, no município da Chibia, 45 quilómetros a sul da cidade do Lubango, começa a ganhar rosto com o aumento das colheitas a cada ano agrícola e distribuição de lotes para cultivo aos pequenos e grandes agricultores.
Os dados estatísticos da Sociedade de Gestão do Perímetro Irrigado das Gangelas (SOGANGELAS) atestam haver um crescimento considerável da produção hortofrutícola, tubérculos e cereais, facto que incentiva ao maior empenho dos agricultores e o enquadramento no projecto de novos camponeses.
Em 2009, altura em que o perímetro irrigado começou a dar os primeiros passos na lavoura, as colheitas atingiram as 106 toneladas de milho, 16 de feijão e quantidades enormes de produtos hortícolas. Iniciou também a plantação de árvores de frutas diversas.
No ano seguinte, as safras foram de 293 toneladas de cereais e outras quantidades de vários alimentos. A administradora da área Técnica da SOGANGELAS, Josefa dos Santos, explicou que o projecto começou com 76 utentes, distribuídos em 39 agricultores, 20 jovens empreendedores e 17 camponeses.
Os pequenos e grandes investidores referenciados funcionam com duzentos trabalhadores. O pessoal envolvido na actividade agrícola já plantou desde 2008 até ao momento, 34.615 árvores de frutas diversas, uma quantidade que ocupa uma área de 96 hectares.
A empresa gestora, que projectou em toda a área produtiva 60 por cento para o cultivo da fruta, acompanhou com êxito a plantação de milhares de laranjeiras, mangueiras, tangerineiras, goiabeiras e limoeiros. Algumas já começaram a dar frutos.
Em relação à produção de cereais e hortícolas prevista para a campanha agrícola 2010/2011, foram lavrados centenas de hectares, onde se estima colher 912 toneladas. Os lotes de produção estão distribuídos em 25,2 hectares para os camponeses, 30,4 para os jovens empresários e 297,8 hectares para os agricultores.
O aumento da produção nos lotes de terras agricultáveis existentes ao longo do perímetro irrigado das Gangelas deve-se ao programa do Executivo, que visou a construção de infra-estruturas adjacentes e reparação completa da Barragem.
O perímetro de irrigação, no dizer de Josefa dos Santos, tem 30 mil e 635 metros de extensão e a barragem tem uma capacidade de armazenar três milhões e 500 mil metros cúbicos de água. Com isso, estão lançadas as bases para uma produção em quantidade e qualidade e num sistema ininterrupto.
 
Agricultores empreendedores
 
Aurélio Cabral é um agricultor empreendedor, que se destaca no processo de produção e o faz com amor à terra. Com 16,6 hectares, o produtor não esconde a satisfação de ver as árvores de fruto a desenvolverem.
O agricultor apostou mais nas árvores de fruto por considerar haver ainda muita escassez destes alimentos no mercado nacional. A prospecção comercial orientou Aurélio Cabral a produzir tangerinas, laranjas, mangas, goiabas e outros bens que sirvam para o mercado e para as indústrias.
Aurélio apostou também no cultivo da ginguba e soja. "Além do milho e feijão em grandes quantidades, passei a cultivar também ginguba e soja, por serem muito procuradas no mercado", disse. O jovem Núrio da Costa, após concluir o curso de agronomia no Instituto Agrário do Tchivinguiro, quer ser um fruticultor de renome no município da Chibia. Explora uma área de cinco hectares do perímetro irrigado das Gangelas, onde plantou 854 pés de laranjeiras, 72 de limoeiros, 69 de mangueiras e usa fertilizantes vegetais (estrume bovino). 
As plantas importadas da África da Sul adaptaram-se bem ao solo do perímetro irrigado e estão a desenvolver de acordo com o previsto. A preferência na fruticultura, explicou, deve-se ao facto de, além da família ser agricultora de sucesso, são poucos os produtores que apostam nesta cultura.
Os pequenos e grandes agricultores que exploram as terras férteis do perímetro irrigado das Gangelas, no município da Chibia, enalteceram o Executivo pela materialização do projecto de reparação e modernização da barragem das Gangelas.

Sucesso da batata-doce

"Estamos a reactivar os campos de lavoura e a produzir sem sobressaltos várias culturas. Temos água em abundância e meios mecanizados que nos ajudam a executar os nossos planos", disseram, para acrescentar que o município da Chibia vai brevemente ser referência na produção de diversos produtos.
Uma nova espécie de batata-doce, adquirida em Moçambique, está a ser testada pelos camponeses dos municípios da Chibia, Caluquembe, Quipungo, Humpata, Matala e Quipungo, em resposta ao projecto de Fomento da Produção e do Combate à Fome e à Pobreza.
A acção, levada a cabo pelo Instituto de Desenvolvimento Agrário (IDA) e outros parceiros, já abrangeu 522 camponeses. São 45 variedades de batata-doce, entre as quais o tipo um, 11 a 15, bem como a Zapalo e Mugic, do tipo 13 e 17.
O engenheiro Simão Zacarias, que coordena o projecto experimental em curso ao longo do canal de irrigação da barragem das Gangelas, disse que os ensaios foram feitos no projecto-piloto do perímetro da Chibia. Explicou que as sementes foram ensaiadas numa parcela de 0,5 hectares e os resultados são positivos. "É a primeira vez que se faz a introdução da batata do tipo 15 no país, produto que pode também servir para o fabrico de pão e de sumo".  
Os camponeses envolvidos na fase experimental, já concluída, tiveram êxito e estão a colher a batata, que tem boa qualidade e muita aceitação no mercado. A semente vai ser distribuída, gratuitamente, aos camponeses da província até finais do mês de Abril. 
O Instituto de Desenvolvimento Agrário vai posteriormente abranger os camponeses dos municípios de Cacula, Caconda, Cuvango e Chipindo. 
 
Expansão da área produtiva
 
Neste momento, está a ser explorada pelos agricultores uma área de 358,6 hectares, contemplada na primeira fase-piloto.
A empresa gestora do perímetro vai, na segunda fase, expandir as áreas de irrigação para mais 513 hectares.
A administradora técnica explicou que se desenvolve um processo de sensibilização e mobilização no seio das famílias que habitam as zonas agricultáveis situadas no espaço de alargamento, para "saberem que vão ser incluídas no projecto sem nenhum prejuízo".
Fez saber que foram já colocados os sistemas de rega modernos, a Unidade de Bombeamento dos Lotes (UBL) e 19 grupos geradores. "Com a extensão das áreas de cultivo mais produtores vão ser contemplados e haverá ainda mais aumento da produção".

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